segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Pelo sonho é que vamos (Sebastião da Gama)

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama

Natal dos simples (Zeca Afonso)

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

Zeca Afonso

in http://joaopaulopedrosa.blogspot.com/

Feliz Ano Novo

O Colégio da Imaculada Conceição deseja um Feliz Ano Novo a toda a sua comunidade educativa.

Douro Hoje



in http://www.dourohoje.com/

Novo dicionário do Pai Natal

dicionário. 1. Compilação, feita por ordem alfabética, de todas as palavras de uma língua, com a respectiva definição ou a sua equivalência noutra ou noutras línguas. ...
Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, tomo VI,Círculo de Leitores, 1984
dicionário do b. Lat. dictionariu < Lat. dictione, locuçãos. m., conjunto dos vocábulos de uma língua ou dos termos próprios de uma ciência ou arte, dispostos por ordem alfabética e com a respectiva significação ou a sua versão noutra língua.
Saber utilizar um dicionário é fundamental. Desde os clássicos em papel, mais ou menos volumosos, aos mais recentes on-line, os dicionários evoluíram e adaptaram-se aos tempos modernos.
Também o velhinho Pai Natal teve de se render e recorrer aos novos recursos tecnológicos que tanto facilitam as tarefas do dia-a-dia. Luísa Ducla Soares revela-nos alguns segredos do mais famoso velhinho de barbas organizados por ordem alfabética à maneira de um dicionário. Este livro tão divertido, mas que também faz pensar, serviu de ponto de partida para conhecer e/ou explorar os indispensáveis dicionários.

Sobretudo as aves são a paisagem de um texto calado.

o mundo cá dentro e o silêncio lá fora
horas que tardam na sangria do tempo que mordo em SILÊNCIO

in http://horatardia.blogspot.com/

É tempo de Natal...

Dizem os poetas
Que o Natal não é só em Dezembro
Que o Natal é em qualquer tempo
Sempre que o homem quiser
Então eu quero
Que o Natal seja hoje já
Sem perda de um momento
Que o Natal seja todos os dias
Que não haja mãos vazias
Nem coração em tormento
Que o amor, a paz e a harmonia
Imperem no nosso tempo

Feliz Natal
Madrugália

in http://madrugalia.blogspot.com/

Fim de Ano

Noite fria
noite quente
invernia
calor de gente
que sente
no coração
o passado
de omissão
o passado
de realização
mas que continua
a alimentar
no presente
o sonho
a fantasia da lua
e do seu brilhar
risonho
querer de gente
força imanente
construtora do futuro
sempre duro
que se quer alcançar
apesar da tormenta
de cor pardacenta
no rio da vida
gente atrevida
que ousa apostar
na poesia
na magia
força da vida
vida a renovar.
JRocha

ANO NOVO ?

Vem aí um ano novo.
Carregado de problemas velhos.
Vermelhos, alguns. Da cor do sangue.

in http://aluaflutua.blogspot.com/

(o céu é um palácio que olha para baixo)_______Herberto Helder

...e só por uma alucinação injusta do sangue .por um pedaço de terra antiga.
pelo medo ou pelo vício a selva e a morte que revela toda a des.razão.
pelo vocabulário gasto do fogo e das vontades que não são.
pela massa errática de um silvo malévolo que nos designa indiferentes.
como silêncio suicidário nos deixamos à beira da indiferença.
pelas faixas de gaza do nosso esquecimento.

. e com as mãos. ferventes. com os dedos. balas de baba sangrenta. com as ervas ásperas e
secas.
escreve-se os dias na desordem espectral do discurso político que perde voz e espaço
aberto. praça de corações em saldo. altar de poderes banais. escreve-se a sangue a rima
cava do personagem atípico.
_____________________e lá vamos des.cantando e des.rindo sobre um chão de falsas aparições.
escrever a mão bastarda que nos afaga de promessas baldias.
ser um dia a glória.
ser outro dia o interior esmagado.
como se tudo fosse margem ou triunfo dos símbolos. apenas.
.
astutos os palpitantes gestos. os factos. a expansiva traição.
escrever a ameaça. de um voo fulgurante. levantados os lençois da morte branda celebra-se
a ironia da inépcia.
. e pouco nos salva. nem a escrita.
________________________
E JÁ NÃO TENHO PACIÊNCIA PARA TANTO CINISMO! PERDI A PÉROLA QUE ME ERA A ESSÊNCIA
DAS PRECES!

