sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

A Nuvem ou o Sonho de ser Almofada - na FNAC do NorteShopping - Porto


terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Serão da Bonjóia - "Ecos Vítreos - Poesia e Música" PORTO

SERÕES DA BONJÓIA - Tertúlias à moda do Porto - Ciclo das Artes Dia 4 de Fevereiro de 2010 - 21h15
Quinta de Bonjóia - Campanhã - PORTO
Entrada livre

quinta-feira, 7 de Janeiro de 2010

Pequeno conto de Natal...



Gosto de gente! Por vezes próxima, respirando ao mesmo ritmo!.. Outras (quase sempre) apenas momentos, riscos de acaso, meteoritos intensos na solidão da cidade. Uma viagem de autocarro (ou de metro) é sempre uma revelação inesperada. Pequenos nadas que nos perseguem (momentos, horas, dias?) e que exigem que os soltemos, de tão intensos...

Gosto de gente anónima. De seus rostos. Da linguagem subtil dos seus gestos. Do seu porte. Do pulsar do meu Povo!...

Por vezes, a cor desânimo, toma o sangue. O cepticismo cria raízes e uma ironia triste ocupa o espaço da esperança. Porém, do meio da multidão, surge tantas vezes, sem nos darmos conta, uma imagem, o resto de uma carícia, uma ternura, uma beleza inesperada que humaniza e reconforta. Que nem sempre estamos disponíveis para ver e que, outras vezes, guardamos como refrigério de alma...

Falo-vos da minha última viagem de autocarro entre o Rossio e o Cais de Sodré! Na curta distância, cenas dignas de um pintor impressionista - o melhor e o pior de um Povo concentrado no escasso espaço de um autocarro, à hora de ponta. Nada que seja diferente de outras viagens! Até que......

Uma jovem mãe, de rosto trigueiro e olhar apaziguado, entrou, aconchegando no colo uma criança de escassos meses. Sozinha, face as intempéries e os balanços da vida, ali bem simbolizados nos apertos e balanços do autocarro. Um jovem, de brinco na orelha e crista de galo loira, cede-lhe o lugar (no meu íntimo, um sorriso freak!)

Acomodou-se a "minha" jovem Madalena (era, de certo, este o seu nome!) com o bebé nos braços, sereno que nem um anjo. E alheia a tudo que não fosse a sua novel maternidade, a jovem soltou o seio da blusa (mármore puro) e a boca da criança, em esplendor, buscou afoita o mamilo, assim exposto em dávida!

Vi então olhares brilhantes nos rostos cansados dos transeuntes. Vi ternuras caladas e inesperados silêncios. Vi orações pagãs em cada sorriso!..

E, a minha alma cansada e ateia, entoou então um cântico de vida - "Glória in excelsis Deo!..."

Publicada por Heretico

segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009

O sol da savana


O sol intenso a bater na savana, o replicar constante da cigarra, o cheiro acre a terra húmida e aquela curva no fundo da picada que a vista esperta mal alcança, tem sombra de cajueiro, tem fruto de djambalau, tem gente muito chonguila, tem bicho maningue mau. Tem vida que vai e que vem. Tem vida que vai e não volta.

Ali, onde o homem e a natureza se fundem e se confundem. Onde trocam olhares cúmplices. Onde se enamoram e sorriem ao tempo que passa, que passa devagar, devagarzinho, num olhar que chiqui-chiqui noutro olhar. Ali, onde o bafo quente em forma de vento manso, afaga um encantamento doce que ondula ao som longínquo do batuque e da timbila seu sentimento primoroso que outro sentimento lhe há-de acorrentar.

Ali, onde o chamamento rijo brota musculoso das profundezas da terra no agitar maluco duma marrabenta que ecoa desvairada na tarde finda que a noite estrelada vai chamando. Ali, onde a sura, seiva da palma, faz feitiço possante nas cabeças, sente-se vibrar o trepidar forte dos corpos felinos que desafiam o danado do xicuembo e lhe fazem figas de eternos desafios.

Ali, onde o bicho fome bota fora, no caminho da estrada, sua força de grandeza grande, noutro bicho que outro bicho, outro dia, lhe vai comer.

Ali, onde a gente não tem mais nada que sua presença na planície larga, onde a vida não sabe que um dia vai, o sorriso vem num raio de sol… e passa de mão em mão… fazendo quantidade imensa a alegria que recebeu, em dia de saguate, da mão de seu irmão.


José António Santos


quarta-feira, 23 de Dezembro de 2009

Livros com Ideias Dentro


Livros com Ideias Dentro
Autor: António Rego Chaves
Editora: Campo das Letras
Ano: 2008
Género: Literarura


O autor:
António Rego Chaves nasceu em 1939, tendo-se licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Foi jornalista profissional e repórter internacional de 1968 a 2003 no Diário Popular e no Diário de Notícias, jornal onde também desempenhou funções de editorialista e colunista. Colaborou, antes do 25 de Abril, na revista Seara Nova e no semanário O Comércio do Funchal, sobretudo na área da política internacional. No suplemento DNA, do Diário de Notícias, e na página “Livros” do mesmo matutino, assinou numerosos ensaios e recensões críticas de âmbito filosófico, bem como os textos “Vinte e Quatro Diálogos Bíblicos" e “Encontros em Florença”. Juntamente com Ana Marques Gastão e Armando Silva Carvalho é autor de “Três Vezes Deus”.
A obra:
O livro pretende chamar a atenção para obras que, embora muito importantes, correm o risco de ser preteridas em favor de múltiplas temáticas fúteis que cada vez mais parecem ir ao encontro da procura de grande parte de leitores. Nestas recensões críticas, escolhidas entre cerca de duas centenas publicadas no Jornal de Negócios, aborda-se o pensamento de dezenas de intelectuais, portugueses e estrangeiros, cujo pensamento não deveria ser ignorado pelo nosso tempo – de Amos Oz, António Sérgio, Arendt, Beauvoir ou Camus a Manuel Laranjeira, Simone Weil, Unamuno, Voltaire ou Wittgenstein.

«Durante muitos anos, décadas, os jornais constituíram-se, entre outras coisas, em difusores de informações sobre os livros que iam sendo publicados (e sobre os filmes e peças de teatro que estreavam…). Faziam-no com cariz mais ou menos profundo, variando do simples registo de saída à avaliação do seu significado, estilo, interesse... Neste caso, pela mão de gente que, de uma forma ou outra, estava abalizada para o efeito. Havia os suplementos, mas também a divulgação esparsa, em muitos deles…Os jornais têm mudado, os leitores também, às vezes por causa de uns e dos outros, quando não mais destes do que daqueles. Ou seja, não consta que alguma vez os leitores tenham manifestado rejeição pela informação literária, entendendo-a não só como referente a livros, mas também a autores, a editoras, ou ao que a tal se referisse.Não consta esse desinteresse, mas a pouco e pouco os periódicos foram deixando cair o que a esta matéria se referia, a menos que alguma janela de interesse comercial aparecesse. E chegou-se ao que há hoje: nem suplementos com vocação para as artes e letras, nem informação avulsa ou organizada sobre esse mundo. Há excepções, mas mesmo entre os jornais ditos de referência a sobrevivência parece custosa.Vem isto a propósito de António Rego Chaves, um jornalista que atravessou uma boa parte da segunda metade do século XX, homem formado na Filosofia, mas que pela mão do jornalismo viu o (nosso) mundo, e o registou sob a forma de reportagem. Mas também das tais notas de leitura, ou de textos de opinião, e o mais que levou o jornalismo à categoria de fonte de poder – mais do que exercício do poder.Ao longo da vida, este jornalismo repartiu-se nesses dois registos, e outros. No caso, tendo passado por jornais generalistas, como o Diário Popular e o Diário de Notícias, acabou por seleccionar de larga colaboração no Jornal de Negócios um conjunto de 44 referências a obras – que na verdade eram justificação para abordar o pensamento dos seus autores. E porque estes eram nomes importantes, tanto da literatura pura como de sectores e actividades a que se dedicaram, o leitor era realmente encaminhado para o ângulo de leitura pretendido.É o caso, por exemplo, de uma biografia de Maquiavel, com a defesa de que não se deve tomar na sua obra o que é descritivo por normativo, ou seja, é de lê-lo como «um arguto repórter e um lúcido historiador de comportamentos dos políticos».Ou seja, este jornalista da política da sua época mais não queria do que «aprender a jogar com inteligência e eficácia o jogo que seriam forçados a jogar no interior do temível ninho de víboras habitado pela ‘classe política’». Assim sendo, Maquiavel acabaria por ter o destino dos mensageiros das más notícias: o que levou à conotação dicionarística do maquiavelismo com amoralismo.Juntas, em livro, estas críticas de livros têm mais do que um mérito. Mas, desde logo, ressalta o de dar unidade à leitura de um conjunto de edições não muito antigas, e que em alguns dos casos, pelo menos, com o sopro do calendário se apagam nas memórias – e nas páginas dos jornais que inicialmente as acolheram.»

«“Livros com Ideias Dentro” de António Rego Chaves é um percurso que nos revela um conjunto diversificado, mas de grande interesse, de obras e de autores. Com grande cuidado na escolha dos livros e no tratamento das ideias que estes contêm, o autor organizou uma obra de qualidade, que nos permite ver pelos olhos de quem nos conduz um verdadeiro caleidoscópio que nos faz compreender melhor o mundo em que vivemos. Trata-se de textos jornalísticos de uma grande sensibilidade e exigência, que correspondem a uma concepção de elevado sentido cívico e ético sobre o serviço público cultural do jornalista, o que é de realçar.

COMO NUM PEQUENO DICIONÁRIO, o jornalista (que é sobretudo ensaísta) apresenta-nos os diversos livros analisados por ordem alfabética de autores, o que nos permite construirmos o nosso próprio percurso de leitura ou seguir, de modo aleatório, sem continuidade cronológica, as obras que nos são propostas. Ambos os caminhos reservam-nos um contacto muito estimulante com as reflexões feitas. De facto, estamos perante obra de ideias, que estimula o sentido crítico, o que é uma virtude que tem de ser elogiada. Logo de início, lemos sobre o Abbé Pierre: “Não foi o único, mas poderá ter sido, no século XX, um dos raros ‘santos’ cristãos”. A afirmação dá o tom do livro. António Rego Chaves nunca deixa o leitor em descanso ou em atitude conformista. Gosta de desinquietar, mobilizando os leitores para a sua atitude de agitar águas e de lançar desafios inteligentes. E nesse primeiro texto, ressalta a afirmação do próprio Abade: “A luta pelo meu pão pode ser materialismo; mas a luta pelo pão dos outros já é espiritualismo”. De facto, num tempo em que o dinheiro faz correr todo o mundo, o sacerdote francês foi sempre motivado por esse estranho mas apaixonante desafio que é o Amor. E a análise do livro “Porquê, meu Deus?”, de um “santo” que era cristão, é centrada, no essencial, nessa procura e nesse constante pôr em causa das considerações redutoras que, às vezes, em nome da pureza dos princípios, escondem a desconfiança e a idolatria. Aliás, logo a seguir fala de Amos Oz e de “Contra o Fanatismo”. E Rego Chaves põe especial ênfase na resposta à pergunta: qual a essência do fanatismo? Trata-se do “desejo de obrigar os outros a mudar” – diz Amos Oz. (…) “O fanático é um grande altruísta. Está mais interessado nos outros do que em si próprio”. (…) O fanático morre de amores pelo outro. Das duas uma: ou nos deita os braços ao pescoço porque nos ama de verdade, ou se atira à nossa garganta no caso de sermos irrecuperáveis”… E depois António Sérgio vem-nos alertar (sobre a inexistência de uma Civilização Cristã) para que “não seria possível servir a dois senhores, Deus e o dinheiro. Uma forma de civilização caracterizada pela competição e pela guerra entre os homens para chamarem a si o dinheiro não seria digna de ser classificada como cristã”. De facto, ao apresentar-nos um conjunto de comentários a livros, publicados no “Jornal de Negócios”, Rego Chaves vai pondo pedras no caminho que assinalam estimulantes sentidos de responsabilidade crítica.

