sexta-feira, 29 de maio de 2009

Mário Brochado Coelho


Biografia de Mário Brochado Coelho

Nasceu a 2 Julho de 1939 em Vilar do Paraíso, Vila Nova de Gaia.

Estudou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra entre 1956 e 1962. Expulso por motivos políticos da Universidade de Coimbra pelo prazo de 30 meses, concluiu a licenciatura na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.

Advogado de presos políticos nos Plenários Criminais do Porto e Lisboa, foi advogado do Sindicato dos Bancários do Norte, com intervenção na criação da Intersindical.

Advogado da acusação particular no caso do assassinato pelo MDLP do Padre Maximino de Sousa e da estudante Maria de Lurdes Correia – 1977/1999.

Membro coordenador do Tribunal Cívico Humberto Delgado – 1977/78.

Consultor jurídico, desde 1974, de inúmeras associações de moradores do Grande Porto. Consultor jurídico dos Serviços Municipalizados de Águas e saneamento, de 1982 a 2002. Provedor do cliente dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento do Porto, entre 2002 a 2006.

Foi eleito duas vezes como deputado municipal no Porto, em 1977 e 1981.
Agraciado em 2006 pelo Presidente da República com a Ordem da Liberdade.

Principais publicações (para além de colaborações na imprensa e em revistas):

-“Em defesa de Joaquim Pinto de Andrade”, Afrontamento, Porto, 1971

- “Uma farsa eleitoral – o caso do Sindicato Metalúrgico de Aveiro”, Afrontamento, Porto, 1973

- “Lágrimas de guerra”, Afrontamento, Porto, 1987 (diário)

- “Cinco passos ao sol”, Afrontamento, Porto, 1991 (poesia)- “A liberdade sindical e o quadro estatutário das associações sindicais”, CEJ/IGT, Coimbra Editora, 2004

quinta-feira, 28 de maio de 2009

ESPAÇO CIDADÃO

ESPAÇO CIDADÃO

Para votar... Sabe onde está recenseado?

Para confirmar o seu recenseamento para as eleições basta que escreva o seu nome, n.º do Bilhete de Identidade e data de nascimento... e pode fazê-lo aqui.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Tempo das águas... tempo das árvores

Ficarei para sempre no tempo incerto
dos silêncios,
junto às árvores_____quedo-me tranquilamente
e, escrevo nas águas "memórias do sempre"
sílabas de paz,
por fim,
reinvento as palavras adormecidas e outras vozes.
Foi para ti que criei as folhas de seda
que atapetam o ninho das águas
e irmanam com as árvores do mundo.
Ficarei para sempre no tempo incerto
dos silêncios,
junto às árvores_____sei que as agarro
durante as minhas horas de existência
porque, essas sim,
são verdade,
espaços contíguos
das minhas rugas, que me concedem
caminhos de firmeza
e, me enchem de claridade.

A árvore dos valores

Esta é a nova "árvore dos valores", que foi pintada pelo Edu, um artista local, para alegrar os jardins da Casa Emanuel http://www.casaemanuel.org/
No pequeno "oásis" que é esta casa, nos arredores de Bissau, não se esquecem valores como a liberdade, a paz, o trabalho, a compaixão, a coragem, o amor e a criatividade.
Bem hajam!
http://sorrisosemcor.blogspot.com/

Mobiliza-te!


Mobiliza-te!
Sabiam que...
800 milhões de pessoas não têm acesso a comida suficiente para se alimentarem?
1.100 milhões de pessoas sobrevivem com menos de 1 dólar por dia?
1.200 milhões de pessoas não tem acesso à água potável?
10 milhões de crianças não sobrevivem até aos 5 anos por causas que podem ser evitadas?
50 milhões de pessoas em todo o mundo são afectadas com o VIH-SIDA?
10% da população mundial desfruta de 70% das riquezas do planeta...
Não será motivo para parar e pensar como podemos agir?
Desconhecimento não é desculpa.
Não fiquem indiferentes.
Mobilizem-se!
www.pobrezazero.org