solto-me por um pedaço de fulgor que seja.

in http://mendesferreira.blogspot.com/

... como se a vida não fosse uma plataforma de pessoas felizes com lágrimas dentro.

ouço teclas a tocar notas de vento. teclas soltas que
gemem ausências. o meu olhar ínvio sobre a copa das
árvores mais altas simula distracções diagonais.
como se ser pássaro não bastasse para aprender o
caminho do céu. como se as asas fossem pesadas e
claudicassem por cima das nuvens. como se as nuvens
não fossem da mesma água que humedece os olhos.
como se os dedos não soubessem tactear a noite de
olhos fechados. como se o pensamento não fosse uma
carícia crescente na memória de um desejo distante.
como se a lucidez não fosse o caos de uma emoção que
se segura a tempo de não explodir. como se a vida não
fosse uma plataforma de pessoas felizes com lágrimas
dentro.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Dia... de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

DIA DE NATAL
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
[...]
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
[...]
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado. [...]
António Gedeão, poeta, cientista, professor [1906-1997]

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

...as livrarias, ao contrário dos homens morrem mas podem ressuscitar...

«as livrarias, ao contrário dos homens morrem mas podem ressuscitar»

Livraria Fernando Machado - Clérigos - Porto

sábado, 13 de dezembro de 2008

Durmo ou não? ...

Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?

Fernando Pessoa

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Livros em viagem...


A Escrava de Córdova
Alberto S. Santos
A estranha descoberta de uma lucerna árabe em Penafiel levou o Presidente da Câmara Local, Alberto Santos, a tentar responder, pela via do romance, à pergunta que os arqueólogos colocam há décadas: até onde chegou a civilização do Al Andaluz?
Alberto Santos, Presidente da Câmara de Penafiel, lançou no Palácio da Bolsa do Porto o livro "A Escrava de Córdoba", a sua primeira incursão no universo do romance, no qual explora a presença árabe na Península Ibérica de cerca de 500 anos. "Há dois anos li um opúsculo sobre o aparecimento de uma lucerna árabe, utilizada para iluminação, na zona onde Penafiel se insere. Os historiadores, nomeadamente Mário Jorge Barroca, não conseguiram explicar essa estranha descoberta. Senti então o impulso de investigar esse período e criar uma história que a 'explicasse'", disse o autarca à Lusa. Com o passar do tempo, conforme as personagens foram ganhando vida, a lucerna foi acabando por ser remetida para um lugar secundário e dar espaço aos nomes que verdadeiramente contam a história escrita por Alberto Santos: O caudilho Almançor, figura mítica da conquista muçulmana, São Rosendo, que tanto trabalhou para o renascimento do cristianismo ameaçado e os condes portucalenses, herdeiros de Mumadona e antepassados de D. Teresa, com quem o borgonhês D. Henrique casou para gerar o primeiro rei de Portugal. "Paralelamente a personagens reais da época, como estas, o livro, que decorre em toda a Península Ibérica e no Magrebe, conta a história de outras inventadas por mim mas procurando descrever o que era a mentalidade naqueles tempos conturbados da passagem do primeiro para o segundo milénio, entre 976 e 1002", disse Alberto Santos.. "As três principais comunidades religiosas conviviam tranquilamente, apesar de alguma maior tensão em alguns califados do que noutros", descreveu Alberto Santos. O autarca-escritor repesca no livro todo este universo cultural, religioso e social que, na sua opinião, "explica algo que muitos não perceberam quando a questão de repente surgiu: porque é que a Al Qaeda afirmou que viria à Península Ibérica reivindicar o regresso do Al Andaluz". "Muita gente se questionou: Como é que num país tão pacífico como Portugal, com fronteiras estáveis há oito séculos, ouve-se de repente falar duns fulanos no Afeganistão que querem meter-se connosco. O livro explica como é que isto está a acontecer. A Al Qaeda quer recuperar aquele que já foi o zénite da civilização muçulmana", afirmou Alberto Santos. Questionado sobre o que leva um presidente de câmara a escrever literatura à margem dos despachos e dos projectos urbanísticos, Alberto Santos recordou que "todos têm uma ambição, uma emergência de fazer algo diferente do seu dia-a-dia. Uns dedicam-se ao desporto, outros às viagens, eu decidi escrever". Nos primeiros tempos de escrita, Alberto Santos sentiu que punha em cada linha "os defeitos de anos de advocacia" e do seu estilo específico, "onde se tenta ir directo ao assunto sem grandes subtilezas".
Com o passar do tempo, e com as opiniões de alguns amigos a quem mostrava excertos do que ia escrevendo, o autarca foi apurando o estilo, "sempre com a preocupação de que o que ia escrevendo estivesse validado historicamente". "A Escrava de Córdoba" é o primeiro livro de Alberto Santos mas certamente não será o último do autarca de Penafiel, que prepara já os primeiros trabalhos de investigação para um segundo romance que terá como cenário de fundo a presença portuguesa no Norte de África no século XVI. A obra foi apresentada pelo autor do prefácio, o jornalista José Rodrigues dos Santos, e por António Lobo Xavier.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Silencioso diálogo...