TEMAS SUCEDEM-SE. Hannah Arendt, Beauvoir, Camus, Celan, Heidegger, Jünger, Küng, Hobsbawm, Malraux, Marx, Sartre, Simone Weil e Wittgenstein… Eis um percurso não exautivo. O totalitarismo de Arendt fica subalternizado perante a deslumbrante magia de “A Vida do Espírito”. Sobre Simone de Beauvoir e Sartre fala-se das polémicas do tempo e de estranhas reacções a “Le Deuxième Sexe” e ao seu sentido emancipador, que levariam Jean-Marie Domenach a dizer “é necessário não impor ao cristianismo os óculos da moral burguesa”. E Jean Paul Sartre aparece-nos a afirmar não só que foi “conduzido à descrença, não pelo conflito dos dogmas, mas pela indiferença dos meus avós”, mas também que “a esperança é a relação do homem com o seu fim, relação que existe mesmo se o fim não é atingido”. Camus é visto pelos olhos de uma decepção, a propósito de um número do “Magazine Littéraire”, onde algumas simplificações não retratam por inteiro o cidadão – correndo-se o risco de cair no anacronismo histórico. O diálogo Celan-Heidegger, de um poeta e de um filósofo, revela-nos o claro e o escuro de uma relação equívoca, em que o poeta romeno alimenta sentimentos contraditórios a propósito do pensador, que transportou sempre consigo a terrível contradição de ter contribuído para a “malignidade do mal” nazi e de ser um dos filósofos mais estimulantes do seu século. E uma última carta, que teria ficado por enviar, dá bem conta desse paradoxo de admiração e repulsa: “pelo vosso comportamento enfraqueceis de maneira decisiva o poético e ouso suspeitá-lo o filosófico na vontade séria de responsabilidade que pertence a ambos”… Ernst Jünger é um curioso paradigma do século XX. Indiscutivelmente um grande escritor, faz-se no cadinho de um século de belicismo e de violência. A sua originalidade está na tentativa de “elevar a literatura à categoria de experiência de vida”. Diz-nos, assim, que “como instinto sexual, a guerra não é instituída pelo homem, é lei da natureza, e por isso nunca poderemos fugir do seu império”. E Rego Chaves comenta: “dir-se-ia que o fantasma de Nietzsche, enfim reconciliado com o de Wagner, tomara Bayreuth de assalto para a transformar em capital da ópera bufa”. Por outro lado, a coerência de Hans Küng é recordada na sentença: “quando a Igreja não realiza a causa de Jesus Cristo ou a distorce, peca contra o seu próprio ser e perde esse ser”. Eric Hobsbawm, historiador marxista, cujos brilhantismo e força intuitiva servem para ultrapassar quaisquer barreiras ideológicas para os seus leitores, surge na força da sua persistência: “Não devemos depor as armas, por mais ingratos que os tempos de mostrem. É necessário continuar a denunciar e a combater a injustiça social. Se nos limitarmos a deixá-lo entregue a si próprio, o mundo não se tornará automaticamente melhor”. A propósito de André Malraux, o autor fala-nos de uma leviana idiotice, de uma profecia desmentida pelo próprio: “o século XX será religioso ou não será”. Nunca o disse, e a citação só poderia fazê-la quem ignorasse o homem desolado do fim da vida, para quem, apesar de perseguido pelos espectros de Pascal, de Kierkegaard e de Dostoievsi, “o incognoscível absoluto não é um domínio de dúvida; é tão imperioso como as fés sucessivas da humanidade”. Sobre Karl Marx, António Rego Chaves fala do desconhecido – que “não era determinista, nem inimigo das liberdades individuais, nem da propriedade privada, nem da fé e da religião”. Estamos perante outro lado do problema quando se trata de analisar (à luz quiçá cartesiana) o autor dos “Manuscritos de 1844” e do “Manifesto do Partido Comunista”, e é sempre fundamental desmontar as ideias falsamente feitas e condicionadas pelas próprias vicissitudes da história. Com “A Gravidade e a Graça” de Simone Weil, o autor cita: “o mundo tem necessidade de santos que tenham génio, tal como uma cidade com peste tem necessidade de médicos”. E ARC comenta: “o mesmo é dizer que a força da gravidade (natureza) precisa de ser atraída, elevada e transfigurada pela luz da graça, do sobrenatural, da caridade”…


SILÊNCIOS E O GRITO – “Os Cadernos” de Wittgenstein, dos anos de 1914 a 1916 constituem motivo para uma reflexão especial, na linha do que Rego Chaves já tem trabalhado. O percurso do pensador austríaco não é isento de dúvidas, hesitações, perplexidades e aproveitamentos. E, como afirmou, Eckard Nordhofen: “A velha disputa sobre o famoso silêncio que aparece no final do Tractatus é um silêncio sobre algo ou é um silêncio sobre nada, ficou sem dúvida resolvida. É um silêncio sobre algo, sobre o mais importante, sobre aquilo que não se deixa dizer. É teologia negativa no seu grau mais puro”. Ou não fosse a obra um constante apelo a ler mais, para tentar compreender melhor!
(Guilherme d'Oliveira Martins)

O Pensador, de Rodin.
A actualidade do implacável Maquiavel Saindo em louvor do politicólogo Maquiavel e do seu implacável “O Príncipe”, no texto titulado, precisamente, “Em louvor de O Príncipe”, António Rego Chaves relembra o que disse Francis Bacon daquela obra: “Estamos muito reconhecidos a Maquiavel e a outros como ele, que escreveram aquilo que os homens fazem, e não aquilo que devem fazer.”Salientando que o autor quinhentista continua a ser incompreendido pela generalidade dos seus leitores, A. Rego Chaves remete, ilustrando, para o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa que define “levianamente o “maquievalismo” como sistema político, baseado nas ideias do escritor e político florentino Maquiavel e caracterizado pelo princípio amoral de que os fins justificam todos os meios e que a arte de governar deve estar acima de todas as preocupações de carácter ético, religioso…”. O italiano, defende-se, “queria desvendar aos seus contemporâneos os segredos do realismo político, a invenção, a táctica e a estratégia, a ‘ciência’ do Poder”, limitando-se a proclamar “não apenas que o rei ia nu, mas que os príncipes antigos e os da sua época sempre tinham andado em pelota, ainda que nenhum deles tivesse admitido tal prática.”

A enformar a argumentação, o texto chama Jean Giono, que se pronunciou sobre as “Concepções psicológicas, sociais e políticas” de Maquiavel: o seu grande conhecimento da alma humana fá-lo crer que “para ele, um homem de confiança é um homem que se pode comprar”, sabendo que “não se pode confiar totalmente senão nas fraquezas e, em particular, no interesse pessoal”.

E António Rego Chaves acrescenta: «Pessimista, Maquiavel? Tememos bem que não. Considerava que “é necessário ser um príncipe para compreender totalmente a natureza do povo e ser um vulgar cidadão para compreender totalmente a natureza dos príncipes.” Talvez tenha encarado o cruel César Bórgia, filho do não menos cruel Papa Alexandre VI e aventureiro sem escrúpulos, como o “governante perfeito”, pois aprendera à sua custa que “aquele que negligencia aquilo que é feito em benefício daquilo que devia ser feito efectiva mais rapidamente a sua ruína do que a sua preservação”. Também sabia, por saber de experiência feito, que os homens “são ingratos”, inconstantes, mentirosos e velhacos, fogem do perigo e são gananciosos” e não vislumbrava qualquer espécie de “salvação” para aquilo que considerava ser a natureza humana, estando convicto de que ninguém poderia ser ao mesmo tempo um bom cristão e um governante forte, condição esta indispensável ao eficaz exercício do poder.”

Segundo A. Rego Chaves, o «arguto repórter» e “lúcido historiador de comportamentos dos políticos” que foi Maquiavel, permitiu-lhe constatar que o objectivo da acção dos políticos “não seria, segundo lhe foi dado a observar, pôr em prática grandes ideais capazes de conduzir a Humanidade à formação e consolidação de sociedades mais perfeitas, mas apenas jogar o jogo do Poder – para o ganhar, seja a que preço for, retirando qualquer carga moral aos meios utilizados para alcançar os seus fins egoístas. Para os governantes – mas não para o repórter e historiador Maquiavel – tais mesquinhos fins, justificariam, de facto, todos os meios.”Pertinentemente pois temos de aquiescer, António Rego Chaves refere que “a denúncia do florentino em nada contribuiu para alterar a prática dos líderes políticos que nos últimos cinco séculos se têm assenhoreado dos destinos dos povos.”».
(Teresa Sá Couto)

segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009

Os homens vivem juntos, porém cada um morre sozinho e a morte é a suprema solidão.
Miguel Unamuno

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Suzana Ralha e o Bando dos Gambozinos


Suzana Ralha nasceu no Porto em 1958, cidade onde estudou música e piano, sendo aluna de Helena Sá e Costa. Desenvolveu a partir de 1975 uma intensa actividade musical na área da educação, criando o Bando dos Gambozinos, uma associação cultural de educação pela arte, sem fins lucrativos, que continua hoje ainda a funcionar na cidade. Do seu currículo contam-se dezenas de participações em colóquios, conferências e realizações na área da Educação, acções de formação de monitores e professores, tendo sido responsável na Casa da Música por algumas das mais significativas acções do Departamento Educativo que integrou e chegou a dirigir, como sejam as óperas de comunidade Wozzeck e Demolição. É autora de mais de uma centena de cantigas para a infância, grande parte das quais editada num conjunto de uma dezena de trabalhos discográficos e literários publicados desde 1980. Grande parte destes inéditos é constituída por abordagens musicais temáticas à poesia de autores portugueses como, Luísa Ducla Soares, Matilde Rosa Araújo, Manuel António Pina e muitos outros. Em meados dos anos 90 dirigiu o Bando dos Gambozinos na primeira gravação integral das Cançõezinhas da Tila, de Fernando Lopes-Graça. Pelos Gambozinos, nas diversas formas das expressões artísticas, têm passado centenas de crianças e jovens, alguns dos quais continuam ligados às actividades da associação através dos respectivos filhos que hoje as frequentam. No âmbito dos Gambozinos ou fora da associação, são inúmeras as colaborações de Suzana Ralha com uma grande variedade de autores e artistas portugueses. Do seu trabalho e dos Gambozinos escreveu o poeta e especialista em literatura para a infância, José António Gomes, que “os Gambozinos vêm construindo, com a ajuda de outros músicos e de vários poetas, o cancioneiro infantil e juvenil português da viragem do século e do milénio”.

A Casa do Silêncio. Bando dos Gambozinos, 25 anos


A Casa do Silêncio. Bando dos Gambozinos, 25 anos

"Tantas maneiras de ver e viver" (com 2 Cd's)
de Susana Ralha

Edição/reimpressão: 2000
Páginas: 60
Editor: Edições Afrontamento
ISBN: 9789723605440
Colecção:
Tretas e Letras

sábado, 28 de Novembro de 2009

A música

A música é o verbo do futuro.
Victor Marie Hugo
França[1802-1885]
Poeta, Escritor, Dramaturgo, Político


A música é o tipo de arte mais perfeita: nunca revela o seu último segredo.
Oscar Fingall O'Flahertie Wills Wilde
Irlanda[1854-1900]
Escritor/Poeta/Dramaturgo/Ensaísta


Entre as graças que devemos à bondade de Deus, uma das maiores é a música. A música é tal qual como a recebemos: numa alma pura, qualquer música suscita sentimentos de pureza.
Miguel de Unamuno y Jugo
Espanha[1864-1936]
Filósofo/Escritor

Música

http://f-clubemaradosacademy.blogspot.com/

http://www.myspace.com/filipemarado

FADO...

FADO...
FADO...
FADO...

Filipe Marado na FNAC

Filipe Marado na FNAC

Filipe Marado na FNAC

Filipe Marado na FNAC


sábado, 21 de Novembro de 2009

Música

http://www.vintem.com/

ACADEMIA DE LETRAS E ARTES LUSÓFONAS – ACLAL

“Aqui florirão as Musas “emigradas” da Velha Hélade… Fico imensamente feliz com este “encontro”.Fernando Paulo Baptista
“O nosso primeiro encontro, primeiro passo de muitos que há a percorrer neste nosso “nascer” para o Mundo, levando a nossa língua e a nossa cultura pelos laços dos afectos.”Libânia Madureira“
Grande e virtuoso dia este, o do nascimento de tão nobre Movimento para a Lusofonia: “VERITAS PER ARTEM”Daniel Calado Café“
É com inaudito prazer que retorno a esta Terra mágica e cheia de encanto imbuída da vontade precisa para erguer esta bandeira da Lusofonia, pela nossa amada língua”.Teresa Calçada“
Lusofonia com sentimentos, com fraternidade, solidariedade, comunhão, com dádivas recíprocas, tudo atado com os laços do idioma que é cantado em todas as Terras e Mares com notas diferentes mas para todos inteligíveis e belas…”Alberto Lucena
E, finalmente, a mensagem primeira, improvisada e sentida, do Presidente da ACLAL:
“Pluralizando o pensamento de Pessoa:“Os homens sonham, Deus quer, a Obra nasce”Neste caso um sonho de muitos, o qual, nalguns momentos e espaços, já foi sentido e (também) realizado.Sonhado que foi por António Vieira, o seu “imperador”, por Agostinho da Silva, Fernando Pessoa, Eduardo Lourenço, seus seguidores, todos eles e tantos outros, a trilhar os caminhos em direcção à reluzente estrela que alumia o mágico, encantado e desejado V Império, mito que se tornará “realidade” com a conjunção de esforços de todos os que se expressam através da amada Língua de Bilac, de Assis, de Pepetela, de Mia, de Eça, de Camilo, de Camões, de Amado, de Aquilino, de Torga, de Erico, de Carlos Gomes, de Malhoa, de Nobre, de Agenor, de Di Cavalcanti, de Portinari, de Niemeier, de Glauber, de Villa-Lobos, de Lopes Graça, Jolly, Seixas, Cecília, Sophia, Herberto, Fernando Paulo, Víctor Aguiar e Silva, Vicente, Lygia, Raquel, Manoel Oliveira, Fernão Lopes, Coelho, Antero, Ary, Natércia, Natália, Mandarino, Iracy, Sansão e tantos e tantos outros de Angola a Timor por todos os oito países que falam em português.Nas letras, nas demais artes, em todos os aspectos das respectivas culturas propõem-se matrimónios indissolúveis em que os divórcios são desconhecidos entre todos os povos lusófonos entre si, dando-se uns aos outros em autêntica fraternidade, solidariedade e comunhão numa verdadeira e sã interculturalidade na multiculturalidade; em todos os tempos e em todos os seus espaços, sentindo-se as mensagens trocadas nas brisas que sobrenadam os mares soprados pelos Atlantes e pelo Índico das monções trazendo fragrâncias de cravo e canela, de lírio e rosas, de estevas e alecrins, de jasmins e cerejeiras, debaixo dos cantos dos sabiás, das aves das selvas, de Amália, de Vinícius, de Indico, de Cesária, de Dolores, Maysa, Alcina, de Isabel Silvestre, de Elis, de Zé Afonso e tantos.Avante Brasil, gigante a movimentar o comboio da Lusofonia.Avante Angola, Cabo Verde, Guiné, Moçambique, São Tomé e Príncipe.Avante Timor e Comunidades de Língua Portuguesa, em Goa, Malaca, Macau, Alemanha, Canadá, França, Suíça, Andorra e outras.Avante pela amada Língua e pelo sublime sentimento da Fraternidade e da Lusofonia.
O Arménio Vasconcelos"

sábado, 31 de Outubro de 2009

Fosse eu Sempre,uma metáfora apenas...