Junto às árvores

Sei que a voz do olhar tem silêncios
e o mutismo domina o tempo
nas teias dos espelhos minguados.
Se soubessem quanto espreitamos
a memória dos silêncios
entre o genuíno e a perplexidade da consciência
jamais exerceriam actos disformes.
Junto à memória o conhecimento
imbuído em palavras verdade,
como é frágil o Ser,
e tão lúcido o pensamento.
A generosidade das árvores
não tem fim,
sei que as agarro
durante as minhas horas de existência
porque, essas sim,
são verdade,
espaços contíguos
das minhas rugas, que me concedem
caminhos de firmeza
e, me enchem de claridade.
Restou tanto por dizer
um vestígio de um olhar,
um refúgio no tempo.
Entre as metamorfoses a liberdade é caminho
para ler a voz do olhar e dos silêncios.
Ficarei para sempre no tempo incerto
dos silêncios,
junto às árvores.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

onde a bondade ainda brilha


Terra de ninguém

Imagino que à passagem do tempo
somos uma estância em metamorfose,
percorremos o limite da utopia
a cada batimento da terra
e, só o silêncio nos é revelado.
Basta ler os lugares dos sonhos
e, de quem os habita.
Mas, na orla infinita do tempo incerto
da passagem da nossa existência humana
há ainda versos por ler
no enleio do fio dos dias.
Nada que agrida me é semelhante.
Nada que floresça me é indiferente.
Atravesso desertos
e, nos desencontros
descubro sinais visíveis, mil reflexos
de sustos e refúgios.
Inocularia na humanidade
alimento indispensável
para as almas da terra de ninguém,
onde a bondade ainda brilha.
Oiço, apenas, a memória que madruga
no envelhecimento da paz.
Cristina Correia

terça-feira, 28 de abril de 2009

Silêncios

_____é, por vezes, um murmurar de silêncios… que só ao poeta lhe é dado o condão de decifrar.



Camilo Castelo Branco " Os Amigos"

A palavra reveste uma indiscutível força poética, uma narração em torno de uma emotividade essencial ao Humanismo. E é justamente através da emotividade - na força poética da palavra - que o poeta desencadeia o dispositivo da criatividade no leitor e que floresce a partir do diálogo. Dá-se, assim, o enlace entre a alma e o humanismo, a única e singular assinatura do mundo - o respeito, o afecto e amizade que damos uns aos outros. CCcerne e verso.
Camilo Castelo Branco "Os Amigos"
Amigos cento e dez, e talvez mais,
eu já contei. Vaidades que eu sentia!
Pensei que sobre a terra não havia
mais ditoso mortal entre os mortais.
Amigos cento e dez, tão serviçais,
tão zelosos das leis da cortesia,
que eu, já farto de os ver, me escapulia
às suas curvaturas vertebrais.
Um dia adoeci profundamente. Ceguei.
Dos cento e dez, houve um somente
que não desfez os laços quase rotos.
- Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver". . .
- Que cento e nove impávidos marotos!
Camilo Castelo Branco