É tempo de espera
ou
apenas
estranho tempo em mim se esgota,
o linho, os frutos, a memória.
Encontro pinturas animistas
a povoar o cântico das palavras.
Os meus passos peregrinos caminham
com amor
até à eternidade.

in Cerne e o Verso, Cristina Correia.

Abraço de Paz para todos Vós.

Livros com Ideias dentro...


"A luta pelo meu pão pode ser materialismo; mas a luta pelo pão dos outros já é espiritualismo"

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

"A minha visão daquele Natal" de Arménio Vasconcelos

Fundador e Director da Casa-Museu Maria da Fontinha – Castro Daire - Viseu

A minha visão daquele Natal

A chuva caía incessante.
Na quietude da casa casada com a Natureza, olhava pela vidraça a paisagem verde baça do arvoredo e o plúmbeo ar que escondia os céus, ouvindo os balanços sem retorno das águas que vinham dos montes e se agigantavam com as que caíam em bátegas estrondosas e traziam consigo os enormes grãos de saraiva.
Era Inverno em Portugal, nas margens do Lis que deixara de sorrir e, submisso, se deixara vencer pelas forças dos elementos.
Não se vislumbrava qualquer flor em toda a tela que só findava no horizonte e as montanhas encontravam-se cinzentas e encobertas pelas névoas que Éolo impelia na direcção do Oriente.
Dia triste, mas com vida, aquele dia…
Os meus olhos enfrentavam sobre a lareira onde as achas ardiam e no seu crepitar soltavam reluzentes chispas, mostrando-me as cores da alma e do Hades, um presépio: simples, calmo, luminoso, da cor da palha seca que amparava aquela Luz que se reflectia no alto sob a forma de estrela.
Tudo se conjugava, neste cenário, como um só elemento, um só corpo, sereno e perfeito, na paz e no calor soprado pelos animais que junto d’Ele ruminavam, dispensando agasalho a cobrir aquele corpo que sorria: o do Menino-Deus que tanto iria padecer.
E em ambas as direcções, antagónicas, de diferentes luz e paz, continuava eu, absorto, a dirigir o olhar para tudo compreender.
Então, conversei com Ele e roguei-Lhe que mantendo-se a unidade e a sublimidade do presépio, a Natureza se acalmasse, o regato voltasse a ser cristalino e os montes mostrassem de novo a sua identidade.
Sorrindo-me sempre, o Menino levantou ligeiramente a palma da sua mão que reflectia a luz da estrela situada no cimo do Seu presépio.
Nada senti por momentos, nem onde estava nem o que via, até que debaixo das pétalas que voavam sobre todo aquele cenário, os meus olhos passaram a ver e a sentir a Natureza acalmada, a luz do Sol a cobrir os vales e as serras e, junto ao regato agora prateado e vestido de águas límpidas e de pedras lavadas, uma singela flor branca de corola ridente apontando na direcção da Luz e lançando-Lhe a sua fragrância inebriante e doce, mágica e sublime.

