terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Lágrimas de Guerra de Mário Brochado Coelho


Lágrimas de Guerra
de Mário Brochado Coelho
Edição/reimpressão: 1989
Páginas: 354
Editor: Edições Afrontamento
ISBN: 9789723602234
Colecção: Textos
Sinopse
Um diário, uma memória, um testemunho. Feito pelo então alferes miliciano Mário Brochado Coelho, mobilizado para Angola no início dos anos 60, e publicado tal e qual foi escrito, num dia-a-dia de factos e de memórias: as reacções e os espantos, as revoltas e as ternuras.

Introdução
«Passados quase 25 anos é tempo ainda para pagar dívidas. É tempo ainda para recuperar a memória perdida. Dar testemunho através das palavras, das ideias e dos factos dos anos de guerra. Agora que o silêncio tudo parece ocultar e que começa a ser tentação demasiado fácil fazer ficção sobre uma realidade que se deixou esquecer ou distorcer, é tempo de recuperar o passado incómodo que somos. É tempo de dar vida aos mortos e violentados que a nossa falta de memória matou e violentou segunda vez.
Este é o meu diário da guerra de Angola. Assim o escrevi. Assim o quero publicar. Com fidelidade. Tal e qual. Será o meu contributo para uma história que, entre nós, ninguém quer fazer. Será o meu contributo para conceder alguma forma e alguma verdade a vidas e gestos injustamente esquecidos ou deliberadamente ignorados.
Um encontro, também. Comigo, o de então ou o de sempre; com os amigos de então ou de sempre; com as ideias de então ou de sempre. Um regresso perturbante. A defesa da memória, minha e de todos.» Mário Brochado Coelho

Confronto - Memória de uma Cooperativa Cultural de Mário Brochado Coelho


Confronto - Memória de uma Cooperativa Cultural
de
Mário Brochado Coelho
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 256
Editor: Edições Afrontamento
ISBN: 9789723610963

Cinco Passos Ao Sol - Ciclos do Efémero


Cinco Passos Ao Sol
Ciclos do Efémero
de
Mário Brochado Coelho
Edição/reimpressão: 1986
Páginas: 184
Editor: Edições Afrontamento
ISBN: 9789723601510
Colecção:
Poesia

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O Que Há de Comum de Armando Pinheiro




O Que Há de Comum
Edição/reimpressão: 2002
Páginas: 300
Editor: Edições Caixotim
ISBN: 9789728651091

Sinopse
Armando Pinheiro é natural do Porto e licenciado em Medicina, que ainda exerce. Pneumologista de renome, foi durante largos anos Director dos Serviços de Cuidados Intensivos do Hospital de Santo António. A sua actividade literária, sempre no campo da poesia, começou em 1978, com a edição de Espelho na Editorial Inova. De aí para cá já publicou 15 títulos e organizou uma antologia de sonetos portugueses (1995; 2ª ed. 1997). Ele próprio é um cultor do soneto e agora reuniu todos os seus sonetos neste belíssimo livro, O Que Há de Comum (onde acrescentou 100 sonetos inéditos), com 4 desenhos de Armando Alves e prefácio de Manuel António Pina.

O livro tem também uma edição especial de 50 exemplares, numerados e assinados por Armando Pinheiro, Armando Alves e Manuel António Pina, com uma serigrafia no formato 210x290mm, de Armando Alves. “Memória e identidade, pensamento e sentimento, natureza e consciência, o tempo que passa e o tempo que permanece, a vida e a morte, ao lado da instante presença do imediato, do episódico, do precário são temas recorrentes em toda a poesia de Armando Pinheiro”. Do prefácio de Manuel António Pina

«Uma poética límpida, a de Armando Pinheiro, ao longo de meio século de escrita. (...) « A poesia de Armando Pinheiro cria (...) a espiral da “grande comunhão” do Eu, viagem pelos porquês da alma, aí, onde “o sonho se instala”. Enamorada de decassílabos, de “ritmos soberanos”, participa, contudo, de muitas correntes e ergue-se inteira, singular, na unidade do autor. Encontra o seu caminho num trajecto universal.» Maria Augusta Silva, Diário de Notícias

Património Imaterial do Douro - Vol, 1 - Vol, 2


Alexandre Parafita
Editor: Âncora
Ano de edição: 2010
Tipo de artigo: Livro
ISBN: 9789727803033
C.I.: 00000247795
Número de páginas: 224
Edição: 2
Idioma: Português
Encadernação: Brochado

Editor: Âncora
Ano de edição: 2010
Tipo de artigo: Livro
ISBN: 9789727803040
C.I.: 00000247794
Número de páginas: 312
Edição: 1
Idioma: Português
Encadernação: Brochado

O conto popular

O que é um conto popular?
Também conhecido como conto tradicional, é um texto narrativo, geralmente curto, criado e enriquecido pela imaginação popular e que procura deleitar, entreter ou educar o ouvinte. A sua origem perdeu-se no tempo. Ninguém é dono e senhor dos contos populares. Por isso, cada povo e cada geração contam-nos à sua maneira, às vezes corrigindo e acrescentando um ou outro pormenor no enredo. Daí o provérbio: “Quem conta um conto acrescenta um ponto”.
(in Alexandre Parafita “Histórias de arte e manhas”, Texto Editores, Lisboa, 2005, p. 30)
Que género de contos populares existem?
São muitos os géneros: contos religiosos, contos novelescos, contos do ogre estúpido, contos de animais, contos jocosos e divertidos, contos sem fim, contos de trapaça, contos de encantamento, etc. Os contos de encantamento são também conhecidos como contos de fadas.Há ainda algumas narrativas que chegaram até nós, sob a forma escrita, com o nome de fábulas. Têm milhares de anos. Os personagens que nelas entram, geralmente animais e outros seres da natureza, procuram transmitir antigas (e, por vezes, desusadas) lições de moral. Foram escritas e trazidas até aos nossos dias por fabulistas famosos, como Esopo, Fedro e La Fontaine.
(in Alexandre Parafita “Contos de animais com manhas de gente”, ÂMBAR, Porto, 2005, p. 41)
Para que servem os contos populares?
Servem para deleitar, entreter ou educar o ouvinte. Por isso, através deles o povo transmite os seus saberes, os seus valores, as suas crenças. Ou seja, a sua cultura. E mesmo os que não têm mensagens culturais explícitas no seu conteúdo continuam a valer pela capacidade que têm de criar uma boa relação entre quem fala e quem ouve. Saber ouvir é, cada vez mais, uma qualidade que importa cultivar.
(in Alexandre Parafita “Contos de animais com manhas de gente”, ÂMBAR, Porto, 2005, p. 40)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Uma simples carta