segunda-feira, 20 de abril de 2009

terça-feira, 24 de março de 2009

II Antologia de Poetas Lusófonos



Mais um elo para a Lusofonia
Escrever é algo mais do que espalhar letras, entornar palavras ou construir frases. Escrever é transmitir ideias, é concretizar desejos, é realizar sonhos, é prolongar a firme voz de comunicar. Escrever é cunhar identidade pela diversidade cultural que une países, regiões, cidades e aldeias.
A Lusofonia não é apenas um conjunto de países onde se fala a Língua Portuguesa. A Lusofonia está espalhada por todos os países do Mundo. Em todos eles existe alguém que fala ou escreve esta tão amada Língua.
Neste Planeta, em que parte da sociedade o considera global, não existem fronteiras para a Lusofonia nem para a Poesia, como defendia António Gedeão: “Minha aldeia é todo o mundo”.
A II Antologia de Poetas Lusófonos surge com os objectivos nobres de promover a Língua Portuguesa, de promover a Lusofonia e de promover os Poetas que espalham as suas veias inspiradoras por todo o Mundo, tal como o fizeram os grandes vultos da Lusofonia, com especial destaque para o Padre António Vieira, que além da Língua conseguiu unir Continentes.
Este é um livro que tenta unir regiões de vários Continentes. Unir poetas que nesta aldeia global, conseguem unir esforços e vontades para levar a efeito este livro.
O Padre António Vieira deixou escrito que um “Livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”. Este livro é apenas mais uma semente lançada ao vento e que, de certo, irá ajudar a promover a Lusofonia no meio de um acordo que já se discute desde o século XIX.
A II Antologia de Poetas Lusófonos apresenta, nestas quase 500 páginas, 134 poetas de 11 países: Angola, Brasil, Canadá, Estados Unidos da América, França, Índia, Inglaterra, Moçambique, Portugal, Suíça e Timor.
As poesias que tatuam as páginas deste livro não são todas de índole académica. Queremos, também, dar voz à poesia mais popular. Mas, uma coisa é certa: neste livro todas as poesias têm mensagem. Todas elas transmitem sentimentos. Todas elas cantam a mesma Língua. E mais, todas elas nasceram tão distantes umas das outras e conseguiram um elo de verdadeira união através da II Antologia de Poetas Lusófonos.
Este livro nasce de uma grande força de vontade, bem espelhada por todos aqueles que nela participam. E, essa força, nasce em cada um dos 134 poetas destes 11 países, que desejaram e conseguiram saltar este obstáculo, que é a fronteira invisível das nações. Alexandre Herculano defendia que “o erro vulgar consiste em confundir o desejar com o querer. O desejo mede obstáculos; a vontade vence-os”.
Esta é uma Antologia que atravessa Oceanos, une Continentes e espalha Mensagens pelo punho de cada um dos 134 Poetas.
A todos eles e a todos aqueles que permitem que a II Antologia de Poetas Lusófonos seja uma realidade, tenho que deixar em nome das equipas editorial e técnica, os mais cordiais e sinceros agradecimentos.
Um especial agradecimento para as Associações, Academias e Instituições que ajudaram a divulgar o regulamento da II Antologia e, um grande abraço a todos os Poetas.
Como escreveu o poeta açoriano, Armando Côrtes-Rodrigues, “O mar da minha vida não tem longes”.
Até à III Antologia de Poetas Lusófonos.

Adélio Amaro

Coordenador Editorial

sexta-feira, 20 de março de 2009

No corpo já almeja outro mar... minha África














Éramos peregrinos,
cruzámos nossos olhos
dispersos em fragmentos
no rumor do porto rio...
enterraram-se no tempo como farpas.
Hoje,
que eu já não sei
senão eu,
só levo uma mágoa,
um lamento, neste berço de anciania.
A memória devolve
minha ânsia de serenar
esses rostos... indiferentes
descem do crepúsculo em brumas brandas.
Quando o derradeiro pássaro perecer,
não pertenço mais à vida.
____________________________________...

Oh! tempo da minha infância!
Manto bordado de Deus!
Deixa-me fitar-te,
somente sou, quando em verso...
E no regresso
tudo coube no olhar com que não vi...
...____________

A bonina da fé
portadora dos poetas, dos afagos.
Minha face em luto,
labirinto envelhecido
e, sem saber de mim
brota no intervalo do tempo
a lembrança de uma ruga.
Minha face em cinza,
morre sem renunciar um corte, um risco, uma névoa
e, por vezes, num segundo se aprisiona
o momento.
___________________________...

Quando o derradeiro sopro findar,
não pertenço mais à vida.
E tocará esse piano
neste descaminho benigno,
não conhecendo quem o escute.
Só de longe e recôndito,
o espírito em que habita
tacteará meu rosto
sobre o regaço morno
dum livro cálido
tocado pela emoção.
Sei que já nada é querido.
Venha a viagem quando Deus quiser.
Enquanto houver uns olhos que brilham,
outros olhos que os fitam,
pende meu seio outro céu.
..._________________________

No corpo já almeja outro mar,
minha memória, minha África,
Oh! tempo da minha infância!

CCorreia
do Livro "Amor razão maior"

Na terra das palavras



Abraço
Na terra das palavras
havia poemas e sonhos,
na tua mão eu os colhi.
E na seiva do teu olhar
fui plantar folhas de seda
que colhi no alto mar
preciosas, só para ti…
Sete abraços enfeitaram
pedaços da terra do céu,
sete silêncios cantaram
os Anjos,
melodias, junto de mim
perto de ti…
...____________________
Aqui jaz
o túmulo do âmago
e o silêncio dos guiados.
Viesse um vento...
eu poderia elevar a vela
num cântico além-mundo.
As mãos cansadas
cantam um poema livre,
a qualquer hora de solidão,
palavra fértil
num vazio derrotado...
Onde cabe o nada
abundam sementes
a anuir
sempre com alma
a embrulhar silêncios...
O cordão umbilical,
o cheiro a rosas,
sabor a lágrimas...
nostalgia.
..._________________
O contentamento desmedido, o suspiro
e a saudade perpétua do nascer.
...__________________________________
Convivo
com brandura
o momento.