É preciso conversarmos com o Menino-Deus. Crermos. Deixarmo-nos entrar no mundo encantado do irreal e na Sua companhia nos encontrarmos com a realidade que afinal é sempre calma, luminosa e musical.

Tudo isto me aconteceu naquele Natal.





É este o meu presépio

Natureza inclemente
Cinzenta e estrondosa
Naquele momento
A Poente do lugar
Donde emanava a Luz formosa

Diferentes cenários e sentidos
Nas linhas do meu olhar
São vales, montes, prados, rios e mar
E aqui os animais, deitados, reunidos.

Aquecendo as palhas e o corpo débil
Daquele Menino-Deus que sorria feliz
Nos braços amorosos de Sua Mãe

Num amor Divino, rico e fértil
No instante em que raiava a luz
D’Aquele que tanto padeceria na Cruz.


É esta a minha mensagem, simples mas sentida, para todos aqueles de quem gosto.

NATAL de 2008
O Arménio Vasconcelos

sábado, 29 de novembro de 2008

XIII Congresso Distrital do PS - Federação Distrital de Leiria -


João Paulo Pedrosa reeleito presidente da Federação do PS

Com 90% dos votos, João Paulo Pedrosa, foi reeleito presidente da Federação Distrital de Leiria do Partido Socialista para o mandato de 2008-2010.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A Violência Doméstica em debate


natureza


para a amiga Regina,

natureza única
É do despontar da noite
ao alvorecer dos rios
que adormecem as aves
e sonham os olhos,
serenos,
por entre os flancos
pálidos dos vales...
natureza mãe.
abraço sempre, CC

cerne e o verso

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Dalì Lettres à Picasso

Port Lligat e a casa de Dalì sobre a esquerda, não como se encontra hoje mas já com algumas barracas de pescadores recuperadas.
Tres cher Picasso, Ge travaille chaque matin depuis la leve du soleill et je la satisfaction de pouvoir vous assure que je suis entrain de peindre des veritables chefd'euvre dans le genre de ceux que l'on faisait aux epoques de Rafael Merci, merci avec votre geni iberique integral et categorique vous havais tue Buguereau et aussi et surtout l'art moderne tout entier! maintenant on peut de nouveau peindre originallement.
Bon jour! vous embrasse et viendre vous montrai encore une fois mais tableux vous serai fou de joie votre Salvador Dali.

O postal, frente e verso, foram retirados do livro Dalì Lettres à Picasso, da Fundação Gala/Salvador Dalì e as Edições Gallimard, 2005.

Cadernos de Sociomuseologia

Museo Comunitario de Santa Teresa del Nayar, Nayarit, México. 2002

Prémio Nobel da Literatura 2008


Gallimard Folio
amazon.fr

"I have the feeling of being a very small item on this planet, and literature enables me to express that". Le Clézio
O Nobel da Literatura 2008 foi atribuído no dia dia 09 de Outubro ao escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio um dos mestres da literatura contemporânea em língua francesa, cuja obra é considerada como uma crítica ferrenha à civilização urbana e ao Ocidente materialista.
Em entrevista a uma rádio sueca, Le Clézio disse estar «muito emocionado e muito sensibilizado».
O júri do Nobel justificou a atribuição do prémio ao autor francês nascido em 1940, caracterizando-o como um «escritor da ruptura, aventura poética e êxtase sensual, explorador de uma humanidade mais além e na base da civilização reinante».
A Academia Sueca nota que, partindo dos últimos escritores do existencialismo e do ‘novo romance’, Le Clézio conseguiu «salvar as palavras do estado degenerado da linguagem quotidiana e devolver a força para invocar uma realidade existencial». sol.sapo.pt
Doutor em letras pela Universidade de Nice, começou a escrever aos sete anos. Antes do Nobel, o seu galardão mais importante foi o Prix Renaudot, o mais importante das letras francesas. Esse prémio foi ganho quando tinha apenas 23 anos com o seu primeiro livro: Le Procès-Verbal.
A sua obra, que compreende contos, romances, ensaios, novelas, traduções de mitologia ameríndia, numerosos prefácios e artigos, é considerada como crítica do Ocidente materialista e uma atenção constante aos mais fracos e aos excluídos.
Le Clézio afirma dever muito ao México e ao Panamá, «Essa experiência mudou toda minha vida, minhas idéias sobre o mundo da arte, minha maneira de ser com os outros, de andar, de comer, de dormir, de amar e até de sonhar», comentou certa vez, ao evocar essa época de sua vida.
A obra Le Clézio ultrapassa os 50 títulos e traduzidos para português estão os «O Processo de Adão Pollo», «O caçador de tesouros», «Deserto» (considerado a sua obra-prima), «Estrela errante», «Diego e Frida» e «Índio branco». jornaldigital.com