«há pensamentos nobres e poemas únicos que, uma vez lidos, nos inflamam a escrever poemas»
Carta aos amigos: Fico dias, sem pressa. Demoro-me nos monólogos da memória revisitada, férteis de inteireza humana. Registo as vossas palavras, as frases, as vossas emoções. Perdura sempre a saudade do olhar, dos gestos e dos vocábulos que posso revisitar: os sentimentos, os valores, o olhar profundo e os rostos amigos. Sobra-me a lembrança da amizade que prevalece no húmus do meu sentimento, resistindo à distância e à privação das palavras fraternas, diálogos, desabafos e cumplicidades. Entre velhos manuscritos caligrafados em folhas de papel, vou enxergando os vultos das letras e os desenhos assimétricos da minha vida. As folhas já soltas, envolvidas por um xaile, no interior da arca, vêm reconstituir um lugar no tempo da minha íntima emoção. Recordo-os: um lugar de vós, um lugar do "Ser", um lugar de mim, um lugar dos anjos, um lugar dos registos da memória. Ali, naquele lugar, as vozes vêm ao meu encontro. Revivo todos e cada um dos "humanos", cada um dos amigos. Já o céu está povoado de silêncios, quando me recolho e reinvento os verbos adormecidos e outras vozes. Vozes do tempo, vozes de pedra, vozes de estrelas, guardiãs da nossa própria consciência. E para si amigo, que a saúde lhe permita realizar os seus propósitos e que o afecto, a generosidade, o profissionalismo, a energia, a vontade, o projecto, o sonho e a poesia continue a brotar nos seus gestos de humanidade. Um abraço amigo, sempre Cristina Correia.
( Eva Lima: Porque_____«há pensamentos nobres e poemas únicos que, uma vez lidos, nos inflamam a escrever poemas» ____ me deu vontade de (re)escrever, (re)nascer, bebendo as tuas emoções em cada palavra viva, sentindo-as, respirando-as como nossas.)

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Coração Alcantilado de Carlos Poças Falcão

Coração Alcantilado
de Carlos Poças Falcão
Editora OPERA OMNIA

Livro das Esmolas de Adelino Ínsua

Livro das Esmolas
de Adelino Ínsua
Editora OPERA OMNIA

Itinerarium III de Cláudio Lima

Itinerarium III
de Cláudio Lima
Editora OPERA OMNIA

Intermezzi, Op.25 de Manuel de Freitas


Intermezzi, Op.25
de Manuel de Freitas
Editora Opera Omnia

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cresci com a poesia - Dina Ventura


Cresci com a poesia
Dina Ventura
Formato 17 x 24 cm, brochado
Nº de páginas 168
ISBN 9789896580834

Sinopse
Somos feitos de pedaços do que fomos, do que construímos, das famílias que temos e das famílias que fazemos. Apesar do bem e do mal, dos momentos felizes e dos menos felizes, dos acasos e dos destinos. O objectivo é crescermos e aceitarmos o que temos e o que não temos.Este livro reúne uma série de poemas sobre a temática do desenvolvimento pessoal.

http://www.caleidoscopio.pt/pt/component/virtuemart/?page=shop.product_details&flypage=flypage.tpl&category_id=7&product_id=906

As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar - Isabel Mendes Ferreira




As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar
Editora: Arcádia
Tema: Poesia
Ano: 2010
Tipo de capa: Brochada
ISBN 9789892800110 416 págs.

«Ler Isabel Mendes Ferreira é como assistir ao descerrar de auroras, cantando e reinventando palavras de diferentes paladares por detrás dos fiapos da memória e da respiração das manhãs. Assim escreve quem sabe, quem não se fica pela superfície das coisas ou por um dos lados da dimensão do ser humano, assim escreve quem transporta cestas de palavras no coração dos dedos, assim escreve a Isabel Mendes Ferreira.» Do posfácio de José Pires F. Livro torrencial e vivido, onde a poesia mergulha nas lágrimas do mar e o leitor descerra as mais fortes sensações.

domingo, 26 de dezembro de 2010

FELIZ 2011


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Convite especial




Possuo um grande Salão cheio de visitas que há muito venho convidando para comigo conversarem. Muitas cadeiras, todas ocupadas. Uma enorme e maravilhosa mesa com tampo de jade, marchetada a ouro e madre pérola, em frente à majestosa janela que, por sua vez, nos oferece em todos os horizontes paisagens deslumbrantes, desde as alvas neves das minhas serras ibéricas às douradas e macias areias das orlas do meu oceano, dos verdes maduros e juvenis das florestas a que pertenço aos azuis de todos os rios, mares e céus.
Relembro todos e cada um dos Amigos que ao longo da vida se vieram encontrar comigo. Não dou por falta de nenhum que não tenha convidado e estou certo de não faltar quem quer que seja neste encontro de festa neste Salão que ao fundo, bem ao fundo, tem uma estrela brilhante, a mais luminosa de todas, a alumiar e a aquecer o Menino, acabado de nascer.
Se, Amigo(a), pensas que não te encontras também no meu Salão, apesar de já te ter convidado, rogo-te que compareças para nos abraçarmos com carinho e afecto, neste dia de suprema festa.
O meu Salão de visitas, para que nunca esqueças, situa-se no centro de mim, no meu coração.
Vem, pois, Amigo(a) que, feliz, te espero.
neste Natal de 2010

Arménio Vasconcelos

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

ALEXANDRE PARAFITA


http://arrumarocaos.blogspot.com/

ALEXANDRE PARAFITA É natural de Sabrosa. Tem o Doutoramento em Cultura Portuguesa e o Mestrado em Ciências da Comunicação. A sua formação académica passou pela ex-Escola do Magistério Primário de Vila Real, pela Escola Superior de Jornalismo do Porto, pela Universidade de Coimbra, pela Universidade da Beira Interior (UBI) e pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Com vasta experiência no jornalismo (foi jornalista de carreira durante quase 20 anos), na docência, na investigação e no ensaísmo, integra os quadros da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, onde é responsável pelo Sector de Comunicação Institucional. Nesta Universidade é também vice-presidente do Observatório da Literatura Infanto-Juvenil (OBLIJ). É igualmente professor convidado do Instituto Politécnico de Bragança (Pólo de Mirandela) e investigador integrado do Centro de Tradições Populares Portuguesas da Universidade de Lisboa, nas áreas da mitologia e da literatura oral tradicional, tendo vindo a realizar estudos e pesquisas que lhe permitiram resgatar mais de um milhar de textos inéditos em risco de se perderem na memória oral. Actualmente, faz parte da equipa de investigação incumbida de realizar o “Arquivo e Catálogo do Corpus Lendário Português”, no âmbito da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). Como escritor, a sua obra faz parte do Plano Nacional de Leitura, integra manuais escolares de vários níveis de ensino e é bibliografia obrigatória em cursos de licenciatura e mestrado em escolas superiores e universidades.
É autor de várias dezenas de livros, sendo de realçar:

No domínio da literatura infantil e infanto-juvenil:
– Uma Andorinha no Alpendre (Civilização, 1994);
– A Lenda da Princesa Marroquina (Europress, 1995);
– Chovia Ouro no Bosque (Porto Editora, 1996);
– A Princesinha dos Bordados de Ouro (Porto Editora, 1996);
– O Segredo do Vale das Fontes (Europress, 1996);
– O Último Gaiteiro (Europress, 1997);
– As Aventuras de Rik & Rok (co-autor, Impala, 1998);
- Histórias de Natal Contadas em Verso (Âncora, 2000);
– As três touquinhas brancas (Plátano Editora, 2000);
– Branca Flor, o Príncipe e o Demónio (ASA, 2001);
– A mala vazia (Plátano Editora);
– Diabos, diabritos e outros mafarricos (Texto Editores, 2003);
– Bruxas, feiticeiras e suas maroteiras (Texto Editores, 2003);
– O Conselheiro do Rei (Impala, 2004);
– Histórias de arte e manhas (Texto Editores, 2005);
– Contos de animais com manhas de gente (Plátano Editora);
– Histórias a rimar para ler e brincar (Texto Editores, 2006)
– Memórias de um cavalinho de pau (Texto Editores, 2006)
– Vou morar no arco-íris (Gailivro, 2007)
– O rei na barriga (Âmbar, 2007)
– Pastor de rimas (Impala, 2008)
– O tesouro dos maruxinhos (Oficina do livro, 2008)
– Lobos, raposas, leões e outros figurões (Texto Editores, 2008)
- Contos ao vento com demónios dentro ( Plátano Editora, 2009)

Obras recomendadas pelo PLANO NACIONAL DE LEITURA (PNL):
- Histórias de Natal Contadas em Verso (Âncora Editora)
- As Três Touquinhas Brancas (Plátano Editora)
- Branca-Flor, o Príncipe e o Demónio (Asa)
– A mala vazia (Plátano Editora);
– Contos de animais com manhas de gente (Plátano Editora);
- O rei na barriga (Âmbar)
- Histórias a rimar para ler e brincar (Texto Editores)
- Memórias de um cavalinho de pau (Texto Editores)
- Diabos, diabritos e outros mafarricos (Texto Editores)
- Vou morar no arco-íris (Gailivro)
- O tesouro dos maruxinhos (Oficina do Livro)
E por inerência do título "Diabos, diabritos e outros mafarricos", também as obras:
- Bruxas, feiticeiras e suas maroteiras (Texto Editores)
- Histórias de Arte e Manhas (Texto Editores)

FAUSTO JOSÉ - POETA DE PORTUGAL



CARVALHO, César Luís. FAUSTO JOSÉ. POETA DE PORTUGAL. Câmara Municipal de Amarante, 2003. Prefácio de AGUSTINA BESSA-LUÍS. Biografia Ilustrada de Fausto José dos Santos Júnior nascido em Aldeia de Cima, à época pertencente à freguesia e concelho de Armamar. Além de José Régio, correspondia-se com Alberto de Serpa, Adolfo Casais Monteiro, Branquinho da Fonseca, Tomás de Figueiredo, Vitorino Nemésio. Era apreciador de tertúlias, quer na sua casa de Aldeia de Cima, quer em Vila do Conde (à roda de Régio), quer em Esposende (em casa de Agustina Bessa-Luís). In-4.º Oblongo de 144 páginas ilustradas ao longo do texto. B. ( 25 euros )

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Academia de Letras e Artes Lusófonas

ACLAL (poema de Libânia Madureira)


A cademia da
C ultura, da
L íngua, dos
A fectos, numa
L iberdade, plena harmonia, que se perpetua nos múltiplos aspectos da
multiculturalidade…


Academia
Das metáforas do coração
Dos sonhos e anseios, doce alquimia
Escritos, esculpidos, retratos de emoção
Do pintor, do escultor, do músico, do poeta
Indo além, sendo voz, mensageiro e profeta…



Cultura
As gotas essenciais
Onde a voz entorpecida ou muda
Frágil ou modesta
Se faz sublime partícula do milagre amoroso
Sã interculturalidade que se manifesta
Como rio caudaloso
Transpondo mares de infinitos mananciais…



Lusofonia
Nas artes, nas letras, a caminhada
Vai esboçando no universoInspiradas alianças poéticas
Forjadas rimas explodindo ogivas éticas
Alcançando quadrantes diversos
Na doce alvorada
Plena de harmonia…



Afectos
Nos brilhos purpurinos
Nos crepúsculos matutinos
Na semente lançada ao mundo
Despontarão novas flores
De delicados alvores
Cujas melodias sublimes e suaves
Excederão o encanto
Num novo canto
De sustenidos ou graves
Acordes dilectos…



L íngua Portuguesa na sua realeza
A rquitectando as palavras com eloquência
L iberdade, sapiência
C írio iluminando um cenário que se modela
A rco-íris que o firmamento nivela …

Libânia Madureira
http://aclalusofonas.blogspot.com/

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Séculos de Natal

"Mãe, eis aqui os teus filhos, fracos e extravagantes. Não os julgues pelo seu vil cansaço"
Charles Péguy

É Natal no mundo.
Há luzes acesas e nuvens no céu,
em Nagasáqui e Hiroxima.
Solitária, a lua colorida
vê gritar o silêncio da guerra,
vê arder semente, raiz, árvore inteira...
Aviões e navios bombardeiam Beirute.
Ao raiar do século, há abraços fraternos,
novelos de chuva e fendas no mar.
Não sei com que pulsos
podemos parar!

É Natal no mundo.
Entre cruzes e almas cintilando,
vejo tão só um pássaro faminto
e vozes gemendo e montes gritando...
Há espaços abertos de gritos e euforia,
no olhar de milhões de pessoas sem abrigo.
Os horrores, em Ruanda, não param de soprar.
Há "campos de matança" no Camboja,
num tempo sem chegadas nem partidas.
Não sei com que dinheiro
podemos pagar!

É Natal no mundo.
Na Mongólia e na Argélia,
no abandono da hora da vida.
Espreitando à janela, aquela criança
vê o míssil lançado à distância,
sem minutos de histórias e brinquedos de esperança...
Em Budapeste, as terras tingem-se de sangue.
O teu canto, colibri, já o não sinto.
Solitária, apenas a lua triste prisioneira.
Não sei com que vidas
podemos contar!