Fosse eu Sempre, uma metáfora apenas.

...viajo contigo os caminhos, sempre que me pedires,
tão suavemente que só eu me escuto, inteiramente, a vontade do mundo inteiro…
…com a força do verso percorro os passos que me acompanham a alagar a alma…
…e, em cada percurso, sou aprendiz do tempo
…e, suporto a saudade do que não vivi…
…não sei quanto alento ainda tenho, sei que…
Fico só, inteiramente!
…e, contemplo as palavras mudas.
Pode ser que um dia, eu encontre um jardim que seja a quimera da minha árvore…
vou viajar, vou para (um) o porto
CC

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

"Querer" - Pablo Neruda

"Querer" - Pablo Neruda


http://www.youtube.com/watch?v=Id2NoXiBTJk

http://www.youtube.com/watch?v=Id2NoXiBTJk&videos=AUrpR6gLa1I&playnext_from=TL&playnext=1

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

III Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura


III Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura

Realiza-se, na Fundação Calouste Gulbenkian, nos próximos dias 22 e 23 de Outubro a III Conferência Internacional do Plano Nacional de Leitura.
A apresentação de projectos de promoção da leitura e a avaliação externa do programa serão algumas das questões a abordar nesta terceira edição da conferência do PNL.
Consultar programa >>

quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

História das Bibliotecas

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Miguel Torga

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CADERNO DE HISTÓRIAS

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Seminário School libraries, Curriculum and Web 2.0: Strategies for Teaching the 21st Century Learner

Caros professores bibliotecários,

Amanhã, dia 1 de Outubro, entre as 14h 30m e as 17h, 30m, vai ter lugar um Seminário promovido pelo Gabinete Rede de Bibliotecas Escolares, dirigido pelo Professor Ross
Todd, especialista de grande reputação nas temáticas das Bibliotecas Escolares e dos desafios que se colocam hoje à Escola no desenvolvimento do currículo e do papel das tecnologias de informação, designadamente as ferramentas da Web 2.0.

O tema será "School libraries, Curriculum and Web 2.0: Strategies for Teaching the 21st Century Learner”.

Uma vez que se torna impossível realizar presencialmente esta formação para abranger todos os professores bibliotecários, que consideramos fundamental para o bom desempenho da função e trabalhar de forma mais científica e prática com os professores das disciplinas na apropriação dos recursos da BE e das tecnologias, há a possibilidade de assistir através de vídeodifusão, acedendo ao seguinte endereço:

http://videodifusao.dgidc.min-edu.pt/rbe

Certa que poderemos ter a vossa adesão a esta nossa iniciativa, que consideramos de grande utilidade para todos, contamos com a vossa participação virtual.

Teresa Calçada
RBE

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Filipe Marado no Teatro Ribeiro Conceição

Filipe Marado no Teatro Ribeiro Conceição - MySpace

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terça-feira, 18 de Agosto de 2009

GUERRA JUNQUEIRO



É um projecto ambicioso, inovador e ainda a concretizar-se, aquele que o Departamento de Som e Imagem da Escola da Artes da Universidade Católica Portuguesa do Porto gizou em torno do atraente site Revisitar/Descobrir Guerra Junqueiro. Sob a coordenação e a direcção científica de Henrique Manuel S. Pereira, estão previstas a edição de um livro e de um CD sobre a música de Junqueiro; a produção de um documentário intitulado Nome de Guerra, a Viagem de Junqueiro, que visa dar a conhecer as múltiplas facetas do escritor (António Telmo e Pedro Sinde, do círculo dos Cadernos, mas também Dalila Pereira da Costa, Pinharanda Gomes, Joaquim Domingues e António Cândido Franco, são alguns dos nomes em foco); e a publicação de um outro volume que, abrangendo diversos universos temáticos, reproduz e amplia as entrevistas realizadas no âmbito daquele documentário. A edição de uma fotobiografia e a realização de um concerto de homenagem ao poeta, em data a agendar, completam este projecto, que o leitor poderá agora descobrir por si próprio, entrando aqui.

segunda-feira, 10 de Agosto de 2009

Os 25 anos do Museu Maria da Fontinha

O Museu Maria da Fontinha, em parceria com a Academia de Letras e Artes de Paranapuã ALAP (Rio de Janeiro - Brasil) e a Academia de Letras e Artes Lusófonas ACLAL, organizaram mais um Encontro de Intercâmbio Cultural e Lusofonia. O evento teve lugar no Auditório José Vasconcelos (Museu Maria da Fontinha, Além Rio, Gafanhão, Castro Daire), no passado dia 8 de Agosto, pelas 14:00h. Na cerimónia solene foram outorgadas Medalhas e Diplomas de Mérito a várias personalidades da região. Entre os homenageados, a Comunidade Académica e Artística de Paranapuã e o Museu Maria da Fontinha distinguiram pintores, músicos, artistas plásticos, poetas/escritores, Autoridades Religiosas, estudantes, docentes, bibliotecários, investigadores, advogados, empresários, editores/jornalistas, artesãos, associações culturais, autarcas e personalidades que no percurso de vida têm prestado relevantes serviços em prol da cidadania, da cultura e da lusofonia. António Maia Nabais, Isabel Silvestre, José Alberto Sardinha, Daniel Café, Adélio Amaro, Paulo Cardoso, José António Santos, Aurora Simões de Matos, Isabel Cristina Santos, Marisabel Moutela, António Borges, Luís Filipe Vasconcelos, Alexandrino Matos, Rui Costa, Filipe Marado, Maria José Quintela, Jorge Ferreira, Luís Costa, Associação Cultural de Nodar, foram alguns dos homenageados. O escritor, advogado e museólogo Arménio Vasconcelos, director-presidente do Museu Maria da Fontinha, museu do Território do Vale da Paiva e Serras e da Academia de Letras e Artes Lusófonas, foi condecorado pela Academia de Letras e Artes de Paranapuã pelos valiosos serviços concedidos à lusofonia. Uma demonstração eloquente do reconhecimento e respeito pelo humanista Arménio Vasconcelos e pelo trabalho que está a realizar em Portugal e nos países lusófonos em favor do desenvolvimento, apoio e divulgação da cultura. Para além dos actos e cerimónias alusivos aos 25 anos do Museu Maria da Fontinha, o dia 8 de Agosto de 2009 foi escolhido para a implantação e posse dos membros fundadores da Academia de Letras e Artes Lusófonas (nos oito Países da Lusofonia e em algumas Comunidades onde se fala a nossa língua) - cidadãos imbuídos do espírito associativo manifestando disponibilidade em assumir e desenvolver projectos que visam estimular valores de cidadania e promover acções de carácter cultural lusófono em todo o mundo, assim como conferências, seminários, simpósios, criação de áreas de pesquisa, centro de documentação e alargamento do intercâmbio cultural entre estas nações para que estimulem a cooperação e o elo em comum - a Língua Portuguesa. O Encontro da comemoração dos 25 anos do Museu Maria da Fontinha contou com a projecção de filme e apresentação de livro respeitantes aos núcleos museológicos do Vale da Paiva e Serras abrangendo o património musical desta Região, os Cantares de Manhouce, a voz de Isabel Silvestre acompanhada pelo pianista Alexandrino Matos, recolhas musicais do Etnomusicólogo José Alberto Sardinha, bem como o Santuário da Senhora de Rodes e o “fabrico” dos barros pretos de Ribolhos. A Musealização do Vale da Paiva e Serras compreende 50 núcleos museológicos abrangendo património arqueológico (megalitismo e outros), geológico (geossítios, trilobites, pedras parideiras, etc.), histórico (Rodes, Ermida e muitos outros), religioso (mosteiros, igrejas e capelas), artístico e etnográfico (museus de Arouca, Maria da Fontinha e outros), paisagístico, artesanal, gastronómico e musical. Nesta comemoração, foram várias as localidades de Portugal que estiveram presentes: Alcanena, Leiria, Alvarenga, Arouca, S. Pedro do Sul, Lamego, Torres Vedras, Castro Daire, Évora, Nodar, Resende, Setúbal, Amadora, Lisboa, Vila Nova de Paiva, Batalha, Viseu, assim como outras dos restantes países lusófonos onde se irão projectar o futuro destas células da Lusofonia, sempre com vontade, arte, cultura e verdade. Juntaram-se ainda a este Encontro, cidadãos de Goa, Macau, Canadá, França, Suíça, Alemanha, EUA, Reino Unido, Espanha; amigos e companheiros vindos das terras onde se expressam em Português. O Ministério da Cultura, o Governo Civil do Distrito de Viseu e a Câmara Municipal de Castro Daire marcaram presença, neste dia, no Museu Maria da Fontinha.

segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Museu Mª da Fontinha - em Além do Rio, Castro Daire - Solenidades do dia 8 de Agosto 2009 -

Museu Mª da Fontinha
http://casamuseumariadafontinha.blogspot.com/
http://museufontinhapintura.blogspot.com/

http://museufontinhaescultura.blogspot.com/
http://museufontinhalivros.blogspot.com/

Solenidades do dia 08 de Agosto, a partir das 13H45, nos Jardins da Fontinha, em Além do Rio, Castro Daire.

Nascimento do Museu Mª da Fontinha; criação, com apresentação de filme e livro alusivos, do Museu do Território do Vale da Paiva e Serras com 50 núcleos museológicos, bem assim da apresentação de elementos da recém criada Academia de Letras e Artes Lusófonas -ACLAL, com mais de quinhentos membros fundadores, nos oito Países da Lusofonia e em algumas Comunidades onde se fala a nossa língua, pelas sete partidas do globo.

http://armenio-vasconcelos.blogspot.com/

sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Palavras adormecidas e outras vozes...