CCorreia
do Livro "Amor razão maior"

quinta-feira, 12 de março de 2009

um fio de memória




















Poeta
Tu sabes, não sabes!
Como, por vezes,
é difícil fazer o sol brilhar.
No palmilhar do sonho
a vontade em alcançar
um sorriso na primavera
uma rosa, uma quimera
é, por vezes, um murmurar
de silêncios…
que só ao poeta lhe é dado
o condão de decifrar.
...
Chama-se destino à senda da vida!
Desassossego, incerteza, receio,
sonhos adiados, escondidos
risos e lágrimas que desaguam
junto do rio,
um fio de memória.
Longe, está plantado o meu canteiro
feito de dor, trabalho e histórias
...
Ah! poeta
Tu sabes, não sabes!
Como, por vezes,
é difícil fazer o sol brilhar.
CCcerne e o verso

O enlace entre a alma e o humanismo

A palavra reveste uma indiscutível força poética, uma narração em torno de uma emotividade essencial ao Humanismo. E é justamente através da emotividade - na força poética da palavra - que o poeta desencadeia o dispositivo da criatividade no leitor e que floresce a partir do diálogo. Dá-se, assim, o enlace entre a alma e o humanismo, a única e singular assinatura do mundo - o respeito, o afecto e amizade que damos uns aos outros. CCcerne e verso

Mulher de eleição "Maria José Quintela"





O prazer de ler os livros de Maria José Quintela, Um olhar não basta, Julho de 2006, publ. Pena Perfeita, e O mundo fica irreal, mas não me importo, Garça Editores, 2007.

em pleno voo os pássaros abandonam a sua sombra
http://dolugardemim.blogspot.com/

domingo, 8 de março de 2009

Dia Internacional da Mulher

«Diz-me, Mulher Coragem, em que porto brotam os caminhos do pensamento - verdade, da luz, da justiça, da liberdade... Se houver, hão-de estar no fundo da tua arrojada alma...» CCorreia
Relembramos...

boas razões para...


LER...


a Leitura é um prazer...

Fernando Amaral

Fernando Amaral

Natural de Lamego e licenciado em Direito, Fernando Monteiro do Amaral foi Vereador da Câmara Municipal de Lamego, Presidente da Assembleia Municipal de Lamego e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Exerceu funções de Deputado à Assembleia Constituinte e de Deputado à Assembleia da República nas I, III, IV, V e VI Legislaturas. Ocupou a pasta da Administração Interna e foi posteriormente Ministro adjunto do Primeiro-Ministro, nos 7.º e 8.º Governos, respectivamente. Exerceu as funções de Vice-Presidente e Presidente da Assembleia da República durante três mandatos (1983-1987). Entre 1985 e 1987 foi designado para o cargo de Conselheiro de Estado. Nos dois anos seguintes foi Deputado à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, da qual foi também Vice-Presidente. Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo.
http://www.parlamento.pt/VisitaVirtual/Paginas/BiogFernandoAmaral.aspx