É Natal no mundo.
Desses tristes humanos,
nas teias do “Iraquegate”, já vimos a morte,
já vimos a dor de uma guerra sem fime, nas mãos de uma mulher, um pinheiro, um jasmim.
Solstício de mel, de aromas de vinho,
de canela, de lembranças e de bolinho,
sobre a toalha de renda, um farnel recheado.
É dia de amor, de paz e de sonhos,
por um leito de um beijo, abafado de dor e raiva contida.
Não sei com que Natal
podemos brindar!

É Natal no mundo.
Nas ruas que ninguém vê,
as lágrimas rolam nos passeios, nas caixas...
Há côdeas, há pobres,
muitos pobres... e fome que se esquece.
Na Somália e no Chade,
as vítimas são crianças.
Não sei com que futuro
podemos recordar!

É Natal no mundo.
Não sei com que amanhã
podemos acordar!

Cristina Correia

Abraço


Na terra das palavras
havia poemas e sonhos,
na tua mão eu os colhi.
E na seiva do teu olhar
fui plantar folhas de seda
que colhi no alto mar
preciosas, só para ti…
Sete abraços enfeitaram
pedaços da terra do céu,
sete silêncios cantaram
os Anjos,
melodias, junto de mim
perto de ti…
Aqui jaz
o túmulo do âmago
e o silêncio dos guiados.
Viesse um vento...
eu poderia elevar a vela
num cântico além-mundo.
As mãos cansadas
cantam um poema livre,
a qualquer hora de solidão,
palavra fértil
num vazio derrotado...
Onde cabe o nada
abundam sementes
a anuir
sempre com alma
a embrulhar silêncios...
O cordão umbilical,
o cheiro a rosas,
sabor a lágrimas...
nostalgia.
O contentamento desmedido, o suspiro
e a saudade perpétua do nascer.
Convivo
com brandura
o momento.

Cristina Correia

Pequeno nome das ervas...


No brado úbere da terra milhares de fios de Penélope
Sobre o cotovelo dos dias de espera
E barcos vazios
E o sangue fermente
Macerado na dor da ausência...

Há nesse grito a eterna sede das "mulheres de Atenas"
Vestidas de negro e de olhar profundo
De pranto escorrido
No riso em cascatas festivas como bacantes
Em febre...

E no pequeno nome das ervas
E no trevo dos caminhos
A inocência do canto de todas as partilhas…
E a felina gruta de resguardo das coisas simples...

E o bálsamo e a água
Com que o mistério do amor celebra
O corpo de proscritos…

E no bordão dos peregrinos
E no livro das Horas nacarado
E na espada
E no selo
E em todas as juras...

E nos maculados pés
E no resguardo dos portais...

E na fome dos dias por abrir
A fecunda dor de todas as colheitas
E o sândalo de todos os cansaços...

Publicada por heretico
http://relogiodependulo.blogspot.com/

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mudar o Mundo


O Salão Nobre dos Paços do Concelho foi, a 5 de Junho último, o palco escolhido para a apresentação pública do livro Mudar o Mundo, da autoria de José António Pereira Rodrigues, recordado ainda hoje por familiares e amigos como o Zé Tó, falecido prematuramente aos 14 anos de idade na sequência de um grave acidente rodoviário.

Mudar o Mundo apresenta dois contos escritos na aula de Português da professora Marina Valle, actual vereadora da Câmara Municipal de Lamego, na altura a leccionar na Escola EB 2/3 de Lamego, que abordam importantes valores que expressam o amor precoce do Zé Tó a tudo o que o rodeava: a literatura e o Ambiente.

A sua inspiração precoce deu origem aos textos Também eu posso mudar o Mundo e O valor das Árvores, premiados pela autarquia de Lamego e pelo Governo Civil de Viseu, instituições que apoiam agora a edição desta obra.

Durante a apresentação pública de Mudar o Mundo, os seus pais, o seu irmão Rui e antigos professores recordaram “o menino calmo, terno, gentil, cheio de esperança”, capaz de contagiar todos com a sua “honestidade, simplicidade, alegria, força e vontade”. Um “menino bom” que optou por fazer parte do movimento dos Escoteiros e impulsionar a criação do jornal escolar Sempre Jovem, no qual, com grande entusiasmo, preparava trabalhos e fazia entrevistas. Já na altura revelava uma utilização eficaz da palavra escrita.

Editado pela Tiquetaque Editora, a apresentação pública da obra Mudar o Mundo contou com a presença, entre outras personalidades, de Francisco Lopes, Presidente da Câmara de Lamego, e Miguel Ginestal, Governador Civil de Viseu.

III Antologia de Poetas Lusófonos


Cerca de duas centenas de pessoas, vindas de várias localidades de Norte a Sul do país e Espanha, assistiram ao lançamento da III Antologia de Poetas Lusófonos (09.10.2010), da responsabilidade da editora Folheto Edições, que teve lugar no excelente Auditório da Biblioteca Municipal de Pombal (Portugal).


Este livro, com a participação de 98 poetas oriundos de 11 países, foi apresentado por Adélio Amaro, coordenador editorial, e Arménio Vasconcelos, presidente da Academia de Letras e Artes Lusófonas. A mesa foi presidida por Narciso Mota, presidente da Câmara Municipal de Pombal e contou ainda com a moderação do jornalista Nuno Jesus.


Durante a sessão foram lidos alguns poemas pelas vozes de Soares Duarte, José Vaz, Prates Miguel, Péqui Fernandes, Alfredo Gregório e Libânia Madureira.


A iniciativa terminou com um Porto de Honra e uma curta actuação do Grupo de Tunos de Leiria.


As próximas apresentações da III Antologia de Poetas Lusófonos terão lugar no Porto, Lisboa, Alcanena e Silves.


Existem as possibilidades de apresentações noutros lugares, com destaque para os Açores, Suíça e França.


Publicada por Folheto Edições

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Museu de Almofala


Almofala (aldeamento,acampamento militar, árabe) é o lugar onde se situa este Museu que nasce como repositório de memórias e de afectos, defendendo o património fungível e infungível e para salvaguardar a identidade das gentes dasserras que lhe são próximas, como é o caso das de Sicó, Aguda, Lousã, Nexebra e terras circundantes do Pinhal Interior.