- Truz-truz!
- Entrai. Sede bem-vindos.
Iniciada a viagem, diante de nós a memória é o caminho do indefinido, dum mundo de imprevisto, diálogo incessante da dinâmica da Vida, simbiose entre o futuro, o presente e o passado.
Com todos os que dão magia e sonho à palavra escrita, comungamos.
É com encantamento que, nestes encontros, o pensamento perscruta a dimensão criativa, esta riqueza humana desperta de conhecimento.
Celebra-se a peregrinação das palavras adormecidas.
Continuaremos, essencialmente, na busca da essência do tempo, vivenciando em pleno fontes de alegria da profundidade do Ser.
Ali, no cimo do monte, parados no interior do automóvel, a uma escassa meia dúzia de quilómetros depara-se-nos a aldeia que se estende por vastos terrenos constituídos por vales e várzeas.
Abrigada pela privilegiada beleza da Serra, uma graciosa terra transmontana de gente notável e provida de talento se avista.
Ventanias de aromas povoam as casas de pedra da aldeia do mundo. Um caleidoscópio de manifestações de regionalismo pleno atinge a constelação de todos ao som de instrumentos musicais tradicionais, guitarra portuguesa, bandolim, audição de música clássica e salmos.
Chamavam-lhe aldeia do trabalho. Vales e pedras cobriam os seus terrenos de lavradio e recantos, que homens foram talhando ao longo dos séculos. A quinta, abundante de tudo, renascia todos os anos cansada de trabalhos corpulentos. A mina permanecia firme e a água, fonte da vida da aldeia, continuava a correr límpida e fresca.
Aquele solo era amado por Deus, como um filho.
O simbolismo dos Anjos esculpidos em pedra pelas mãos de mulheres e homens, reunidos no alpendre da capela, junto da mãe-torre, perpetuam no céu a mensagem de Aleluia das vozes do campo, do vale, da montanha e dos sonhos das crianças.
Descendo a encosta pela estrada macadame, dirigimo-nos à aldeia de infância de Francisco. Olhamos os lameiros, os trabalhos de terraplenagem iniciados nos lugares das Almoínhas, nos Casarelhos e na Corriça. O começo da instalação de bocas de rega para os novos pomares já se avizinha.
Junto ao casarão o quintal estava a ser tratado pelo primo António, mais velho cinco anos, que ficara a viver na aldeia, enquanto Francisco decidira ingressar na vida militar, fazendo algumas comissões no Ultramar, com regresso definitivo à Metrópole nos anos sessenta.
Dirigimo-nos ao pátio secular, de uma beleza incomparável, onde os amores-perfeitos, a trepadeira de lilases e as rosas despontavam luzes, cores e odores celestes todas as madrugadas. As sombras, os canteiros e os bancos arrumados despertavam os convidados a sentirem a auréola, procurando num desabrochar duma planta a mais pura e incognoscível manifestação da natureza.
Os arbustos, verdadeiros arautos da essência do porvir, cresciam junto às largas escadas, por onde Francisco subira para entrar em casa.
Entre velhos manuscritos caligrafados em folhas de papel velino e uma vela de candeia, Francisco vai enxergando os vultos das letras e os desenhos assimétricos que sua mãe Amália lhe deixara. As folhas já soltas, envolvidas por um xaile, no interior da arca, vêm reconstituir um lugar no tempo da sua íntima emoção. A toalha branca do Domingo de Ramos, o âmbar e a cidreira repousavam junto das cartas de sua mãe.
Sozinho, no quarto de seus pais, vai examinando as estampas, as escassas fotografias e os catálogos amontoados nos móveis da casa de pedra.
A trovoada fulgurante prolongava-se pela madrugada e os clarões rasgavam silhuetas nos muros da sua memória.
Quando a saudade toldava o coração, no sentimento de Francisco penetravam as mais diversas palavras agridoces, paisagens e vozes vivificantes.
Recorda as imagens de seu pai, homem de cérebro arrojado que procurou no próprio conhecimento, o entendimento, a vida, o seu sentido e o seu valor, sentado na eira, nas noites de Verão, balbuciando episódios do quotidiano.
A recitação de poesia partilhada pelo encontro de gentes da terra, de outros lugares e sentimentos, envolvia-os em viagens nómadas, inéditas, singulares, de imagens telúricas e saborosas.
Ficamos dias, sem pressa.
Demoramo-nos nos diálogos férteis de inteireza humana.
Revisitamos os compartimentos, os olhares profundos e os rostos familiares. Ali, naquele lugar, as vozes vinham ao encontro de todos.
Entre dois nacos de boroa, um caldo feijão e um bolo de cenoura, acende-se o fogo quente no rés-do-chão, que depois há-de servir para aquecer as longas horas dos serões.
A grande mesa rectangular estendia-se pela sala rústica, onde todos se reuniam para dividir o conduto e o trabalho. Cenário de diversos instrumentos espirituais, religião, superstição, ciência e filosofia, nela cabiam todos. Irmãos, primos, tios, pais e avós de Francisco, ali, edificavam projectos, venciam rotinas do trabalho braçal, diziam histórias, falavam dos estudos e da escola na aldeia vizinha, tocavam músicas da Banda Filarmónica, contavam a jorna e rebuscavam sonhos longínquos de novos céus. Eram deleitosos os convívios, profícuos em trabalho e em humanidade.
Já o céu estava povoado de silêncios, quando nos recolhemos na oração, de joelhos junto ao oratório, num momento de resignação.
Por fim, reinventamos as palavras adormecidas e outras vozes. Vozes dos anjos, vozes de pedra, vozes de estrelas, guardiãs da nossa própria consciência.

Cristina Correia, in Percursos - 2006

quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Uma Palavra


Aurora Duarte Simões de Matos nasceu em Meã, concelho de Castro Daire, em 1942. Fez estudos secundários no Colégio de S. Tomás de Aquino em S. Pedro do Sul e no grande Colégio Português em Viseu. Em 1960, diplomada pela Escola do Magistério Primário, iniciou a sua carreira de docente que passaria pela Educação Especial. Colaboradora de vários órgãos da Imprensa Regional, publicou em 1997 o seu primeiro livro de poesia "Poentes de mar e serra", com o apoio da Câmara Municipal de Castro Daire. Foi distinguida em 1998 com o Galardão da Casa-Museu Maria da Fontinha, como "poeta, notável cantora das nossas serras e gentes, pelos relevantes serviços prestados à cultura".
UMA PALAVRA - Livro de subtilezas, sonhos, dores, amores, esta obra de Aurora Simões de Matos é uma descoberta irresistível. Semi-ocultos, semi-diluídos mas não inexistentes, os gestos, os sentimentos ganham nela luz e memória de singular repercussão. O poético, o feminino (não no sentido feminista), o religioso (no sentido de religador), o cúmplice (no sentido de partilhável) atingem aqui respiração e significado invulgares. Escrita de tonalidades imprevisíveis, a obra desta autora afirma-se uma descoberta irresistível. Lê-la devagar é imergir num universo de tons intensos onde a natureza (as estações do ano balizam o seu novo livro) ganha uma pujança que nos envolve para sempre. A harmonia da prosa e do verso, dos olhares e dos sentimentos não tem fronteiras, tudo dilata, acrescenta-nos. (do prefácio) Fernando Dacosta (escritor)

sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Histórico do Museu Maria da Fontinha


Histórico do Museu Maria da Fontinha
Museu Maria da Fontinha, em requalificação até Maio de 2009
Este Museu foi construído durante os anos de 1982 e 1984; situando-se num local de beleza deslumbrante. Do edifício vêem-se dezenas de aglomerados populacionais, predominando os verdes dos montes, os amarelos vivos dos tojos e giestas, os roxos e lilases das urzes e dos rosmaninhos e todo o Vale do Paiva. Aí, em casa centenária, viveu uma Mulher, exemplo de Mãe e Cidadã, cuja bondade ainda hoje é recordada pelos mais idosos, seus contemporâneos. Muito se tem escrito sobre Maria do Carmo do Rosário, de seu nome, do Museu da Fontinha, do lugar de Além do Rio. Viveu 73 anos, tendo falecido na Cidade do Rio de Janeiro, em 3 de Maio de 1970, aquando da sua primeira visita ao Brasil, a rever os dois filhos que aqui aí se encontravam desde a década de quarenta, desempenhando funções de Direcção na empresa “Mateis e Cª Têxteis”, na Rua dos Beneditinos, primeiro e na Rua Visconde de Inhaúma, depois. Descendentes, brasileiros, deixou e existem filho, nora, três netos e cinco bisnetos. Os seus restos mortais encontram-se hoje no Jazigo da Casa da Fontinha, cuja construção, de estilo “clássico”, totalmente de granito maciço, contém o seu sarcófago, específica e artisticamente concebido, de acordo com o seu merecimento.É desde sempre íntima a relação das suas gentes com o Brasil que todos admiram e amam; sendo certo que quatro irmãos na Maria da Fontinha aqui estão sepultados e cá vivem seus filhos, netos e bisnetos, todos brasileiros. Foi inaugurado o Museu, em 5 de Agosto de 1984, pelo Presidente da República Portuguesa, General António Ramalho Eanes e Exma. Esposa, com a presença do então Ministro da Cultura, Dr. Coimbra Martins; representante dos Embaixadores do Brasil, Espanha e Autoridades diversas.É, eventualmente, o Museu particular do País mais completo e com maior número de obras. Assim, do seu acervo, constam hoje cerca de 1400 quadros, 250 esculturas; centenas de peças e alfaias de etnografia; milhares de exemplares de mineralogia e geologia; idem, de moedas romanas; porcelanas “Companhia das Índias”; faianças e cerâmicas portuguesas; curiosidades diversas e, inequivocamente, o maior acervo de pinturas (cerca de 300), esculturas (cerca de 30) e peças, oriundas do Brasil e ou de Autores Brasileiros (neste momento, talvez o maior acervo no exterior ao Brasil).As entradas são gratuitas. O Museu é financiado inteiramente pelo seu Director e pelas empresas de que este é Administrador, v.g. São Macário Turismo, Mariparque, S.A., Pousos Alegre-Empreendimentos Turísticos de Leiria, S.A., Aldeamento Varandas do Lis e Reimobil-Imobiliária da Quinta do Rei, Lda. O seu Director, ou pontualmente outro “Amigo do Museu”, em representação desta, actuam, como jurados, sistematicamente, em Concursos de Pintura e Escultura. A Capela do Museu, está dotado de frescos, de rara beleza e sensibilidade que ali foram pintados, durante meses, pela Brasileira, Maria Alcina Castelo Branco. Nesta deparam-se-nos também 14 peças artísticas do grande escultor Francês, do séc. XIX, “DUTRUC”. Do seu acervo constam cerca de 700 Artistas, pelo que seria fastidioso nomeá-los. No entanto, dos já falecidos, sempre se referem originais de Soares dos Reis, Teixeira Lopes, Jorge Barradas, António Paiva, Delfim Maya, José Rodrigues, António Duarte, António Santos; e muitos outros, quanto a escultores Malhoa, Sousa Pinto, Smith, Cândido da Cunha, Carlos Reis, Silva Porto, Columbano, Alves Cardoso, Abel Salazar, Manuel Filipe, Rezende, Anunciação, Domingos Sequeira, Vieira da Silva, Arpad Szenes, João Vilaret, António Saúde, Eduardo Viana, Dali, Lozano, António Carneiro, e Di Cavalcanti, Glauco Chaves, Carlos Gomes, Cordélia Andrade, Sampaio Parreiras, José de Dome e Óscar Tecídio e muitos outros, pintores. Estão ali representados, hoje, mais de 170 Autores Brasileiros. Em 2000, levou a efeito dez grandiosas exposições, compostas de 500 peças (pintura, escultura, “vária”), do Brasil, em 10 cidades do País, com o tema “BRASIL 500 ANOS”, as quais foram em todos os locais muito apreciadas. Possui as medalhas dos Concelhos de Castro Daire, Batalha, Figueiró dos Vinhos e das Cidades de Pinhel, Leiria, do Embaixador Jean Dawalibi, da Ordem dos Advogados, da Casa-Museu Rosália de Castro; Galardão da Sociedade Artística e Musical de Pousos, do Rancho da Região de Leiria, da Casa do Minho do Rio de Janeiro, do Coral do BNU, da Tertúlia Vimaranense (Cidade de Guimarães). Tem sido muitas vezes ao longo da sua existência divulgada em revistas e jornais.Visitaram-na já Presidentes, Embaixadores, Ministros, Bispos e milhares de Artistas que deixam sempre as suas favoráveis e enaltecedoras opiniões (espanhóis, franceses, alemães, ingleses, brasileiros, argentinos, mexicanos, israelitas, moçambicanos, angolanos, irlandeses, russos, ucranianos e italianos, nomeadamente). Constitui-se, actualmente o “Grupo Museológico do Automóvel Antigo e Clássico”, compreendendo já 57 unidades, desde 1909 a 1980; com exemplares raríssimos a outros que são lenda e ou pertenceram a personalidades mundiais. É intenção firme autonomizar-se do existente, todo o património artístico de raízes brasileiras, constituindo-se o “Grupo Museológico de Artes Brasileiras”, cujas Salas, à semelhança do que se nos depara actualmente, terão, cada uma, o seu respectivo Patrono, dentre os Grandes reconhecidos; os quais são, felizmente, muitos. Estreitam-se cada vez mais as relações do Museu com os Artistas Plásticos do Brasil e com Instituições Culturais que os representam. Tal movimento vai, por todos os meios disponíveis, ser incrementado, para enriquecimento do Belo, da Arte, da Beleza, e das relações entre o Brasil e Portugal.
Publicada por Arménio Vasconcelos

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Mulher Mãe

Do meu mar imenso extravasa, fronteiras
que das lembranças do meu ser, tua visita é presença.
E do meu olhar das parcelas dispersas, até à eternidade,
sinto teu olhar intranquilo, aveludado...
Até sorver o pensamento do universo
comungamos palavras adormecidas e outras vozes...
Ressuscito poemas e nas vozes dos anjos,
ventanias de aromas povoam as casas de pedra da aldeia do mundo,
o âmbar e a cidreira repousam junto das nossas memórias,
almas unidas até além da morte... Mulher,
somos verbo, pujança e trilho.
E quando o céu povoa silêncios, recolhemos
e reunidas reinventamos as palavras
adormecidas nas vozes de estrelas,
guardiãs da nossa consciência, eternamente. E lutamos.
Cristina Correia

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

A Música no período de Da Vinci e o seu Desenvolvimento

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domingo, 7 de Junho de 2009

Ardínia e Tedo e Outras Lendas de Lamego — Agenda Cultural Fnac

Ardínia e Tedo e Outras Lendas de Lamego — Agenda Cultural Fnac

sábado, 6 de Junho de 2009

Douro Sentido

quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Biblioteca Nacional


sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Mário Brochado Coelho


Biografia de Mário Brochado Coelho

Nasceu a 2 Julho de 1939 em Vilar do Paraíso, Vila Nova de Gaia.

Estudou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra entre 1956 e 1962. Expulso por motivos políticos da Universidade de Coimbra pelo prazo de 30 meses, concluiu a licenciatura na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Advogado de presos políticos nos Plenários Criminais do Porto e Lisboa, foi advogado do Sindicato dos Bancários do Norte, com intervenção na criação da Intersindical.

Advogado da acusação particular no caso do assassinato pelo MDLP do Padre Maximino de Sousa e da estudante Maria de Lurdes Correia – 1977/1999.