--Publicada por manuel afonso em cogitar a 3/07/2009 03:01:00 PM

terça-feira, 3 de março de 2009

Movimento Elista

. O Movimento Elista foi fundado em 8 de Agosto de 1959 pelo Dr. Eduardo Dias Coelho, médico da Sociedade Portuguesa de Beneficiência e membro do conselho deliberativo da Associação Atlética Portuguesa, em São Vicente, no local denominado Prainha, localizado defronte da enseada onde ancoraram as caravelas de Martin Afonso de Souza.
. As atividades das unidades elistas na Comunidade Lusíada são norteadas pelos elevados ideais comunitários consubstanciados nos seguintes princípios gerais:
. O Elismo é um movimento de congregação de valores humanos dispostos ou, pelos menos, predispostos a defenderem a aliança e a promoverem a boa compreensão dos povos de língua portuguesa. Veículo de propagação e de defesa dos ideais que formam a comunidade lusíada é também o Elismo, por decorrência e paralelamente, fonte de alta confraternização de quantos nele se integram. Tendo por trilha o idioma português, pois, fadado a se expandir por lugares os mais diversos e distantes, sejam quais forem as suas peculiaridades locais próprias e típicas, o Elismo é um símbolo de manutenção e de garantia da sobrevivência, em qualquer lugar do mundo, de princípios e ideais que a língua mater conferiu e consolidou nos homens de todos os tempos.
. Um Elos Clube jamais poderá ser entendido como unidade isolada. Cada ELOS é simples fração de um todo; é mera parte de um conjunto; é uma peça de engrenagem; é um elemento que se prende a outros tantos que hão de formar poderosa corrente de pensamento e de ação, em função de idéias e fins comuns. Situado acima das contingências de formulações políticas internas de cada país, o ELOS respeita o sentir e as convicções de cada elista como cidadão, alheio a sistemas de governos e a doutrina de governantes, desde que não subversivos. Também os não distingue por sua condição social, econômica ou religiosa, já que os equaciona na linha de rígida conduta moral e de adesão aos fins da entidade. Reclama o ELOS, a par da união das pessoas que falam e dignificam a nossa língua, a sua identificação na soma de suas forças e esforços para, no campo espiritual, darem vivência e relevância a valores éticos e históricos e, no terreno material, postularem para que tornem práticas e objetivas as recomendações que, no interesse da família lusíada, venham a ser ditados por tratados, convenções e protocolos oficiais.
. Todo elista nivela-se por um mesmo conteúdo moral e por uma mesma dose de idealismo na luta pela congregação das pessoas que, onde estiverem, falem adaptem ou cultivem a língua portuguesa. Este, seu denominador comum. Pouco importam as suas desigualdades econômico-financeiras ou a diversidade sua cultura, cor, religião ou convicções políticas. O culto ao lar, o respeito à família, a veneração à pátria, o amor ao próximo; a honradez no trabalho, irrevogável idoneidade moral e inconsútil determinação de fazer vingar os objetivos sociais, tais os pressupostos de sua vocação elista que lhes cumpre procurar transferir às gerações mais moças, como reservas indispensável ao futuro do elismo e à sustentação da comunidade que o Elos simboliza.
. O Elista é, precisa e deve ser a expressão dinâmica de uma comunidade, a lusíada. Eduardo Dias Coelho

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Encontro de Poetas

Pegue-se num sonho
concedam-lhe que seja
Allegro moderato,
Adagio Melancolico,
um soprano, um solfejo,
uma clave de Sol,
uma visita
a verter um olhar e, com afeição,
receber em mão o perfume de uma rosa.
Será a hora então de escutar a esperança,
dádiva de Deus, repouso dos Anjos
num itinerário junto ao Douro.
CCorreia

diz-me, poeta amigo


diz-me, poeta amigo
em que porto brotam os caminhos do pensamento-verdade, da luz, da liberdade...
...
se houver, hão-de estar no fundo da tua abençoada alma...

diz-me, poeta amigo
o rio há-de trazer os recados de Deus...
...
o mar segredará os mistérios de ser e ser-se...

diz-me, poeta amigo
o abraço de Deus é luz, flor lilaz, trepadeira selvagem, vales e montes, árvores de ninho, nossos filhos, o dom da ubiquidade, fontes de hiatos vazios...

digo-te, poeta amigo
o abraço de Deus é um poeta amigo, também.
CCorreia

sábado, 21 de fevereiro de 2009

ENCONTRO DE POEMAS


«há pensamentos nobres e poemas únicos que, uma vez lidos, nos inflamam a escrever poemas»


Encontro de poemas
O poema é a minha árvore_____
cuja flor é a sílaba na raiz
__ unge uma gota de chuva____
um substantivo breve.
Na minha árvore ateias perfume
e no adjectivo agigantado
coroas todos os meus versos______
Muitas vezes sinto o silêncio dos montes___
em voz alta, rezo de mãos postas,
a Deus
que me não falte.
Nunca pensei,
nesta comunhão de poemas
como se fossem troncos de árvores
a dizer oração
São gotas luminosas, cruzando-se_________
__ de mãos dadas, singulares
Talvez comparáveis________
a pegadas de Deus.