A CASA AGRÍCOLA REGO VASCONCELOS localiza-se no centro da aldeia de Almofala de Cima, freguesia de Aguda, Figueiró dos Vinhos e dista 10 km da sede do Concelho.
Durante séculos, os campos de Almofala foram ocupados com oliveiras, cereais, hortícolas e, principalmente, comvinhas, tendo os cursos de água assinalados por linhas sinuosas de salgueiros, choupos e freixos. Pode afirmar-se quea base da economia rural é ainda o vinho, o azeite, o milho, os produtos hortícolas e recentemente os eucaliptos. É frequente ver-se o homem, operário e lavrador, no fim do dia regressar ao seu campo, aí desenvolvendo trabalhosde lavoura.


A CASA AGRÍCOLA REGO VASCONCELOS existe desde os finais do século XIX, sendo inicialmente conhecida como dafamília Rego de Almofala de onde sobressaíram professores, agricultores, artistas, funcionários públicos e industriais. A família Rego sempre foi conceituada em toda a região e ainda hoje, passados muitos decénios, são recordados os professores Augusto e José, o industrial de cerâmica e notável agricultor José Rego que com esposa, Alice da Conceição Marques ofereceram trabalho a centenas de pessoas, o mestre carpinteiro Francisco Lopes e o Director de Estradas do Distrito de Leiria, Manuel Lopes do Rego, cujo valor foi reconhecido pelos últimos reis e pelos primeirospresidentes da república.

ABERTURA, SÁBADO, 23 DE OUTUBRO DE 2010, 15 HORAS.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Sentimentos de Cristal

...
Sentimento que dia a dia aumenta,
No coração sedento de Paz
Que do Amor puro se sustenta.
No fogo que Ele arder faz,
Que sem amor não se contenta
E com Amor se satisfaz...
...
Olho o Céu, que por vezes escurece,
Aos poucos, com esforço, a força cresce,
Em sabedoria, mas com prudência.
Perfumas-me com Tua Divina Essência
Deixando transparecer o invisível,
Transpondo o espaço Sideral,
Fazendo da utopia O possível,
Um sentimento bem real...
...
Libânia Madureira

quarta-feira, 31 de março de 2010

O pão dos outros

Remi está a conversar com a avó. Gosta de a ouvir falar dos seus tempos de menina.
– Na minha aldeia, na Provença, pelo Ano Novo, no primeiro dia de Janeiro, toda a gente oferecia uma prenda a toda a gente. Vê lá se és capaz de adivinhar o que seria.
Remi lança palpites:
– Comprar prendas para a aldeia inteira… É preciso muito dinheiro. Quer dizer que as pessoas eram ricas?
A avó riu-se:
– Oh, não! Naquele tempo, tinha-se muito pouco dinheiro e ninguém na aldeia comprava prendas. Nem sequer havia lojas como há hoje.
– Então faziam as prendas?
– Não propriamente!
– Então como é que faziam?
– Era muito simples. Ora ouve…
Antigamente, cada família fazia o seu pão. Não havia água corrente nas casas. Então íamos buscá-la à fonte, no largo da aldeia. E, no dia um de Janeiro, de manhã muito cedo, a primeira pessoa que saía de casa, colocava um pão fresco no bordo da fonte, enquanto enchia a bilha de água. Quem chegava a seguir pegava no pão e punha outro no mesmo lugar para a pessoa seguinte, e assim por diante… Desta forma, em todas as casas, se comia um pão fresco oferecido por outra pessoa. Nem sempre se sabia por quem, mas garanto-te que o pão nos parecia muito bom porque era como se fosse um presente de amizade. As pessoas que estavam zangadas pensavam que talvez estivessem a comer o pão do seu inimigo e isso era uma espécie de reconciliação…
Durante alguns dias, esta história andou a martelar na cabeça de Remi.
Uma manhã, teve uma ideia. Meteu no bolso uma fatia de pão de lavrador. É o pão que se come na casa de Remi. E na escola, um pouco antes do recreio, Remi pousou o pão bem à vista, em cima da carteira de Filipe, o seu vizinho.
Filipe está sempre com fome e repete sem cessar a Remi:
– Oh! Que fome, que fome eu tenho! Bem comia agora qualquer coisa!
Quando Filipe viu a fatia de pão, que rica surpresa! Sabia muito bem quem lha tinha dado, mas fingiu que não sabia.
No recreio, todo contente, comeu o pão sem dizer nada a Remi, mas… No dia seguinte, sabem o que é que Remi encontrou em cima da carteira, mesmo antes do recreio? … Um pedaço de cacete! Um grande pedaço bem estaladiço! Um verdadeiro regalo!
Filipe ria-se.
E assim continuaram a dar um ao outro presentes de pão.
Na aula, a Carlota e a Sílvia estão sentadas logo atrás de Filipe e de Remi. Rapidamente souberam da história do pão e quiseram também participar nas surpresas. No dia seguinte, Sílvia levou uma fatia de cacetinho e Carlota uma fatia de pão centeio.
Outras crianças quiseram participar nas prendas de pão. Apareceu pão grosseiro, pão de noz, pão de sêmea, pão sem côdea, pão caseiro, pão fino, pão russo, negro e um pouco ácido, que Vladimir levou, pedaços de pão árabe, que a mãe de Ahmed cozera no forno, e ainda muitos outros tipos de pão. Desta forma, quase toda a turma se pôs a trocar pedaços de pão durante o recreio.
A professora apercebeu-se das trocas e perguntou:
– Mas o que é que vocês estão aí a fazer?
Carlota e Remi contaram-lhe toda a história do pão dos outros.
E logo após o recreio, o que é que estava em cima da secretária da professora? …um pedaço de pão!
Toda a classe tinha os olhos postos na professora. Ela sorriu e comeu o pão.
E, no domingo seguinte, quando Remi viu a avó, era ele que tinha uma história para lhe contar:
– Sabes, avó? Olha, na minha turma…
Michèle Lochak
Le pain des autres
Paris, Flammarion, 1980

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Serão da Bonjóia - "Ecos Vítreos - Poesia e Música" PORTO

SERÕES DA BONJÓIA - Tertúlias à moda do Porto - Ciclo das Artes Dia 4 de Fevereiro de 2010 - 21h15
Quinta de Bonjóia - Campanhã - PORTO
Entrada livre

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Pequeno conto de Natal...



Gosto de gente! Por vezes próxima, respirando ao mesmo ritmo!.. Outras (quase sempre) apenas momentos, riscos de acaso, meteoritos intensos na solidão da cidade. Uma viagem de autocarro (ou de metro) é sempre uma revelação inesperada. Pequenos nadas que nos perseguem (momentos, horas, dias?) e que exigem que os soltemos, de tão intensos...

Gosto de gente anónima. De seus rostos. Da linguagem subtil dos seus gestos. Do seu porte. Do pulsar do meu Povo!...