Membro coordenador do Tribunal Cívico Humberto Delgado – 1977/78.

Consultor jurídico, desde 1974, de inúmeras associações de moradores do Grande Porto. Consultor jurídico dos Serviços Municipalizados de Águas e saneamento, de 1982 a 2002. Provedor do cliente dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento do Porto, entre 2002 a 2006.

Foi eleito duas vezes como deputado municipal no Porto, em 1977 e 1981.
Agraciado em 2006 pelo Presidente da República com a Ordem da Liberdade.

Principais publicações (para além de colaborações na imprensa e em revistas):

-“Em defesa de Joaquim Pinto de Andrade”, Afrontamento, Porto, 1971

- “Uma farsa eleitoral – o caso do Sindicato Metalúrgico de Aveiro”, Afrontamento, Porto, 1973

- “Lágrimas de guerra”, Afrontamento, Porto, 1987 (diário)

- “Cinco passos ao sol”, Afrontamento, Porto, 1991 (poesia)- “A liberdade sindical e o quadro estatutário das associações sindicais”, CEJ/IGT, Coimbra Editora, 2004

quinta-feira, 28 de Maio de 2009

ESPAÇO CIDADÃO

ESPAÇO CIDADÃO

Para votar... Sabe onde está recenseado?

Para confirmar o seu recenseamento para as eleições basta que escreva o seu nome, n.º do Bilhete de Identidade e data de nascimento... e pode fazê-lo aqui.

quarta-feira, 13 de Maio de 2009

VIAGENS


quarta-feira, 6 de Maio de 2009

Tempo das águas... tempo das árvores

Ficarei para sempre no tempo incerto
dos silêncios,
junto às árvores_____quedo-me tranquilamente
e, escrevo nas águas "memórias do sempre"
sílabas de paz,
por fim,
reinvento as palavras adormecidas e outras vozes.
Foi para ti que criei as folhas de seda
que atapetam o ninho das águas
e irmanam com as árvores do mundo.
Ficarei para sempre no tempo incerto
dos silêncios,
junto às árvores_____sei que as agarro
durante as minhas horas de existência
porque, essas sim,
são verdade,
espaços contíguos
das minhas rugas, que me concedem
caminhos de firmeza
e, me enchem de claridade.

A árvore dos valores

Esta é a nova "árvore dos valores", que foi pintada pelo Edu, um artista local, para alegrar os jardins da Casa Emanuel http://www.casaemanuel.org/
No pequeno "oásis" que é esta casa, nos arredores de Bissau, não se esquecem valores como a liberdade, a paz, o trabalho, a compaixão, a coragem, o amor e a criatividade.
Bem hajam!
http://sorrisosemcor.blogspot.com/

Mobiliza-te!


Mobiliza-te!
Sabiam que...
800 milhões de pessoas não têm acesso a comida suficiente para se alimentarem?
1.100 milhões de pessoas sobrevivem com menos de 1 dólar por dia?
1.200 milhões de pessoas não tem acesso à água potável?
10 milhões de crianças não sobrevivem até aos 5 anos por causas que podem ser evitadas?
50 milhões de pessoas em todo o mundo são afectadas com o VIH-SIDA?
10% da população mundial desfruta de 70% das riquezas do planeta...
Não será motivo para parar e pensar como podemos agir?
Desconhecimento não é desculpa.
Não fiquem indiferentes.
Mobilizem-se!
www.pobrezazero.org

Junto às árvores

Sei que a voz do olhar tem silêncios
e o mutismo domina o tempo
nas teias dos espelhos minguados.
Se soubessem quanto espreitamos
a memória dos silêncios
entre o genuíno e a perplexidade da consciência
jamais exerceriam actos disformes.
Junto à memória o conhecimento
imbuído em palavras verdade,
como é frágil o Ser,
e tão lúcido o pensamento.
A generosidade das árvores
não tem fim,
sei que as agarro
durante as minhas horas de existência
porque, essas sim,
são verdade,
espaços contíguos
das minhas rugas, que me concedem
caminhos de firmeza
e, me enchem de claridade.
Restou tanto por dizer
um vestígio de um olhar,
um refúgio no tempo.
Entre as metamorfoses a liberdade é caminho
para ler a voz do olhar e dos silêncios.
Ficarei para sempre no tempo incerto
dos silêncios,
junto às árvores.

quarta-feira, 29 de Abril de 2009

onde a bondade ainda brilha


Terra de ninguém

Imagino que à passagem do tempo
somos uma estância em metamorfose,
percorremos o limite da utopia
a cada batimento da terra
e, só o silêncio nos é revelado.
Basta ler os lugares dos sonhos
e, de quem os habita.
Mas, na orla infinita do tempo incerto
da passagem da nossa existência humana
há ainda versos por ler
no enleio do fio dos dias.
Nada que agrida me é semelhante.
Nada que floresça me é indiferente.
Atravesso desertos
e, nos desencontros
descubro sinais visíveis, mil reflexos
de sustos e refúgios.
Inocularia na humanidade
alimento indispensável
para as almas da terra de ninguém,
onde a bondade ainda brilha.
Oiço, apenas, a memória que madruga
no envelhecimento da paz.
Cristina Correia

terça-feira, 28 de Abril de 2009

Silêncios

_____é, por vezes, um murmurar de silêncios… que só ao poeta lhe é dado o condão de decifrar.



Camilo Castelo Branco " Os Amigos"

A palavra reveste uma indiscutível força poética, uma narração em torno de uma emotividade essencial ao Humanismo. E é justamente através da emotividade - na força poética da palavra - que o poeta desencadeia o dispositivo da criatividade no leitor e que floresce a partir do diálogo. Dá-se, assim, o enlace entre a alma e o humanismo, a única e singular assinatura do mundo - o respeito, o afecto e amizade que damos uns aos outros. CCcerne e verso.
Camilo Castelo Branco "Os Amigos"
Amigos cento e dez, e talvez mais,
eu já contei. Vaidades que eu sentia!
Pensei que sobre a terra não havia
mais ditoso mortal entre os mortais.
Amigos cento e dez, tão serviçais,
tão zelosos das leis da cortesia,
que eu, já farto de os ver, me escapulia
às suas curvaturas vertebrais.
Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
Dos cento e dez, houve um somente
que não desfez os laços quase rotos.
- Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver". . .
- Que cento e nove impávidos marotos!
Camilo Castelo Branco

segunda-feira, 20 de Abril de 2009

Fado na Fnac (Porto) com Filipe Marado

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NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA




NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA

http://novaaguia.blogspot.com/

terça-feira, 24 de Março de 2009

II Antologia de Poetas Lusófonos



Mais um elo para a Lusofonia
Escrever é algo mais do que espalhar letras, entornar palavras ou construir frases. Escrever é transmitir ideias, é concretizar desejos, é realizar sonhos, é prolongar a firme voz de comunicar. Escrever é cunhar identidade pela diversidade cultural que une países, regiões, cidades e aldeias.
A Lusofonia não é apenas um conjunto de países onde se fala a Língua Portuguesa. A Lusofonia está espalhada por todos os países do Mundo. Em todos eles existe alguém que fala ou escreve esta tão amada Língua.
Neste Planeta, em que parte da sociedade o considera global, não existem fronteiras para a Lusofonia nem para a Poesia, como defendia António Gedeão: “Minha aldeia é todo o mundo”.
A II Antologia de Poetas Lusófonos surge com os objectivos nobres de promover a Língua Portuguesa, de promover a Lusofonia e de promover os Poetas que espalham as suas veias inspiradoras por todo o Mundo, tal como o fizeram os grandes vultos da Lusofonia, com especial destaque para o Padre António Vieira, que além da Língua conseguiu unir Continentes.
Este é um livro que tenta unir regiões de vários Continentes. Unir poetas que nesta aldeia global, conseguem unir esforços e vontades para levar a efeito este livro.
O Padre António Vieira deixou escrito que um “Livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”. Este livro é apenas mais uma semente lançada ao vento e que, de certo, irá ajudar a promover a Lusofonia no meio de um acordo que já se discute desde o século XIX.
A II Antologia de Poetas Lusófonos apresenta, nestas quase 500 páginas, 134 poetas de 11 países: Angola, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, França, Índia, Inglaterra, Moçambique, Portugal, Suíça e Timor.
As poesias que tatuam as páginas deste livro não são todas de índole académica. Queremos, também, dar voz à poesia mais popular. Mas, uma coisa é certa: neste livro todas as poesias têm mensagem. Todas elas transmitem sentimentos. Todas elas cantam a mesma Língua. E mais, todas elas nasceram tão distantes umas das outras e conseguiram um elo de verdadeira união através da II Antologia de Poetas Lusófonos.
Este livro nasce de uma grande força de vontade, bem espelhada por todos aqueles que nela participam. E, essa força, nasce em cada um dos 134 poetas destes 11 países, que desejaram e conseguiram saltar este obstáculo, que é a fronteira invisível das nações. Alexandre Herculano defendia que “o erro vulgar consiste em confundir o desejar com o querer. O desejo mede obstáculos; a vontade vence-os”.
Esta é uma Antologia que atravessa Oceanos, une Continentes e espalha Mensagens pelo punho de cada um dos 134 Poetas.
A todos eles e a todos aqueles que permitem que a II Antologia de Poetas Lusófonos seja uma realidade, tenho que deixar em nome das equipas editorial e técnica, os mais cordiais e sinceros agradecimentos.
Um especial agradecimento para as Associações, Academias e Instituições que ajudaram a divulgar o regulamento da II Antologia e, um grande abraço a todos os Poetas.
Como escreveu o poeta açoriano, Armando Côrtes-Rodrigues, “O mar da minha vida não tem longes”.
Até à III Antologia de Poetas Lusófonos.

Adélio Amaro

Coordenador Editorial

sexta-feira, 20 de Março de 2009

No corpo já almeja outro mar... minha África














Éramos peregrinos,
cruzámos nossos olhos
dispersos em fragmentos
no rumor do porto rio...
enterraram-se no tempo como farpas.
Hoje,
que eu já não sei
senão eu,
só levo uma mágoa,
um lamento, neste berço de anciania.
A memória devolve
minha ânsia de serenar
esses rostos... indiferentes
descem do crepúsculo em brumas brandas.
Quando o derradeiro pássaro perecer,
não pertenço mais à vida.
____________________________________...

Oh! tempo da minha infância!
Manto bordado de Deus!
Deixa-me fitar-te,
somente sou, quando em verso...
E no regresso
tudo coube no olhar com que não vi...
...____________

A bonina da fé
portadora dos poetas, dos afagos.
Minha face em luto,
labirinto envelhecido
e, sem saber de mim
brota no intervalo do tempo
a lembrança de uma ruga.
Minha face em cinza,
morre sem renunciar um corte, um risco, uma névoa
e, por vezes, num segundo se aprisiona
o momento.
___________________________...

Quando o derradeiro sopro findar,
não pertenço mais à vida.
E tocará esse piano
neste descaminho benigno,
não conhecendo quem o escute.
Só de longe e recôndito,
o espírito em que habita
tacteará meu rosto
sobre o regaço morno
dum livro cálido
tocado pela emoção.
Sei que já nada é querido.
Venha a viagem quando Deus quiser.
Enquanto houver uns olhos que brilham,
outros olhos que os fitam,
pende meu seio outro céu.
..._________________________

No corpo já almeja outro mar,
minha memória, minha África,
Oh! tempo da minha infância!

CCorreia
do Livro "Amor razão maior"

Na terra das palavras



Abraço
Na terra das palavras
havia poemas e sonhos,
na tua mão eu os colhi.
E na seiva do teu olhar
fui plantar folhas de seda
que colhi no alto mar
preciosas, só para ti…
Sete abraços enfeitaram
pedaços da terra do céu,
sete silêncios cantaram
os Anjos,
melodias, junto de mim
perto de ti…
...____________________
Aqui jaz
o túmulo do âmago
e o silêncio dos guiados.
Viesse um vento...
eu poderia elevar a vela
num cântico além-mundo.
As mãos cansadas
cantam um poema livre,
a qualquer hora de solidão,
palavra fértil
num vazio derrotado...
Onde cabe o nada
abundam sementes
a anuir
sempre com alma
a embrulhar silêncios...
O cordão umbilical,
o cheiro a rosas,
sabor a lágrimas...
nostalgia.
..._________________
O contentamento desmedido, o suspiro
e a saudade perpétua do nascer.
...__________________________________
Convivo
com brandura
o momento.