Do autor, em 2005, a obra na versão original, Mondo et autres histoires. Deixa-se aqui um excerto:
[...] Mondo aimait bien faire ceci: il s'asseyait sur la plage, les bras autour de ses genoux, et il regardait le soleil se lever. À quatre heures, cinquante, le ciel était pur et gris, avec seulement quelques nuages de vapeur au-dessus de la mer. Le soleil n'apparaissait pas tout de suite, mais Mondo sentait son arrivée, de l'autre côté de l'horizon, quand il montait lentement comme une flamme qui s'allume. Il y avait d'abord une auréole pâle qui élargissait sa tache dans l'air, et on sentait au fond de soi cette vibration bizarre qui faisait trembler l'horizon, comme s'il y avait un effort. Alors le disque apparaissait au-dessus de l'eau, jetait un faisceau de lumière droit dans les yeux, et la mer et la terre semblaient de la même couleur. Un instant après venaient les premières couleurs, les premières ombres.[...]
Quand le soleil était un peu plus haut, Mondo se mettait debout parce qu'il avait froid. Il ôtait ses habits. L'eau de la mer était plus douce et plus tiède que l'air, et Mondo se plongeait jusqu'au cou. Il penchait son visage, il ouvrait ses yeux dans l'eau pour voir le fond. Il entendait le crissement fragile des vagues qui déferlaient, et cela faisait une musique qu'on ne connait pas sur la terre.[...]
Le Clézio, Mondo, Mondo et autres histoires, Gallimard folio, 1978
G.S.
Fragmentos culturais, 11.10.2008

sábado, 30 de agosto de 2008

ESPAÇOS DE LUZ - Arménio Vasconcelos - Uma Vida, uma Obra.

























































Aurora…

O Sol Sorri
Acorda, meu amor!
Olha os cumes nevados lá na serra.
Escuta o vento nas folhas dos carvalhos.
Sorve a brisa do seio da minha Terra.
Neles me encontrarás!
Sempre

Livro "para além do rio", página 12

--------------------------------------------------
José de Abreu Vasconcelos

Meu pai

As cerdeiras estão nuas.
As folhas caíram

Como lágrimas,
E atapetam
E amaciam os teus passos.
Que saudades, Pai,
Dos teus conselhos.
Dos teus abraços.

Dos teus anelos.
Da tua voz.
Do teu riso.

Que sempre ecoam
Em cada folha
Que piso.

São tantas as saudades, Pai,
Que, para minorar as penas,
Caminho horas sobre a folhagem,
A dizer-te poemas.

Livro "De Leiria partidos - Em mim presentes", página 19
A. Vasconcelos


O Museu Maria da Fontinha, localizado no lugar de Além do Rio, concelho de Castro Daire é um espaço de Luz, uma notável fonte de energia positiva. O seu Fundador e Director, Dr. Arménio de Vasconcelos, licenciado em Direito, por Coimbra, é membro do Conseil International des Musées, da UNESCO e da Associação Portuguesa de Escritores. Com expectativa e alegria aguarda-se pelo futuro "Museu do Território do Vale da Paiva e Serras".
Nas imagens: as memórias, a família, a história, o acervo, a força, o trabalho, a dedicação, a alma e a Humanidade da Família Vasconcelos.
«Partirei daqui a dias para o Brasil.
Se a Hélade é a minha Pátria do passado, Portugal é a de hoje e o Brasil será a minha Pátria do futuro.
A todas estas Pátrias amo. E todas cabem inteiras na Sala de visitas da minha alma.» A.Vasconcelos