Recantos
Enquanto o poema não se cumprir
permanecemos
lírios.
Sonhar um verso puro________a reconciliar o tempo,
o branco entre as palavras,
o ar que envolve as horas,
para Te ler.
A incerteza de todos, os poetas,
mora nos hiatos,
na curva infinita,
sempre,
a reinventar forças_____sem colher um abrigo.
Juntos continuamos o caminho_______no qual,
as sílabas companheiras_______se entregam a completar silêncios_______
E, os rios acontecem.
CCorreia

ao monólogo de uma Ave Maria

Suspendo-me
vou ao encontro das palavras adormecidas,
da solidão
faço amor com os poemas,
cicio sílabas espalhadas no meu leito
onde se oculta o verso silencioso,
cristal devoção,
porque a alma, essa, remida,
só os deuses a tocam
num pulsar indomável de fantasia,
concilio-me com a natureza
ao monólogo de uma Ave Maria...
CCorreia

"Que fique só um monumento de palavras"

Que fique só da minha vida um monumento de palavras Mas não de prata Nem de cinza Antes de lava Antes de nada (…)Daquele nada que se aviva (…) Ou quando a morte nos avisa Ou quando a vida nos agarra (…) Fique porém de quanto sintaum monumento de palavras Mas não de bronze Nem de argilaE nem de cinza nem de mármore De fumo sim (…) E lembro tudo o que era simples antes do nada inevitável Mas que do nada ao menos fique um monumento de palavras David Mourão Ferreira

"Que fique só um monumento de palavras"

.porque o meu ser____ sustido pela vida e pela morte_________arquiva as palavras_ não somente dos poetas____mas dos seres___terrestres____dos pássaros____dos gatos_____do mar________dos rostos________dos sofrimentos____da guerra________da esperança_______do espelho do olhar_______das almas. .porque o tempo em que vivo___morre_____num porto de África____junto ao Geba_____onde nasceu. .porque se o tempo albergar______________como um rio___onde tudo flui_____ as quimeras_______dos humanos____Ah_então___________não haveria tempo ___para tantos séculos de história__________nem espaço para os tomos de ciências ancestrais. os rios também secam________e nem a cinza___nem o fumo___tinham os contos de Torga para narrar____..que do nada ao menos fique________ minha razão de viver________meu filho____ventre rasgado______para teu viver______meu monumento de palavras.
.porque do trabalho acordo-me_________ser aprisionado___________abre-se um lugar________no silêncio do poente dos dias_________e aos poetas só se pedem palavras____e_____silêncios__________________________________.
.porque somos assim________ numa guerra assimétrica___a doer_______a erradicar famílias_________somos assim humanos______de Deus. que fique só_____ um monumento de palavras____sem dor__sem mágoas. .porque o meu ser____ sustido pela vida e pela morte____arquiva sofrimentos____da guerra________da esperança_______do espelho do olhar_______das almas. CCorreia

"Basta que a alma demos"

Pelo sonho é que vamos, comovidos e mudos. (…) Basta a fé no que temos. Basta a esperança naquilo que talvez não teremos. Basta que a alma demos, com a mesma alegria, ao que desconhecemos e ao que é do dia a dia. Sebastião da Gama

"Basta que a alma demos"


Ressuscito palavras e vozes__________ de anjos, e_____________ convivo a força do musgo que burila a fé no que temos.

.sem horas e minutos e segundos_________eu Te rezo sílabas contidas. Basta que a alma demos naquela pintura ardente que se debruça na água como um sopro morno de ar parado, de tanto olhar.___ sei que os caminhos

desdobrar-se-ão____________numa rota incerta__e___cruzo o mar para Te ler________ verbo___pujança e trilho._______o azul e o verde surgem dispersos___no horizonte___renasce_____ o odor da terra_______o genuíno labor.