Por vezes, a cor desânimo, toma o sangue. O cepticismo cria raízes e uma ironia triste ocupa o espaço da esperança. Porém, do meio da multidão, surge tantas vezes, sem nos darmos conta, uma imagem, o resto de uma carícia, uma ternura, uma beleza inesperada que humaniza e reconforta. Que nem sempre estamos disponíveis para ver e que, outras vezes, guardamos como refrigério de alma...

Falo-vos da minha última viagem de autocarro entre o Rossio e o Cais de Sodré! Na curta distância, cenas dignas de um pintor impressionista - o melhor e o pior de um Povo concentrado no escasso espaço de um autocarro, à hora de ponta. Nada que seja diferente de outras viagens! Até que......

Uma jovem mãe, de rosto trigueiro e olhar apaziguado, entrou, aconchegando no colo uma criança de escassos meses. Sozinha, face as intempéries e os balanços da vida, ali bem simbolizados nos apertos e balanços do autocarro. Um jovem, de brinco na orelha e crista de galo loira, cede-lhe o lugar (no meu íntimo, um sorriso freak!)

Acomodou-se a "minha" jovem Madalena (era, de certo, este o seu nome!) com o bebé nos braços, sereno que nem um anjo. E alheia a tudo que não fosse a sua novel maternidade, a jovem soltou o seio da blusa (mármore puro) e a boca da criança, em esplendor, buscou afoita o mamilo, assim exposto em dávida!

Vi então olhares brilhantes nos rostos cansados dos transeuntes. Vi ternuras caladas e inesperados silêncios. Vi orações pagãs em cada sorriso!..

E, a minha alma cansada e ateia, entoou então um cântico de vida - "Glória in excelsis Deo!..."

Publicada por Heretico

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O sol da savana


O sol intenso a bater na savana, o replicar constante da cigarra, o cheiro acre a terra húmida e aquela curva no fundo da picada que a vista esperta mal alcança, tem sombra de cajueiro, tem fruto de djambalau, tem gente muito chonguila, tem bicho maningue mau. Tem vida que vai e que vem. Tem vida que vai e não volta.

Ali, onde o homem e a natureza se fundem e se confundem. Onde trocam olhares cúmplices. Onde se enamoram e sorriem ao tempo que passa, que passa devagar, devagarzinho, num olhar que chiqui-chiqui noutro olhar. Ali, onde o bafo quente em forma de vento manso, afaga um encantamento doce que ondula ao som longínquo do batuque e da timbila seu sentimento primoroso que outro sentimento lhe há-de acorrentar.

Ali, onde o chamamento rijo brota musculoso das profundezas da terra no agitar maluco duma marrabenta que ecoa desvairada na tarde finda que a noite estrelada vai chamando. Ali, onde a sura, seiva da palma, faz feitiço possante nas cabeças, sente-se vibrar o trepidar forte dos corpos felinos que desafiam o danado do xicuembo e lhe fazem figas de eternos desafios.

Ali, onde o bicho fome bota fora, no caminho da estrada, sua força de grandeza grande, noutro bicho que outro bicho, outro dia, lhe vai comer.

Ali, onde a gente não tem mais nada que sua presença na planície larga, onde a vida não sabe que um dia vai, o sorriso vem num raio de sol… e passa de mão em mão… fazendo quantidade imensa a alegria que recebeu, em dia de saguate, da mão de seu irmão.


José António Santos


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Livros com Ideias Dentro


Livros com Ideias Dentro
Autor: António Rego Chaves
Editora: Campo das Letras
Ano: 2008
Género: Literarura


O autor:
António Rego Chaves nasceu em 1939, tendo-se licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi jornalista profissional e repórter internacional de 1968 a 2003 no Diário Popular e no Diário de Notícias, jornal onde também desempenhou funções de editorialista e colunista. Colaborou, antes do 25 de Abril, na revista Seara Nova e no semanário O Comércio do Funchal, sobretudo na área da política internacional. No suplemento DNA, do Diário de Notícias, e na página “Livros” do mesmo matutino, assinou numerosos ensaios e recensões críticas de âmbito filosófico, bem como os textos “Vinte e Quatro Diálogos Bíblicos" e “Encontros em Florença”. Juntamente com Ana Marques Gastão e Armando Silva Carvalho é autor de “Três Vezes Deus”.
A obra:
O livro pretende chamar a atenção para obras que, embora muito importantes, correm o risco de ser preteridas em favor de múltiplas temáticas fúteis que cada vez mais parecem ir ao encontro da procura de grande parte de leitores. Nestas recensões críticas, escolhidas entre cerca de duas centenas publicadas no Jornal de Negócios, aborda-se o pensamento de dezenas de intelectuais, portugueses e estrangeiros, cujo pensamento não deveria ser ignorado pelo nosso tempo – de Amos Oz, António Sérgio, Arendt, Beauvoir ou Camus a Manuel Laranjeira, Simone Weil, Unamuno, Voltaire ou Wittgenstein.

«Durante muitos anos, décadas, os jornais constituíram-se, entre outras coisas, em difusores de informações sobre os livros que iam sendo publicados (e sobre os filmes e peças de teatro que estreavam…). Faziam-no com cariz mais ou menos profundo, variando do simples registo de saída à avaliação do seu significado, estilo, interesse... Neste caso, pela mão de gente que, de uma forma ou outra, estava abalizada para o efeito. Havia os suplementos, mas também a divulgação esparsa, em muitos deles…Os jornais têm mudado, os leitores também, às vezes por causa de uns e dos outros, quando não mais destes do que daqueles. Ou seja, não consta que alguma vez os leitores tenham manifestado rejeição pela informação literária, entendendo-a não só como referente a livros, mas também a autores, a editoras, ou ao que a tal se referisse.Não consta esse desinteresse, mas a pouco e pouco os periódicos foram deixando cair o que a esta matéria se referia, a menos que alguma janela de interesse comercial aparecesse. E chegou-se ao que há hoje: nem suplementos com vocação para as artes e letras, nem informação avulsa ou organizada sobre esse mundo. Há excepções, mas mesmo entre os jornais ditos de referência a sobrevivência parece custosa.Vem isto a propósito de António Rego Chaves, um jornalista que atravessou uma boa parte da segunda metade do século XX, homem formado na Filosofia, mas que pela mão do jornalismo viu o (nosso) mundo, e o registou sob a forma de reportagem. Mas também das tais notas de leitura, ou de textos de opinião, e o mais que levou o jornalismo à categoria de fonte de poder – mais do que exercício do poder.Ao longo da vida, este jornalismo repartiu-se nesses dois registos, e outros. No caso, tendo passado por jornais generalistas, como o Diário Popular e o Diário de Notícias, acabou por seleccionar de larga colaboração no Jornal de Negócios um conjunto de 44 referências a obras – que na verdade eram justificação para abordar o pensamento dos seus autores. E porque estes eram nomes importantes, tanto da literatura pura como de sectores e actividades a que se dedicaram, o leitor era realmente encaminhado para o ângulo de leitura pretendido.É o caso, por exemplo, de uma biografia de Maquiavel, com a defesa de que não se deve tomar na sua obra o que é descritivo por normativo, ou seja, é de lê-lo como «um arguto repórter e um lúcido historiador de comportamentos dos políticos».Ou seja, este jornalista da política da sua época mais não queria do que «aprender a jogar com inteligência e eficácia o jogo que seriam forçados a jogar no interior do temível ninho de víboras habitado pela ‘classe política’». Assim sendo, Maquiavel acabaria por ter o destino dos mensageiros das más notícias: o que levou à conotação dicionarística do maquiavelismo com amoralismo.Juntas, em livro, estas críticas de livros têm mais do que um mérito. Mas, desde logo, ressalta o de dar unidade à leitura de um conjunto de edições não muito antigas, e que em alguns dos casos, pelo menos, com o sopro do calendário se apagam nas memórias – e nas páginas dos jornais que inicialmente as acolheram.»