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Lema

Não venhas atrás de mim pois posso não te guiar, não venhas à minha frente pois posso não te seguir, anda apenas ao meu lado e sê meu amigo… AT

terça-feira, 15 de julho de 2008

“Miguel Torga em Leiria” de Lucília Vasconcelos

Lucília Vasconcelos
“Miguel Torga em Leiria” é o nome do Roteiro Cultural editado pela Região de Turismo Leiria/Fátima - Dezembro 2007, em colaboração com o Elos Clube de Leiria. Lucília Vasconcelos, autora do roteiro, frisou que o objectivo deste roteiro é “revisitar o exímio pintor da alma humana e notável pensador Miguel Torga.” Com este Roteiro pretende-se “dar a conhecer Miguel Torga”, que em Leiria escreveu “Os Bichos”, que começou a escrever o seu “Diário” e que em “Leiria amou, exerceu medicina, sofreu e foi preso”. A autora classifica o poeta como “um andarilho nato por este país”, que considerava a “Estremadura a alma e corpo de Portugal”. Das oito estações que compõem o roteiro cultural, a escritora Lucília Vasconcelos destaca a estação 4, dedicada aos amigos, e a estação 8, relativa à homenagem no Orfeão Velho. Relativamente à estação 4, a autora referiu as “quatro paredes humanas que o ampararam nos momentos de sofrimento: Tomé (José Maria dos Santos), D. Gena e o marido (casal Morais) e Dr. Olívio (Dr. Alfredo Baptista). No que se refere à estação 8, a autora destacou a homenagem, de que o escritor foi alvo, no dia em que proferiu o discurso no velho Orfeão de Leiria, a 20 de Novembro de 1980, a convite do Rotary Clube, pelos seus 50 anos de labor literário, apontando no seu diário: “Aqui [Leiria] identifiquei e escolhi os caminhos da poesia, da liberdade, do amor...”. Melhor herança não poderíamos ter recebido. Saibamos geri-la. A frase de Miguel Torga “o meu partido é o mapa de Portugal” revela um escritor devoto ao seu torrão natal e ao seu país, tendo-se tornado numa das vozes mais relevantes da literatura portuguesa do Século XX.

domingo, 13 de julho de 2008

Marado

video

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Cerne e o Verso

Mar

Só a maresia dissolve o ar.
Aquela pintura ardente
que se debruça na água
como um sopro morno
de ar cansado, de tanto olhar.


[...] Interrompo a caminhada e digo interrompo, porque espero repetir a leitura do livro de Cristina Correia. Cada poema um caminho, uma hora, um momento, o intimismo velado ou revelado. Sempre que for relido, os caminhos desdobrar-se-ão, alterar-se-ão, porque nunca se repetem iguais [...] Do Prefácio de Armando Pinheiro

sexta-feira, 27 de junho de 2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Educação Arte e Cidadania

O Auditório da ES/3 Latino Coelho, em Lamego, vai ser palco de uma sessão pública de apresentação do livro "Educação, Arte e Cidadania", da autoria de Álvaro Laborinho Lúcio, no próximo dia 1 de Julho de 2008, terça-feira, pelas 17:00h.

Constitui, esta, uma abordagem – apenas uma entre várias possíveis – da relação entre Educação, Arte e Cidadania, trabalhada, aqui, a partir do exterior e sustentada, tão só, numa legitimidade própria do cidadão interessado em temas e problemas que tendem a marcar o fundamental do seu tempo.Por isso que se desenvolva à maneira impressionista, sem o rigor do traço neo-clássico, mas com o deslumbramento da luz que vem de fora, que estimula os sentidos e que permite olhar a “Educação Artística” e a “Educação para a Cidadania”, nas nossas escolas, com a “Impressão” de um novo “Sol Nascente”. Álvaro Laborinho Lúcio