CCorreia
do Livro "Amor razão maior"

quinta-feira, 12 de Março de 2009

um fio de memória




















Poeta
Tu sabes, não sabes!
Como, por vezes,
é difícil fazer o sol brilhar.
No palmilhar do sonho
a vontade em alcançar
um sorriso na primavera
uma rosa, uma quimera
é, por vezes, um murmurar
de silêncios…
que só ao poeta lhe é dado
o condão de decifrar.
...
Chama-se destino à senda da vida!
Desassossego, incerteza, receio,
sonhos adiados, escondidos
risos e lágrimas que desaguam
junto do rio,
um fio de memória.
Longe, está plantado o meu canteiro
feito de dor, trabalho e histórias
...
Ah! poeta
Tu sabes, não sabes!
Como, por vezes,
é difícil fazer o sol brilhar.
CCcerne e o verso

O enlace entre a alma e o humanismo

A palavra reveste uma indiscutível força poética, uma narração em torno de uma emotividade essencial ao Humanismo. E é justamente através da emotividade - na força poética da palavra - que o poeta desencadeia o dispositivo da criatividade no leitor e que floresce a partir do diálogo. Dá-se, assim, o enlace entre a alma e o humanismo, a única e singular assinatura do mundo - o respeito, o afecto e amizade que damos uns aos outros. CCcerne e verso

Mulher de eleição "Maria José Quintela"





O prazer de ler os livros de Maria José Quintela, Um olhar não basta, Julho de 2006, publ. Pena Perfeita, e O mundo fica irreal, mas não me importo, Garça Editores, 2007.

em pleno voo os pássaros abandonam a sua sombra
http://dolugardemim.blogspot.com/

domingo, 8 de Março de 2009

Dia Internacional da Mulher

«Diz-me, Mulher Coragem, em que porto brotam os caminhos do pensamento - verdade, da luz, da justiça, da liberdade... Se houver, hão-de estar no fundo da tua arrojada alma...» CCorreia
Relembramos...

boas razões para...


LER...


a Leitura é um prazer...

Fernando Amaral

Fernando Amaral

Natural de Lamego e licenciado em Direito, Fernando Monteiro do Amaral foi Vereador da Câmara Municipal de Lamego, Presidente da Assembleia Municipal de Lamego e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Exerceu funções de Deputado à Assembleia Constituinte e de Deputado à Assembleia da República nas I, III, IV, V e VI Legislaturas. Ocupou a pasta da Administração Interna e foi posteriormente Ministro adjunto do Primeiro-Ministro, nos 7.º e 8.º Governos, respectivamente. Exerceu as funções de Vice-Presidente e Presidente da Assembleia da República durante três mandatos (1983-1987). Entre 1985 e 1987 foi designado para o cargo de Conselheiro de Estado. Nos dois anos seguintes foi Deputado à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, da qual foi também Vice-Presidente. Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
http://www.parlamento.pt/VisitaVirtual/Paginas/BiogFernandoAmaral.aspx

--Publicada por manuel afonso em cogitar a 3/07/2009 03:01:00 PM

terça-feira, 3 de Março de 2009

Movimento Elista

. O Movimento Elista foi fundado em 8 de Agosto de 1959 pelo Dr. Eduardo Dias Coelho, médico da Sociedade Portuguesa de Beneficiência e membro do conselho deliberativo da Associação Atlética Portuguesa, em São Vicente, no local denominado Prainha, localizado defronte da enseada onde ancoraram as caravelas de Martin Afonso de Souza.
. As atividades das unidades elistas na Comunidade Lusíada são norteadas pelos elevados ideais comunitários consubstanciados nos seguintes princípios gerais:
. O Elismo é um movimento de congregação de valores humanos dispostos ou, pelos menos, predispostos a defenderem a aliança e a promoverem a boa compreensão dos povos de língua portuguesa. Veículo de propagação e de defesa dos ideais que formam a comunidade lusíada é também o Elismo, por decorrência e paralelamente, fonte de alta confraternização de quantos nele se integram. Tendo por trilha o idioma português, pois, fadado a se expandir por lugares os mais diversos e distantes, sejam quais forem as suas peculiaridades locais próprias e típicas, o Elismo é um símbolo de manutenção e de garantia da sobrevivência, em qualquer lugar do mundo, de princípios e ideais que a língua mater conferiu e consolidou nos homens de todos os tempos.
. Um Elos Clube jamais poderá ser entendido como unidade isolada. Cada ELOS é simples fração de um todo; é mera parte de um conjunto; é uma peça de engrenagem; é um elemento que se prende a outros tantos que hão de formar poderosa corrente de pensamento e de ação, em função de idéias e fins comuns. Situado acima das contingências de formulações políticas internas de cada país, o ELOS respeita o sentir e as convicções de cada elista como cidadão, alheio a sistemas de governos e a doutrina de governantes, desde que não subversivos. Também os não distingue por sua condição social, econômica ou religiosa, já que os equaciona na linha de rígida conduta moral e de adesão aos fins da entidade. Reclama o ELOS, a par da união das pessoas que falam e dignificam a nossa língua, a sua identificação na soma de suas forças e esforços para, no campo espiritual, darem vivência e relevância a valores éticos e históricos e, no terreno material, postularem para que tornem práticas e objetivas as recomendações que, no interesse da família lusíada, venham a ser ditados por tratados, convenções e protocolos oficiais.
. Todo elista nivela-se por um mesmo conteúdo moral e por uma mesma dose de idealismo na luta pela congregação das pessoas que, onde estiverem, falem adaptem ou cultivem a língua portuguesa. Este, seu denominador comum. Pouco importam as suas desigualdades econômico-financeiras ou a diversidade sua cultura, cor, religião ou convicções políticas. O culto ao lar, o respeito à família, a veneração à pátria, o amor ao próximo; a honradez no trabalho, irrevogável idoneidade moral e inconsútil determinação de fazer vingar os objetivos sociais, tais os pressupostos de sua vocação elista que lhes cumpre procurar transferir às gerações mais moças, como reservas indispensável ao futuro do elismo e à sustentação da comunidade que o Elos simboliza.
. O Elista é, precisa e deve ser a expressão dinâmica de uma comunidade, a lusíada. Eduardo Dias Coelho

segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

Encontro de Poetas

Pegue-se num sonho
concedam-lhe que seja
Allegro moderato,
Adagio Melancolico,
um soprano, um solfejo,
uma clave de Sol,
uma visita
a verter um olhar e, com afeição,
receber em mão o perfume de uma rosa.
Será a hora então de escutar a esperança,
dádiva de Deus, repouso dos Anjos
num itinerário junto ao Douro.
CCorreia

diz-me, poeta amigo


diz-me, poeta amigo
em que porto brotam os caminhos do pensamento-verdade, da luz, da liberdade...
...
se houver, hão-de estar no fundo da tua abençoada alma...

diz-me, poeta amigo
o rio há-de trazer os recados de Deus...
...
o mar segredará os mistérios de ser e ser-se...

diz-me, poeta amigo
o abraço de Deus é luz, flor lilaz, trepadeira selvagem, vales e montes, árvores de ninho, nossos filhos, o dom da ubiquidade, fontes de hiatos vazios...

digo-te, poeta amigo
o abraço de Deus é um poeta amigo, também.
CCorreia

sábado, 21 de Fevereiro de 2009

ENCONTRO DE POEMAS


«há pensamentos nobres e poemas únicos que, uma vez lidos, nos inflamam a escrever poemas»


Encontro de poemas
O poema é a minha árvore_____
cuja flor é a sílaba na raiz
__ unge uma gota de chuva____
um substantivo breve.
Na minha árvore ateias perfume
e no adjectivo agigantado
coroas todos os meus versos______
Muitas vezes sinto o silêncio dos montes___
em voz alta, rezo de mãos postas,
a Deus
que me não falte.
Nunca pensei,
nesta comunhão de poemas
como se fossem troncos de árvores
a dizer oração
São gotas luminosas, cruzando-se_________
__ de mãos dadas, singulares
Talvez comparáveis________
a pegadas de Deus.

Recantos
Enquanto o poema não se cumprir
permanecemos
lírios.
Sonhar um verso puro________a reconciliar o tempo,
o branco entre as palavras,
o ar que envolve as horas,
para Te ler.
A incerteza de todos, os poetas,
mora nos hiatos,
na curva infinita,
sempre,
a reinventar forças_____sem colher um abrigo.
Juntos continuamos o caminho_______no qual,
as sílabas companheiras_______se entregam a completar silêncios_______
E, os rios acontecem.
CCorreia

ao monólogo de uma Ave Maria

Suspendo-me
vou ao encontro das palavras adormecidas,
da solidão
faço amor com os poemas,
cicio sílabas espalhadas no meu leito
onde se oculta o verso silencioso,
cristal devoção,
porque a alma, essa, remida,
só os deuses a tocam
num pulsar indomável de fantasia,
concilio-me com a natureza
ao monólogo de uma Ave Maria...
CCorreia

"Que fique só um monumento de palavras"

Que fique só da minha vida um monumento de palavras Mas não de prata Nem de cinza Antes de lava Antes de nada (…)Daquele nada que se aviva (…) Ou quando a morte nos avisa Ou quando a vida nos agarra (…) Fique porém de quanto sintaum monumento de palavras Mas não de bronze Nem de argilaE nem de cinza nem de mármore De fumo sim (…) E lembro tudo o que era simples antes do nada inevitável Mas que do nada ao menos fique um monumento de palavras David Mourão Ferreira

"Que fique só um monumento de palavras"

.porque o meu ser____ sustido pela vida e pela morte_________arquiva as palavras_ não somente dos poetas____mas dos seres___terrestres____dos pássaros____dos gatos_____do mar________dos rostos________dos sofrimentos____da guerra________da esperança_______do espelho do olhar_______das almas. .porque o tempo em que vivo___morre_____num porto de África____junto ao Geba_____onde nasceu. .porque se o tempo albergar______________como um rio___onde tudo flui_____ as quimeras_______dos humanos____Ah_então___________não haveria tempo ___para tantos séculos de história__________nem espaço para os tomos de ciências ancestrais. os rios também secam________e nem a cinza___nem o fumo___tinham os contos de Torga para narrar____..que do nada ao menos fique________ minha razão de viver________meu filho____ventre rasgado______para teu viver______meu monumento de palavras.
.porque do trabalho acordo-me_________ser aprisionado___________abre-se um lugar________no silêncio do poente dos dias_________e aos poetas só se pedem palavras____e_____silêncios__________________________________.
.porque somos assim________ numa guerra assimétrica___a doer_______a erradicar famílias_________somos assim humanos______de Deus. que fique só_____ um monumento de palavras____sem dor__sem mágoas. .porque o meu ser____ sustido pela vida e pela morte____arquiva sofrimentos____da guerra________da esperança_______do espelho do olhar_______das almas. CCorreia

"Basta que a alma demos"

Pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos. (…) Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que é do dia a dia. Sebastião da Gama

"Basta que a alma demos"


Ressuscito palavras e vozes__________ de anjos, e_____________ convivo a força do musgo que burila a fé no que temos.

.sem horas e minutos e segundos_________eu Te rezo sílabas contidas. Basta que a alma demos naquela pintura ardente que se debruça na água como um sopro morno de ar parado, de tanto olhar.___ sei que os caminhos

desdobrar-se-ão____________numa rota incerta__e___cruzo o mar para Te ler________ verbo___pujança e trilho._______o azul e o verde surgem dispersos___no horizonte___renasce_____ o odor da terra_______o genuíno labor.

.atapetam_______os meus sentidos____a saudade da infância___e o fado__ amacia___________o despontar da noite. sonham os olhos, serenos______ por entre os flancos pálidos dos vales__________da natureza mãe.e oro ao Menino Jesus._________ estranho tempo em mim se esgota________ os meus passos peregrinos caminham__________até à eternidade._______anjo luz_______o teu sorriso amanhece profético. vindima de silêncio________palavras cadentes________ incendeiam_______a esperança que talvez não teremos. inundou-se de luz___________vê_______como a neblina deixa na margem________a marca dos anjos.______se te digo__________que a alma demos__acredita_______que Deus em breve___________ numa calmante anestesia me levará_________daqui não sou__sou do pó__das cinzas.vou chorar saudades do meu filho__do meu único filho____.escrevo sobre os ombros já cansados__________do peso_da vida. CCorreia

sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

todos os sonhos do mundo

...Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo... Fernando Pessoa

"todos os sonhos do mundo"
.tenho em mim outras horas de tempo, hão___ de chegar todos os sonhos do mundo___simples como a vibração da luz do piano.hoje sou prece de todos os caminhos_______ metáforas dos Teus olhos._________________________________não sou desta era______viajei através do pó das antigas estrelas e vivi nas asas dos mortos______________escutei as almas_____________as minhas pálpebras quiseram gesticular pazes______________mas a humanidade não quis. ______________________________________
__a chorar os vivos_______respiro cada dia as assimetrias do quotidiano_______e_______convivo com os sonhos do mundo escreventes da minha memória_________________já sem rosto__________________que um dia voando por____________aí_________escutarei o sussurrar_____do meu coração a esquecer-se de palpitar novamente.___________________________________leva-me o vento no voo dos pássaros e aguardo um sinal de Deus para renascer_____ avistando o azul e um regaço___ que___ de___ mansinho_____________no silêncio da aragem me certifique que nascerei outra_______ vez______________unificada em terra.
existe um tempo por_______________________contar__distâncias______palavras__actos_____por reconstruir.chega um dia em que importa abraçar todos os sonhos do mundo____________sem naufrágios___________ tacteando cega como se a lucidez fosse_______apenas a vibração da luz do piano.____________________________________________________Dói-me a traqueia______as lágrimas sorvo-as___sal___ no rosto humedecido__________pálpebras_______tristes. as outras horas de tempo desaguam num chá de jasmim a hibernar nas minhas mãos sofridas. meu tempo está suspenso___________pela apnéia do som____ali onde a esperança se liberta da vida.
CCorreia

as outras horas de tempo

as outras horas de tempo…

Do desassossego dos sonhos/comungamos palavras adormecidas e outras vozes.../Do receio de escrever, de sentir/ressuscitamos poemas…/a olhar os lírios./das imagens dos anjos/das lembranças do meu Ser,/Tua visita é presença./Somos verbo, pujança e trilho./E quando o céu povoa silêncios, recolhemos/e reunidos, reinventamos as palavras/adormecidas nas vozes de estrelas,/guardiãs da nossa consciência, eternamente/pura./Respiro cada dia as assimetrias do quotidiano/e/convivo com todos os sonhos do mundo escreventes da minha memória/Abrigo o teu olhar aveludado.../aguardo um sinal de Deus para renascer/avistando o azul e um regaço/que de mansinho no silêncio da aragem me certifique que renascerei, outra vez, unificada em terra./Existe um tempo por contar/distâncias/palavras/actos/por reconstruir/sem naufrágios./as outras horas de tempo desaguam num chá de jasmim a hibernar nas minhas mãos sofridas. meu tempo está suspenso____ CCorreia

quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

Locais Fascinantes

Apreciem as fotos, as paisagens de Portugal, em

http://locaisfascinantes.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

Clube Leitura SENTIR DOURO



Encontrei... o Clube Leitura SENTIR DOURO

em

http://dourosulacontece.blogspot.com/

quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2009

Correntes D'Escritas

Mantenha-se a par de todo o evento em www.cm-pvarzim.pt/go/correntesdescritas

sábado, 3 de Janeiro de 2009

Descubra o seu Universo em 2009...