.atapetam_______os meus sentidos____a saudade da infância___e o fado__ amacia___________o despontar da noite. sonham os olhos, serenos______ por entre os flancos pálidos dos vales__________da natureza mãe.e oro ao Menino Jesus._________ estranho tempo em mim se esgota________ os meus passos peregrinos caminham__________até à eternidade._______anjo luz_______o teu sorriso amanhece profético. vindima de silêncio________palavras cadentes________ incendeiam_______a esperança que talvez não teremos. inundou-se de luz___________vê_______como a neblina deixa na margem________a marca dos anjos.______se te digo__________que a alma demos__acredita_______que Deus em breve___________ numa calmante anestesia me levará_________daqui não sou__sou do pó__das cinzas.vou chorar saudades do meu filho__do meu único filho____.escrevo sobre os ombros já cansados__________do peso_da vida. CCorreia

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

todos os sonhos do mundo

...Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo... Fernando Pessoa

"todos os sonhos do mundo"
.tenho em mim outras horas de tempo, hão___ de chegar todos os sonhos do mundo___simples como a vibração da luz do piano.hoje sou prece de todos os caminhos_______ metáforas dos Teus olhos._________________________________não sou desta era______viajei através do pó das antigas estrelas e vivi nas asas dos mortos______________escutei as almas_____________as minhas pálpebras quiseram gesticular pazes______________mas a humanidade não quis. ______________________________________
__a chorar os vivos_______respiro cada dia as assimetrias do quotidiano_______e_______convivo com os sonhos do mundo escreventes da minha memória_________________já sem rosto__________________que um dia voando por____________aí_________escutarei o sussurrar_____do meu coração a esquecer-se de palpitar novamente.___________________________________leva-me o vento no voo dos pássaros e aguardo um sinal de Deus para renascer_____ avistando o azul e um regaço___ que___ de___ mansinho_____________no silêncio da aragem me certifique que nascerei outra_______ vez______________unificada em terra.
existe um tempo por_______________________contar__distâncias______palavras__actos_____por reconstruir.chega um dia em que importa abraçar todos os sonhos do mundo____________sem naufrágios___________ tacteando cega como se a lucidez fosse_______apenas a vibração da luz do piano.____________________________________________________Dói-me a traqueia______as lágrimas sorvo-as___sal___ no rosto humedecido__________pálpebras_______tristes. as outras horas de tempo desaguam num chá de jasmim a hibernar nas minhas mãos sofridas. meu tempo está suspenso___________pela apnéia do som____ali onde a esperança se liberta da vida.
CCorreia

as outras horas de tempo

as outras horas de tempo…

Do desassossego dos sonhos/comungamos palavras adormecidas e outras vozes.../Do receio de escrever, de sentir/ressuscitamos poemas…/a olhar os lírios./das imagens dos anjos/das lembranças do meu Ser,/Tua visita é presença./Somos verbo, pujança e trilho./E quando o céu povoa silêncios, recolhemos/e reunidos, reinventamos as palavras/adormecidas nas vozes de estrelas,/guardiãs da nossa consciência, eternamente/pura./Respiro cada dia as assimetrias do quotidiano/e/convivo com todos os sonhos do mundo escreventes da minha memória/Abrigo o teu olhar aveludado.../aguardo um sinal de Deus para renascer/avistando o azul e um regaço/que de mansinho no silêncio da aragem me certifique que renascerei, outra vez, unificada em terra./Existe um tempo por contar/distâncias/palavras/actos/por reconstruir/sem naufrágios./as outras horas de tempo desaguam num chá de jasmim a hibernar nas minhas mãos sofridas. meu tempo está suspenso____ CCorreia

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Locais Fascinantes

Apreciem as fotos, as paisagens de Portugal, em

http://locaisfascinantes.blogspot.com/

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Clube Leitura SENTIR DOURO



Encontrei... o Clube Leitura SENTIR DOURO

em

http://dourosulacontece.blogspot.com/

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Correntes D'Escritas

Mantenha-se a par de todo o evento em www.cm-pvarzim.pt/go/correntesdescritas

sábado, 3 de janeiro de 2009

Descubra o seu Universo em 2009...

2009 é o ano do calendário gregoriano. Começa e acaba numa quinta-feira. Uma vez que não se trata de um ano bissexto, terá 365 dias.
Este novo ano que está a começar foi designado como:
Ano Internacional da Astronomia, pela ONU
Ano Internacional das Fibras Naturais, pela ONU
Ano Internacional da Reconciliação, segundo a ONU
Ano Internacional da Aprendizagem sobre Direitos Humanos, segundo a ONU
Ano Internacional do Gorila, segundo a ONU
Ano Europeu para a Criatividade e a Inovação, segundo a Comissão Europeia
O Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) será uma celebração global da astronomia e da sua contribuição para a sociedade e para a cultura, estimulando o interesse a nível mundial não só na astronomia, mas na ciência em geral.
O AIA2009 assinala o passo de gigante que constituiu a primeira utilização do telescópio para observações astronómicas por Galileu, e retrata a astronomia como uma iniciativa cientifica pacifica que une os astrónomos numa família internacional e multicultural, trabalhando em conjunto para descobrir as respostas para algumas das questões mais fundamentais para a Humanidade.
Para encontrar todas as informações sobre as diferentes actividades já a decorrer e em preparação no nosso país para celebrar este evento consulte a página oficial aqui
Descubra o seu Universo em 2009!