http://videos.sapo.pt/fbmwyFzYDkD96FbcU0r0

Arménio Vasconcelos e a Casa-Museu Maria da Fontinha




Arménio Vasconcelos - Natural de Além do Rio, concelho de Castro Daire, Portugal, filho de José de Abreu Vasconcelos e Alzira do Carmo do Rosário, casado com a Dr.ª Maria Lucília Marques do Rego de Vasconcelos, tem dois filhos: Luís Filipe do Rego Vasconcelos, casado com a Dr. Paula Alexandra Ferreira Ambrósio, empresários; e João Pedro do Rego Vasconcelos, Adjunto do Primeiro-Ministro de Portugal. Tem duas netas: Inês Filipa e Rita Alexandra.Fundador e Director da Casa-Museu Maria da Fontinha;
Licenciado em Direito e Engenheiro Técnico Agrário, por Coimbra;
Membro ord.º do Conseil International des Musées, da UNESCO;
Membro da Associação Portuguesa de Escritores;
Presidente do Elos Clube da Região de Leiria;
Mestrando em Museologia;
Cidadão Honorário do Rio de Janeiro.

São de sua autoria as seguintes obras:
- “Juntos por Lorosae”; edição da Jorlis, participação;
- “Notas sobre a vida e obra do Padre António Vieira”; edição do autor, 2002, (esgotado);
- “Para além do rio”, edição da Liga de Amigos da Casa-Museu Maria da Fontinha, Maio de 2004;
- “Na Hélade, em busca do passado”, edição da Liga de Amigos da Casa-Museu Maria da Fontinha, Julho de 2004;
- “De Leiria partidos Em mim presentes”, edição da Folheto Edições & Design, Setembro de 2004 (3.ª edição, em Setembro de 2005);
- “Ao encontro do Azul”, edição da Folheto Edições & Design, Novembro de 2005 (2.ª edição, em Fevereiro de 2006);
- “Que Quinta na Vila de Noel”, edição da Folheto Edições & Design, em co-autoria, Dezembro de 2005.
- “Carlos Gomes, pintor da Luz”, edição da Liga de Amigos da Casa-Museu Maria da Fontinha, Abril de 2006.

domingo, 22 de junho de 2008

O Que Há De Comum - Uma Antologia


ARMANDO PINHEIRO nasceu no Porto, em 1922. Médico e reputado poeta. Publicou mais de uma centena de livros de poesia e organizou o volume Sonetos Portugueses. Licenciou-se em Medicina, pela Faculdade de Medicina do Porto, em Julho de 1945. Foi Interno na Estância Sanatorial do Caramulo desde 1945 até 1947. No regresso do Caramulo, foi Médico Auxiliar e depois Broncologista no Sanatório Rodrigues Semide, onde criou o Serviço de Broncologia. Chefiou o Serviço de Broncologia do Sanatório D. Manuel II, entre 1955 e 1970. Foi director do Serviço de Cuidados Intensivos do Hospital de Santo António. Nele trabalhou desde a sua criação (1962) até à sua aposentação (1984). Publicou muitas dezenas de trabalhos médicos, alguns em revistas estrangeiras (França, Espanha, Holanda). Proferiu lições na Faculdade de Medicina do Porto, no Hospital de S. João, no Porto e em Lisboa. Em Maio de 1998 foi condecorado com a Medalha de Mérito da Ordem dos Médicos. Em Novembro de 1999, foi condecorado com a Medalha de Ouro da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

O Corpo vivo da poesia de Armando Pinheiro, tal como surge diante dos meus olhos de leitor de versos, organiza-se segundo duas marcas fundamentais: por um lado, o rigor e a autoconsciência e, por outro, a emoção dos sentidos e a emoção do pensamento, isto é “a vida toda num único poema”: a vida da poesia ao mesmo tempo que a múltipla vida da própria vida. (…) Poeta das emoções (no complexo sentido que antes ficou esboçado), Armando Pinheiro é também um poeta do pensamento, e a conclusividade perplexa e sage é, do mesmo modo, outra das marcas centrais da sua poesia. O facto de ter resistido até tão tarde a publicar um livro é talvez um sinal da manifesta imperatividade interior desta poesia, a sua sábia e funda humildade sendo, pois, não afectação (nem sequer “fingimento sentido”, como Pessoa diria), mas expressão de maturidade humana e intelectual, de vivida vida longamente acumulada na razão e no coração que, subitamente, pelo singular milagre da poesia, pode cristalizar num verso: “Quanto sol e quanta chuva são preciosos/ para amadurecer uma única uva!”. (Do Prefácio de Manuel António Pina)