«“Livros com Ideias Dentro” de António Rego Chaves é um percurso que nos revela um conjunto diversificado, mas de grande interesse, de obras e de autores. Com grande cuidado na escolha dos livros e no tratamento das ideias que estes contêm, o autor organizou uma obra de qualidade, que nos permite ver pelos olhos de quem nos conduz um verdadeiro caleidoscópio que nos faz compreender melhor o mundo em que vivemos. Trata-se de textos jornalísticos de uma grande sensibilidade e exigência, que correspondem a uma concepção de elevado sentido cívico e ético sobre o serviço público cultural do jornalista, o que é de realçar.

COMO NUM PEQUENO DICIONÁRIO, o jornalista (que é sobretudo ensaísta) apresenta-nos os diversos livros analisados por ordem alfabética de autores, o que nos permite construirmos o nosso próprio percurso de leitura ou seguir, de modo aleatório, sem continuidade cronológica, as obras que nos são propostas. Ambos os caminhos reservam-nos um contacto muito estimulante com as reflexões feitas. De facto, estamos perante obra de ideias, que estimula o sentido crítico, o que é uma virtude que tem de ser elogiada. Logo de início, lemos sobre o Abbé Pierre: “Não foi o único, mas poderá ter sido, no século XX, um dos raros ‘santos’ cristãos”. A afirmação dá o tom do livro. António Rego Chaves nunca deixa o leitor em descanso ou em atitude conformista. Gosta de desinquietar, mobilizando os leitores para a sua atitude de agitar águas e de lançar desafios inteligentes. E nesse primeiro texto, ressalta a afirmação do próprio Abade: “A luta pelo meu pão pode ser materialismo; mas a luta pelo pão dos outros já é espiritualismo”. De facto, num tempo em que o dinheiro faz correr todo o mundo, o sacerdote francês foi sempre motivado por esse estranho mas apaixonante desafio que é o Amor. E a análise do livro “Porquê, meu Deus?”, de um “santo” que era cristão, é centrada, no essencial, nessa procura e nesse constante pôr em causa das considerações redutoras que, às vezes, em nome da pureza dos princípios, escondem a desconfiança e a idolatria. Aliás, logo a seguir fala de Amos Oz e de “Contra o Fanatismo”. E Rego Chaves põe especial ênfase na resposta à pergunta: qual a essência do fanatismo? Trata-se do “desejo de obrigar os outros a mudar” – diz Amos Oz. (…) “O fanático é um grande altruísta. Está mais interessado nos outros do que em si próprio”. (…) O fanático morre de amores pelo outro. Das duas uma: ou nos deita os braços ao pescoço porque nos ama de verdade, ou se atira à nossa garganta no caso de sermos irrecuperáveis”… E depois António Sérgio vem-nos alertar (sobre a inexistência de uma Civilização Cristã) para que “não seria possível servir a dois senhores, Deus e o dinheiro. Uma forma de civilização caracterizada pela competição e pela guerra entre os homens para chamarem a si o dinheiro não seria digna de ser classificada como cristã”. De facto, ao apresentar-nos um conjunto de comentários a livros, publicados no “Jornal de Negócios”, Rego Chaves vai pondo pedras no caminho que assinalam estimulantes sentidos de responsabilidade crítica.