2009 é o ano do calendário gregoriano. Começa e acaba numa quinta-feira. Uma vez que não se trata de um ano bissexto, terá 365 dias.
Este novo ano que está a começar foi designado como:
Ano Internacional da Astronomia, pela ONU
Ano Internacional das Fibras Naturais, pela ONU
Ano Internacional da Reconciliação, segundo a ONU
Ano Internacional da Aprendizagem sobre Direitos Humanos, segundo a ONU
Ano Internacional do Gorila, segundo a ONU
Ano Europeu para a Criatividade e a Inovação, segundo a Comissão Europeia
O Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) será uma celebração global da astronomia e da sua contribuição para a sociedade e para a cultura, estimulando o interesse a nível mundial não só na astronomia, mas na ciência em geral.
O AIA2009 assinala o passo de gigante que constituiu a primeira utilização do telescópio para observações astronómicas por Galileu, e retrata a astronomia como uma iniciativa cientifica pacifica que une os astrónomos numa família internacional e multicultural, trabalhando em conjunto para descobrir as respostas para algumas das questões mais fundamentais para a Humanidade.
Para encontrar todas as informações sobre as diferentes actividades já a decorrer e em preparação no nosso país para celebrar este evento consulte a página oficial aqui
Descubra o seu Universo em 2009!

segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008

Pelo sonho é que vamos (Sebastião da Gama)

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama

Natal dos simples (Zeca Afonso)

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

Zeca Afonso

in http://joaopaulopedrosa.blogspot.com/

Feliz Ano Novo

O Colégio da Imaculada Conceição deseja um Feliz Ano Novo a toda a sua comunidade educativa.

Douro Hoje



in http://www.dourohoje.com/

Novo dicionário do Pai Natal

dicionário. 1. Compilação, feita por ordem alfabética, de todas as palavras de uma língua, com a respectiva definição ou a sua equivalência noutra ou noutras línguas. ...
Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, tomo VI,Círculo de Leitores, 1984
dicionário do b. Lat. dictionariu < Lat. dictione, locuçãos. m., conjunto dos vocábulos de uma língua ou dos termos próprios de uma ciência ou arte, dispostos por ordem alfabética e com a respectiva significação ou a sua versão noutra língua.
Saber utilizar um dicionário é fundamental. Desde os clássicos em papel, mais ou menos volumosos, aos mais recentes on-line, os dicionários evoluíram e adaptaram-se aos tempos modernos.
Também o velhinho Pai Natal teve de se render e recorrer aos novos recursos tecnológicos que tanto facilitam as tarefas do dia-a-dia. Luísa Ducla Soares revela-nos alguns segredos do mais famoso velhinho de barbas organizados por ordem alfabética à maneira de um dicionário. Este livro tão divertido, mas que também faz pensar, serviu de ponto de partida para conhecer e/ou explorar os indispensáveis dicionários.

Sobretudo as aves são a paisagem de um texto calado.

o mundo cá dentro e o silêncio lá fora
horas que tardam na sangria do tempo que mordo em SILÊNCIO

in http://horatardia.blogspot.com/

É tempo de Natal...

Dizem os poetas
Que o Natal não é só em Dezembro
Que o Natal é em qualquer tempo
Sempre que o homem quiser
Então eu quero
Que o Natal seja hoje já
Sem perda de um momento
Que o Natal seja todos os dias
Que não haja mãos vazias
Nem coração em tormento
Que o amor, a paz e a harmonia
Imperem no nosso tempo

Feliz Natal
Madrugália

in http://madrugalia.blogspot.com/

Fim de Ano

Noite fria
noite quente
invernia
calor de gente
que sente
no coração
o passado
de omissão
o passado
de realização
mas que continua
a alimentar
no presente
o sonho
a fantasia da lua
e do seu brilhar
risonho
querer de gente
força imanente
construtora do futuro
sempre duro
que se quer alcançar
apesar da tormenta
de cor pardacenta
no rio da vida
gente atrevida
que ousa apostar
na poesia
na magia
força da vida
vida a renovar.
JRocha

ANO NOVO ?

Vem aí um ano novo.
Carregado de problemas velhos.
Vermelhos, alguns. Da cor do sangue.

in http://aluaflutua.blogspot.com/

(o céu é um palácio que olha para baixo)_______Herberto Helder

...e só por uma alucinação injusta do sangue .por um pedaço de terra antiga.
pelo medo ou pelo vício a selva e a morte que revela toda a des.razão.
pelo vocabulário gasto do fogo e das vontades que não são.
pela massa errática de um silvo malévolo que nos designa indiferentes.
como silêncio suicidário nos deixamos à beira da indiferença.
pelas faixas de gaza do nosso esquecimento.

. e com as mãos. ferventes. com os dedos. balas de baba sangrenta. com as ervas ásperas e
secas.
escreve-se os dias na desordem espectral do discurso político que perde voz e espaço
aberto. praça de corações em saldo. altar de poderes banais. escreve-se a sangue a rima
cava do personagem atípico.
_____________________e lá vamos des.cantando e des.rindo sobre um chão de falsas aparições.
escrever a mão bastarda que nos afaga de promessas baldias.
ser um dia a glória.
ser outro dia o interior esmagado.
como se tudo fosse margem ou triunfo dos símbolos. apenas.
.
astutos os palpitantes gestos. os factos. a expansiva traição.
escrever a ameaça. de um voo fulgurante. levantados os lençois da morte branda celebra-se
a ironia da inépcia.
. e pouco nos salva. nem a escrita.
________________________
E JÁ NÃO TENHO PACIÊNCIA PARA TANTO CINISMO! PERDI A PÉROLA QUE ME ERA A ESSÊNCIA
DAS PRECES!

solto-me por um pedaço de fulgor que seja.

in http://mendesferreira.blogspot.com/

... como se a vida não fosse uma plataforma de pessoas felizes com lágrimas dentro.

ouço teclas a tocar notas de vento. teclas soltas que
gemem ausências. o meu olhar ínvio sobre a copa das
árvores mais altas simula distracções diagonais.
como se ser pássaro não bastasse para aprender o
caminho do céu. como se as asas fossem pesadas e
claudicassem por cima das nuvens. como se as nuvens
não fossem da mesma água que humedece os olhos.
como se os dedos não soubessem tactear a noite de
olhos fechados. como se o pensamento não fosse uma
carícia crescente na memória de um desejo distante.
como se a lucidez não fosse o caos de uma emoção que
se segura a tempo de não explodir. como se a vida não
fosse uma plataforma de pessoas felizes com lágrimas
dentro.

sábado, 27 de Dezembro de 2008

Dia... de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

DIA DE NATAL
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
[...]
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
[...]
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado. [...]
António Gedeão, poeta, cientista, professor [1906-1997]

segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

domingo, 14 de Dezembro de 2008

...as livrarias, ao contrário dos homens morrem mas podem ressuscitar...

«as livrarias, ao contrário dos homens morrem mas podem ressuscitar»

Livraria Fernando Machado - Clérigos - Porto

sábado, 13 de Dezembro de 2008

Durmo ou não? ...

Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?

Fernando Pessoa

terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Livros em viagem...


A Escrava de Córdova
Alberto S. Santos
A estranha descoberta de uma lucerna árabe em Penafiel levou o Presidente da Câmara Local, Alberto Santos, a tentar responder, pela via do romance, à pergunta que os arqueólogos colocam há décadas: até onde chegou a civilização do Al Andaluz?
Alberto Santos, Presidente da Câmara de Penafiel, lançou no Palácio da Bolsa do Porto o livro "A Escrava de Córdoba", a sua primeira incursão no universo do romance, no qual explora a presença árabe na Península Ibérica de cerca de 500 anos. "Há dois anos li um opúsculo sobre o aparecimento de uma lucerna árabe, utilizada para iluminação, na zona onde Penafiel se insere. Os historiadores, nomeadamente Mário Jorge Barroca, não conseguiram explicar essa estranha descoberta. Senti então o impulso de investigar esse período e criar uma história que a 'explicasse'", disse o autarca à Lusa. Com o passar do tempo, conforme as personagens foram ganhando vida, a lucerna foi acabando por ser remetida para um lugar secundário e dar espaço aos nomes que verdadeiramente contam a história escrita por Alberto Santos: O caudilho Almançor, figura mítica da conquista muçulmana, São Rosendo, que tanto trabalhou para o renascimento do cristianismo ameaçado e os condes portucalenses, herdeiros de Mumadona e antepassados de D. Teresa, com quem o borgonhês D. Henrique casou para gerar o primeiro rei de Portugal. "Paralelamente a personagens reais da época, como estas, o livro, que decorre em toda a Península Ibérica e no Magrebe, conta a história de outras inventadas por mim mas procurando descrever o que era a mentalidade naqueles tempos conturbados da passagem do primeiro para o segundo milénio, entre 976 e 1002", disse Alberto Santos.. "As três principais comunidades religiosas conviviam tranquilamente, apesar de alguma maior tensão em alguns califados do que noutros", descreveu Alberto Santos. O autarca-escritor repesca no livro todo este universo cultural, religioso e social que, na sua opinião, "explica algo que muitos não perceberam quando a questão de repente surgiu: porque é que a Al Qaeda afirmou que viria à Península Ibérica reivindicar o regresso do Al Andaluz". "Muita gente se questionou: Como é que num país tão pacífico como Portugal, com fronteiras estáveis há oito séculos, ouve-se de repente falar duns fulanos no Afeganistão que querem meter-se connosco. O livro explica como é que isto está a acontecer. A Al Qaeda quer recuperar aquele que já foi o zénite da civilização muçulmana", afirmou Alberto Santos. Questionado sobre o que leva um presidente de câmara a escrever literatura à margem dos despachos e dos projectos urbanísticos, Alberto Santos recordou que "todos têm uma ambição, uma emergência de fazer algo diferente do seu dia-a-dia. Uns dedicam-se ao desporto, outros às viagens, eu decidi escrever". Nos primeiros tempos de escrita, Alberto Santos sentiu que punha em cada linha "os defeitos de anos de advocacia" e do seu estilo específico, "onde se tenta ir directo ao assunto sem grandes subtilezas".
Com o passar do tempo, e com as opiniões de alguns amigos a quem mostrava excertos do que ia escrevendo, o autarca foi apurando o estilo, "sempre com a preocupação de que o que ia escrevendo estivesse validado historicamente". "A Escrava de Córdoba" é o primeiro livro de Alberto Santos mas certamente não será o último do autarca de Penafiel, que prepara já os primeiros trabalhos de investigação para um segundo romance que terá como cenário de fundo a presença portuguesa no Norte de África no século XVI. A obra foi apresentada pelo autor do prefácio, o jornalista José Rodrigues dos Santos, e por António Lobo Xavier.

sábado, 6 de Dezembro de 2008

Silencioso diálogo...


É tempo de espera
ou
apenas
estranho tempo em mim se esgota,
o linho, os frutos, a memória.
Encontro pinturas animistas
a povoar o cântico das palavras.
Os meus passos peregrinos caminham
com amor
até à eternidade.

in Cerne e o Verso, Cristina Correia.

Abraço de Paz para todos Vós.

Livros com Ideias dentro...