sábado, 21 de junho de 2008

Saré Cantá

«(…) Saré Cantá era, no início do século XIX, uma das ilhas cheias de esplendor com uma dezena de léguas de farrobe, pau ferro, amendoim e poilão. Habitam-na pescadores do rio Grande, marinheiros, grumetes, franceses, portugueses e africanos, um arco-íris de povos e cheiros. Os ofícios na agricultura eram sempre penosos, mas esta civilização do trabalho contara com a dimensão essencial da vida humana. Mulheres e homens promoveram o bem comum e aumentaram a herança de toda a família, provocando transformações na natureza e introduzindo alterações profundas na cultura do povo.
Quem por ali viajava de barco, pelos estuários, nos braços do grande delta, pelas margens dos rios, ou a pé, olhava ao longe as choupanas, comungava os sonhos dos anjos e tocava na única luz helénica dos céus. Nesta cultura comunitária sobreviveram os deuses para testemunhar e delegar os reinos celestes. Os homens lutaram entre si e contra os outros. Mas também lutaram contra a natureza, esposaram-na, fundiram-se com ela, com amor e ódio. Da terra arrancaram os produtos, a sobrevivência, o conduto, a solidão, a rudeza. O trabalho era, assim, condição do homem, que através dele contribuía para a obra da Criação. Em Saré Cantá o trabalho constitui uma dádiva, o povo acredita no que diz o chefe da tribo: «com o suor do teu rosto comerás o pão, até que regresses à terra da qual foste tirado».
Era urgente o sacrifício, o ritual e o renascimento.
Escondida na alma da floresta africana, esta histórica terra primitiva ainda vivia sob a protecção do chefe da tribo Cantá. Almamy, o velho sábio, tinha as feições um pouco rudes, a testa franzida e o corpo esguio. Envergava uma tarjeta de pano. À volta do pescoço usava um colar de missangas com três cruzes brancas. Tinha a alma à flor da pele. Opunha-se às injustiças e às doses de hipocrisia dos poderosos que oprimiam e escravizavam outros seres humanos. Como todos os homens da ilha, que no meio do sofrimento do amor choram com os deuses do outro lado do rio Geba, também ele tivera de padecer o mesmo ritual de Saré Cantá, numa esperança cíclica de purificação.
A akasha de Saré Cantá é a maior celebração dos ilhéus ao redor dos deuses. Todos partilham, uns com os outros, o pão da ilha da terra vermelha. Rogam pela chuva sagrada, para que as suas plantações não sequem e os seus peixes não morram. Durante dias, o eleito pedirá perdão por todos e terá que se isolar na ilha, onde só os deuses vivem em pleno na floresta sagrada. Ali, as árvores permanecem eternas. É ali que o infinito reside. Uma celebração que une os povos para comemorar o renascimento de uma nova vida.
Para fertilizar os corações fora escolhido o Abbá. Missionário e portador da esperança, símbolo da origem da paz. Uma nova forma humana começou então a surgir. Com os olhos mirrados, longas barbas e cabelos longos, tinha um aspecto imaculado. Numa resignação pura, o segredo que transportara dentro de si era a de uma missão de amor e fraternidade. Caminhou descalço pelas feitorias, comeu jejum e raízes, enterrou a cólera dos nativos, ofereceu o perdão e a amizade. Envelhecia rapidamente para dar lugar a uma nova vida. A sua semente germinava, vindo a materializar-se em pleno junto ao rio, no outro lado do Geba.
No recinto sagrado das almas, os Iniciados fizeram silêncios e sobre a frondosa vegetação, as chuvas caíram, finalmente.
Durante três dias e três noites, na terra das palavras, plantaram-se folhas de seda. Sete abraços enfeitaram pedaços da terra do céu. Sete liras cantaram melodias junto de Abbá e Almamy.
Por fim, as almas renasceram.
Na madrugada seguinte, o azul e o verde surgem dispersos no horizonte. Renasce o odor da terra. Tudo tinha mudado. (…)» C. Correia