TEMAS SUCEDEM-SE. Hannah Arendt, Beauvoir, Camus, Celan, Heidegger, Jünger, Küng, Hobsbawm, Malraux, Marx, Sartre, Simone Weil e Wittgenstein… Eis um percurso não exautivo. O totalitarismo de Arendt fica subalternizado perante a deslumbrante magia de “A Vida do Espírito”. Sobre Simone de Beauvoir e Sartre fala-se das polémicas do tempo e de estranhas reacções a “Le Deuxième Sexe” e ao seu sentido emancipador, que levariam Jean-Marie Domenach a dizer “é necessário não impor ao cristianismo os óculos da moral burguesa”. E Jean Paul Sartre aparece-nos a afirmar não só que foi “conduzido à descrença, não pelo conflito dos dogmas, mas pela indiferença dos meus avós”, mas também que “a esperança é a relação do homem com o seu fim, relação que existe mesmo se o fim não é atingido”. Camus é visto pelos olhos de uma decepção, a propósito de um número do “Magazine Littéraire”, onde algumas simplificações não retratam por inteiro o cidadão – correndo-se o risco de cair no anacronismo histórico. O diálogo Celan-Heidegger, de um poeta e de um filósofo, revela-nos o claro e o escuro de uma relação equívoca, em que o poeta romeno alimenta sentimentos contraditórios a propósito do pensador, que transportou sempre consigo a terrível contradição de ter contribuído para a “malignidade do mal” nazi e de ser um dos filósofos mais estimulantes do seu século. E uma última carta, que teria ficado por enviar, dá bem conta desse paradoxo de admiração e repulsa: “pelo vosso comportamento enfraqueceis de maneira decisiva o poético e ouso suspeitá-lo o filosófico na vontade séria de responsabilidade que pertence a ambos”… Ernst Jünger é um curioso paradigma do século XX. Indiscutivelmente um grande escritor, faz-se no cadinho de um século de belicismo e de violência. A sua originalidade está na tentativa de “elevar a literatura à categoria de experiência de vida”. Diz-nos, assim, que “como instinto sexual, a guerra não é instituída pelo homem, é lei da natureza, e por isso nunca poderemos fugir do seu império”. E Rego Chaves comenta: “dir-se-ia que o fantasma de Nietzsche, enfim reconciliado com o de Wagner, tomara Bayreuth de assalto para a transformar em capital da ópera bufa”. Por outro lado, a coerência de Hans Küng é recordada na sentença: “quando a Igreja não realiza a causa de Jesus Cristo ou a distorce, peca contra o seu próprio ser e perde esse ser”. Eric Hobsbawm, historiador marxista, cujos brilhantismo e força intuitiva servem para ultrapassar quaisquer barreiras ideológicas para os seus leitores, surge na força da sua persistência: “Não devemos depor as armas, por mais ingratos que os tempos de mostrem. É necessário continuar a denunciar e a combater a injustiça social. Se nos limitarmos a deixá-lo entregue a si próprio, o mundo não se tornará automaticamente melhor”. A propósito de André Malraux, o autor fala-nos de uma leviana idiotice, de uma profecia desmentida pelo próprio: “o século XX será religioso ou não será”. Nunca o disse, e a citação só poderia fazê-la quem ignorasse o homem desolado do fim da vida, para quem, apesar de perseguido pelos espectros de Pascal, de Kierkegaard e de Dostoievsi, “o incognoscível absoluto não é um domínio de dúvida; é tão imperioso como as fés sucessivas da humanidade”. Sobre Karl Marx, António Rego Chaves fala do desconhecido – que “não era determinista, nem inimigo das liberdades individuais, nem da propriedade privada, nem da fé e da religião”. Estamos perante outro lado do problema quando se trata de analisar (à luz quiçá cartesiana) o autor dos “Manuscritos de 1844” e do “Manifesto do Partido Comunista”, e é sempre fundamental desmontar as ideias falsamente feitas e condicionadas pelas próprias vicissitudes da história. Com “A Gravidade e a Graça” de Simone Weil, o autor cita: “o mundo tem necessidade de santos que tenham génio, tal como uma cidade com peste tem necessidade de médicos”. E ARC comenta: “o mesmo é dizer que a força da gravidade (natureza) precisa de ser atraída, elevada e transfigurada pela luz da graça, do sobrenatural, da caridade”…


SILÊNCIOS E O GRITO – “Os Cadernos” de Wittgenstein, dos anos de 1914 a 1916 constituem motivo para uma reflexão especial, na linha do que Rego Chaves já tem trabalhado. O percurso do pensador austríaco não é isento de dúvidas, hesitações, perplexidades e aproveitamentos. E, como afirmou, Eckard Nordhofen: “A velha disputa sobre o famoso silêncio que aparece no final do Tractatus é um silêncio sobre algo ou é um silêncio sobre nada, ficou sem dúvida resolvida. É um silêncio sobre algo, sobre o mais importante, sobre aquilo que não se deixa dizer. É teologia negativa no seu grau mais puro”. Ou não fosse a obra um constante apelo a ler mais, para tentar compreender melhor!
(Guilherme d'Oliveira Martins)

O Pensador, de Rodin.
A actualidade do implacável Maquiavel Saindo em louvor do politicólogo Maquiavel e do seu implacável “O Príncipe”, no texto titulado, precisamente, “Em louvor de O Príncipe”, António Rego Chaves relembra o que disse Francis Bacon daquela obra: “Estamos muito reconhecidos a Maquiavel e a outros como ele, que escreveram aquilo que os homens fazem, e não aquilo que devem fazer.”Salientando que o autor quinhentista continua a ser incompreendido pela generalidade dos seus leitores, A. Rego Chaves remete, ilustrando, para o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa que define “levianamente o “maquievalismo” como sistema político, baseado nas ideias do escritor e político florentino Maquiavel e caracterizado pelo princípio amoral de que os fins justificam todos os meios e que a arte de governar deve estar acima de todas as preocupações de carácter ético, religioso…”. O italiano, defende-se, “queria desvendar aos seus contemporâneos os segredos do realismo político, a invenção, a táctica e a estratégia, a ‘ciência’ do Poder”, limitando-se a proclamar “não apenas que o rei ia nu, mas que os príncipes antigos e os da sua época sempre tinham andado em pelota, ainda que nenhum deles tivesse admitido tal prática.”

A enformar a argumentação, o texto chama Jean Giono, que se pronunciou sobre as “Concepções psicológicas, sociais e políticas” de Maquiavel: o seu grande conhecimento da alma humana fá-lo crer que “para ele, um homem de confiança é um homem que se pode comprar”, sabendo que “não se pode confiar totalmente senão nas fraquezas e, em particular, no interesse pessoal”.

E António Rego Chaves acrescenta: «Pessimista, Maquiavel? Tememos bem que não. Considerava que “é necessário ser um príncipe para compreender totalmente a natureza do povo e ser um vulgar cidadão para compreender totalmente a natureza dos príncipes.” Talvez tenha encarado o cruel César Bórgia, filho do não menos cruel Papa Alexandre VI e aventureiro sem escrúpulos, como o “governante perfeito”, pois aprendera à sua custa que “aquele que negligencia aquilo que é feito em benefício daquilo que devia ser feito efectiva mais rapidamente a sua ruína do que a sua preservação”. Também sabia, por saber de experiência feito, que os homens “são ingratos”, inconstantes, mentirosos e velhacos, fogem do perigo e são gananciosos” e não vislumbrava qualquer espécie de “salvação” para aquilo que considerava ser a natureza humana, estando convicto de que ninguém poderia ser ao mesmo tempo um bom cristão e um governante forte, condição esta indispensável ao eficaz exercício do poder.”

Segundo A. Rego Chaves, o «arguto repórter» e “lúcido historiador de comportamentos dos políticos” que foi Maquiavel, permitiu-lhe constatar que o objectivo da acção dos políticos “não seria, segundo lhe foi dado a observar, pôr em prática grandes ideais capazes de conduzir a Humanidade à formação e consolidação de sociedades mais perfeitas, mas apenas jogar o jogo do Poder – para o ganhar, seja a que preço for, retirando qualquer carga moral aos meios utilizados para alcançar os seus fins egoístas. Para os governantes – mas não para o repórter e historiador Maquiavel – tais mesquinhos fins, justificariam, de facto, todos os meios.”Pertinentemente pois temos de aquiescer, António Rego Chaves refere que “a denúncia do florentino em nada contribuiu para alterar a prática dos líderes políticos que nos últimos cinco séculos se têm assenhoreado dos destinos dos povos.”».
(Teresa Sá Couto)