"A luta pelo meu pão pode ser materialismo; mas a luta pelo pão dos outros já é espiritualismo"

quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

"A minha visão daquele Natal" de Arménio Vasconcelos

Fundador e Director da Casa-Museu Maria da Fontinha – Castro Daire - Viseu

A minha visão daquele Natal

A chuva caía incessante.
Na quietude da casa casada com a Natureza, olhava pela vidraça a paisagem verde baça do arvoredo e o plúmbeo ar que escondia os céus, ouvindo os balanços sem retorno das águas que vinham dos montes e se agigantavam com as que caíam em bátegas estrondosas e traziam consigo os enormes grãos de saraiva.
Era Inverno em Portugal, nas margens do Lis que deixara de sorrir e, submisso, se deixara vencer pelas forças dos elementos.
Não se vislumbrava qualquer flor em toda a tela que só findava no horizonte e as montanhas encontravam-se cinzentas e encobertas pelas névoas que Éolo impelia na direcção do Oriente.
Dia triste, mas com vida, aquele dia…
Os meus olhos enfrentavam sobre a lareira onde as achas ardiam e no seu crepitar soltavam reluzentes chispas, mostrando-me as cores da alma e do Hades, um presépio: simples, calmo, luminoso, da cor da palha seca que amparava aquela Luz que se reflectia no alto sob a forma de estrela.
Tudo se conjugava, neste cenário, como um só elemento, um só corpo, sereno e perfeito, na paz e no calor soprado pelos animais que junto d’Ele ruminavam, dispensando agasalho a cobrir aquele corpo que sorria: o do Menino-Deus que tanto iria padecer.
E em ambas as direcções, antagónicas, de diferentes luz e paz, continuava eu, absorto, a dirigir o olhar para tudo compreender.
Então, conversei com Ele e roguei-Lhe que mantendo-se a unidade e a sublimidade do presépio, a Natureza se acalmasse, o regato voltasse a ser cristalino e os montes mostrassem de novo a sua identidade.
Sorrindo-me sempre, o Menino levantou ligeiramente a palma da sua mão que reflectia a luz da estrela situada no cimo do Seu presépio.
Nada senti por momentos, nem onde estava nem o que via, até que debaixo das pétalas que voavam sobre todo aquele cenário, os meus olhos passaram a ver e a sentir a Natureza acalmada, a luz do Sol a cobrir os vales e as serras e, junto ao regato agora prateado e vestido de águas límpidas e de pedras lavadas, uma singela flor branca de corola ridente apontando na direcção da Luz e lançando-Lhe a sua fragrância inebriante e doce, mágica e sublime.

É preciso conversarmos com o Menino-Deus. Crermos. Deixarmo-nos entrar no mundo encantado do irreal e na Sua companhia nos encontrarmos com a realidade que afinal é sempre calma, luminosa e musical.

Tudo isto me aconteceu naquele Natal.





É este o meu presépio

Natureza inclemente
Cinzenta e estrondosa
Naquele momento
A Poente do lugar
Donde emanava a Luz formosa

Diferentes cenários e sentidos
Nas linhas do meu olhar
São vales, montes, prados, rios e mar
E aqui os animais, deitados, reunidos.

Aquecendo as palhas e o corpo débil
Daquele Menino-Deus que sorria feliz
Nos braços amorosos de Sua Mãe

Num amor Divino, rico e fértil
No instante em que raiava a luz
D’Aquele que tanto padeceria na Cruz.


É esta a minha mensagem, simples mas sentida, para todos aqueles de quem gosto.

NATAL de 2008
O Arménio Vasconcelos

sábado, 29 de Novembro de 2008

XIII Congresso Distrital do PS - Federação Distrital de Leiria -


João Paulo Pedrosa reeleito presidente da Federação do PS

Com 90% dos votos, João Paulo Pedrosa, foi reeleito presidente da Federação Distrital de Leiria do Partido Socialista para o mandato de 2008-2010.

quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

A Violência Doméstica em debate


natureza


para a amiga Regina,

natureza única
É do despontar da noite
ao alvorecer dos rios
que adormecem as aves
e sonham os olhos,
serenos,
por entre os flancos
pálidos dos vales...
natureza mãe.
abraço sempre, CC

cerne e o verso

quinta-feira, 16 de Outubro de 2008

Dalì Lettres à Picasso

Port Lligat e a casa de Dalì sobre a esquerda, não como se encontra hoje mas já com algumas barracas de pescadores recuperadas.
Tres cher Picasso, Ge travaille chaque matin depuis la leve du soleill et je la satisfaction de pouvoir vous assure que je suis entrain de peindre des veritables chefd'euvre dans le genre de ceux que l'on faisait aux epoques de Rafael Merci, merci avec votre geni iberique integral et categorique vous havais tue Buguereau et aussi et surtout l'art moderne tout entier! maintenant on peut de nouveau peindre originallement.
Bon jour! vous embrasse et viendre vous montrai encore une fois mais tableux vous serai fou de joie votre Salvador Dali.

O postal, frente e verso, foram retirados do livro Dalì Lettres à Picasso, da Fundação Gala/Salvador Dalì e as Edições Gallimard, 2005.

Cadernos de Sociomuseologia

Museo Comunitario de Santa Teresa del Nayar, Nayarit, México. 2002

Prémio Nobel da Literatura 2008


Gallimard Folio
amazon.fr

"I have the feeling of being a very small item on this planet, and literature enables me to express that". Le Clézio
O Nobel da Literatura 2008 foi atribuído no dia dia 09 de Outubro ao escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio um dos mestres da literatura contemporânea em língua francesa, cuja obra é considerada como uma crítica ferrenha à civilização urbana e ao Ocidente materialista.
Em entrevista a uma rádio sueca, Le Clézio disse estar «muito emocionado e muito sensibilizado».
O júri do Nobel justificou a atribuição do prémio ao autor francês nascido em 1940, caracterizando-o como um «escritor da ruptura, aventura poética e êxtase sensual, explorador de uma humanidade mais além e na base da civilização reinante».
A Academia Sueca nota que, partindo dos últimos escritores do existencialismo e do ‘novo romance’, Le Clézio conseguiu «salvar as palavras do estado degenerado da linguagem quotidiana e devolver a força para invocar uma realidade existencial». sol.sapo.pt
Doutor em letras pela Universidade de Nice, começou a escrever aos sete anos. Antes do Nobel, o seu galardão mais importante foi o Prix Renaudot, o mais importante das letras francesas. Esse prémio foi ganho quando tinha apenas 23 anos com o seu primeiro livro: Le Procès-Verbal.
A sua obra, que compreende contos, romances, ensaios, novelas, traduções de mitologia ameríndia, numerosos prefácios e artigos, é considerada como crítica do Ocidente materialista e uma atenção constante aos mais fracos e aos excluídos.
Le Clézio afirma dever muito ao México e ao Panamá, «Essa experiência mudou toda minha vida, minhas idéias sobre o mundo da arte, minha maneira de ser com os outros, de andar, de comer, de dormir, de amar e até de sonhar», comentou certa vez, ao evocar essa época de sua vida.
A obra Le Clézio ultrapassa os 50 títulos e traduzidos para português estão os «O Processo de Adão Pollo», «O caçador de tesouros», «Deserto» (considerado a sua obra-prima), «Estrela errante», «Diego e Frida» e «Índio branco». jornaldigital.com

Do autor, em 2005, a obra na versão original, Mondo et autres histoires. Deixa-se aqui um excerto:
[...] Mondo aimait bien faire ceci: il s'asseyait sur la plage, les bras autour de ses genoux, et il regardait le soleil se lever. À quatre heures, cinquante, le ciel était pur et gris, avec seulement quelques nuages de vapeur au-dessus de la mer. Le soleil n'apparaissait pas tout de suite, mais Mondo sentait son arrivée, de l'autre côté de l'horizon, quand il montait lentement comme une flamme qui s'allume. Il y avait d'abord une auréole pâle qui élargissait sa tache dans l'air, et on sentait au fond de soi cette vibration bizarre qui faisait trembler l'horizon, comme s'il y avait un effort. Alors le disque apparaissait au-dessus de l'eau, jetait un faisceau de lumière droit dans les yeux, et la mer et la terre semblaient de la même couleur. Un instant après venaient les premières couleurs, les premières ombres.[...]
Quand le soleil était un peu plus haut, Mondo se mettait debout parce qu'il avait froid. Il ôtait ses habits. L'eau de la mer était plus douce et plus tiède que l'air, et Mondo se plongeait jusqu'au cou. Il penchait son visage, il ouvrait ses yeux dans l'eau pour voir le fond. Il entendait le crissement fragile des vagues qui déferlaient, et cela faisait une musique qu'on ne connait pas sur la terre.[...]
Le Clézio, Mondo, Mondo et autres histoires, Gallimard folio, 1978
G.S.
Fragmentos culturais, 11.10.2008

quarta-feira, 1 de Outubro de 2008

"O Meu Livro - Uma Leitura" de Manuela Vaquero - 11 Outubro 2008, 15:30, C.M.Lamego


sábado, 30 de Agosto de 2008

ESPAÇOS DE LUZ - Arménio Vasconcelos - Uma Vida, uma Obra.

























































Aurora…

O Sol Sorri
Acorda, meu amor!
Olha os cumes nevados lá na serra.
Escuta o vento nas folhas dos carvalhos.
Sorve a brisa do seio da minha Terra.
Neles me encontrarás!
Sempre

Livro "para além do rio", página 12

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José de Abreu Vasconcelos

Meu pai

As cerdeiras estão nuas.
As folhas caíram

Como lágrimas,
E atapetam
E amaciam os teus passos.
Que saudades, Pai,
Dos teus conselhos.
Dos teus abraços.

Dos teus anelos.
Da tua voz.
Do teu riso.

Que sempre ecoam
Em cada folha
Que piso.

São tantas as saudades, Pai,
Que, para minorar as penas,
Caminho horas sobre a folhagem,
A dizer-te poemas.

Livro "De Leiria partidos - Em mim presentes", página 19
A. Vasconcelos


O Museu Maria da Fontinha, localizado no lugar de Além do Rio, concelho de Castro Daire é um espaço de Luz, uma notável fonte de energia positiva. O seu Fundador e Director, Dr. Arménio de Vasconcelos, licenciado em Direito, por Coimbra, é membro do Conseil International des Musées, da UNESCO e da Associação Portuguesa de Escritores. Com expectativa e alegria aguarda-se pelo futuro "Museu do Território do Vale da Paiva e Serras".
Nas imagens: as memórias, a família, a história, o acervo, a força, o trabalho, a dedicação, a alma e a Humanidade da Família Vasconcelos.
«Partirei daqui a dias para o Brasil.
Se a Hélade é a minha Pátria do passado, Portugal é a de hoje e o Brasil será a minha Pátria do futuro.
A todas estas Pátrias amo. E todas cabem inteiras na Sala de visitas da minha alma.» A.Vasconcelos

quinta-feira, 24 de Julho de 2008

Lema

Não venhas atrás de mim pois posso não te guiar, não venhas à minha frente pois posso não te seguir, anda apenas ao meu lado e sê meu amigo… AT

terça-feira, 15 de Julho de 2008

“Miguel Torga em Leiria” de Lucília Vasconcelos

Lucília Vasconcelos
“Miguel Torga em Leiria” é o nome do Roteiro Cultural editado pela Região de Turismo Leiria/Fátima - Dezembro 2007, em colaboração com o Elos Clube de Leiria. Lucília Vasconcelos, autora do roteiro, frisou que o objectivo deste roteiro é “revisitar o exímio pintor da alma humana e notável pensador Miguel Torga.” Com este Roteiro pretende-se “dar a conhecer Miguel Torga”, que em Leiria escreveu “Os Bichos”, que começou a escrever o seu “Diário” e que em “Leiria amou, exerceu medicina, sofreu e foi preso”. A autora classifica o poeta como “um andarilho nato por este país”, que considerava a “Estremadura a alma e corpo de Portugal”. Das oito estações que compõem o roteiro cultural, a escritora Lucília Vasconcelos destaca a estação 4, dedicada aos amigos, e a estação 8, relativa à homenagem no Orfeão Velho. Relativamente à estação 4, a autora referiu as “quatro paredes humanas que o ampararam nos momentos de sofrimento: Tomé (José Maria dos Santos), D. Gena e o marido (casal Morais) e Dr. Olívio (Dr. Alfredo Baptista). No que se refere à estação 8, a autora destacou a homenagem, de que o escritor foi alvo, no dia em que proferiu o discurso no velho Orfeão de Leiria, a 20 de Novembro de 1980, a convite do Rotary Clube, pelos seus 50 anos de labor literário, apontando no seu diário: “Aqui [Leiria] identifiquei e escolhi os caminhos da poesia, da liberdade, do amor...”. Melhor herança não poderíamos ter recebido. Saibamos geri-la. A frase de Miguel Torga “o meu partido é o mapa de Portugal” revela um escritor devoto ao seu torrão natal e ao seu país, tendo-se tornado numa das vozes mais relevantes da literatura portuguesa do Século XX.

domingo, 13 de Julho de 2008

Marado

video

domingo, 6 de Julho de 2008

Encontro Interconcelhio Bibliotecas Escolares


sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Cerne e o Verso

Mar

Só a maresia dissolve o ar.
Aquela pintura ardente
que se debruça na água
como um sopro morno
de ar cansado, de tanto olhar.


[...] Interrompo a caminhada e digo interrompo, porque espero repetir a leitura do livro de Cristina Correia. Cada poema um caminho, uma hora, um momento, o intimismo velado ou revelado. Sempre que for relido, os caminhos desdobrar-se-ão, alterar-se-ão, porque nunca se repetem iguais [...] Do Prefácio de Armando Pinheiro