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Pelo sonho é que vamos (Sebastião da Gama)

Pelo sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia a dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama

Natal dos simples (Zeca Afonso)

Vamos cantar as janeiras
Vamos cantar as janeiras
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas solteiras

Vamos cantar orvalhadas
Vamos cantar orvalhadas
Por esses quintais adentro vamos
Às raparigas casadas

Vira o vento e muda a sorte
Vira o vento e muda a sorte
Por aqueles olivais perdidos
Foi-se embora o vento norte

Muita neve cai na serra
Muita neve cai na serra
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra

Quem tem a candeia acesa
Quem tem a candeia acesa
Rabanadas pão e vinho novo
Matava a fome à pobreza

Já nos cansa esta lonjura
Já nos cansa esta lonjura
Só se lembra dos caminhos velhos
Quem anda à noite à ventura

Zeca Afonso

in http://joaopaulopedrosa.blogspot.com/

Feliz Ano Novo

O Colégio da Imaculada Conceição deseja um Feliz Ano Novo a toda a sua comunidade educativa.

Douro Hoje



in http://www.dourohoje.com/

Novo dicionário do Pai Natal

dicionário. 1. Compilação, feita por ordem alfabética, de todas as palavras de uma língua, com a respectiva definição ou a sua equivalência noutra ou noutras línguas. ...
Lexicoteca, Moderna Enciclopédia Universal, tomo VI,Círculo de Leitores, 1984
dicionário do b. Lat. dictionariu < Lat. dictione, locuçãos. m., conjunto dos vocábulos de uma língua ou dos termos próprios de uma ciência ou arte, dispostos por ordem alfabética e com a respectiva significação ou a sua versão noutra língua.
Saber utilizar um dicionário é fundamental. Desde os clássicos em papel, mais ou menos volumosos, aos mais recentes on-line, os dicionários evoluíram e adaptaram-se aos tempos modernos.
Também o velhinho Pai Natal teve de se render e recorrer aos novos recursos tecnológicos que tanto facilitam as tarefas do dia-a-dia. Luísa Ducla Soares revela-nos alguns segredos do mais famoso velhinho de barbas organizados por ordem alfabética à maneira de um dicionário. Este livro tão divertido, mas que também faz pensar, serviu de ponto de partida para conhecer e/ou explorar os indispensáveis dicionários.

Sobretudo as aves são a paisagem de um texto calado.

o mundo cá dentro e o silêncio lá fora
horas que tardam na sangria do tempo que mordo em SILÊNCIO

in http://horatardia.blogspot.com/

É tempo de Natal...

Dizem os poetas
Que o Natal não é só em Dezembro
Que o Natal é em qualquer tempo
Sempre que o homem quiser
Então eu quero
Que o Natal seja hoje já
Sem perda de um momento
Que o Natal seja todos os dias
Que não haja mãos vazias
Nem coração em tormento
Que o amor, a paz e a harmonia
Imperem no nosso tempo

Feliz Natal
Madrugália

in http://madrugalia.blogspot.com/

Fim de Ano

Noite fria
noite quente
invernia
calor de gente
que sente
no coração
o passado
de omissão
o passado
de realização
mas que continua
a alimentar
no presente
o sonho
a fantasia da lua
e do seu brilhar
risonho
querer de gente
força imanente
construtora do futuro
sempre duro
que se quer alcançar
apesar da tormenta
de cor pardacenta
no rio da vida
gente atrevida
que ousa apostar
na poesia
na magia
força da vida
vida a renovar.
JRocha

ANO NOVO ?

Vem aí um ano novo.
Carregado de problemas velhos.
Vermelhos, alguns. Da cor do sangue.

in http://aluaflutua.blogspot.com/

(o céu é um palácio que olha para baixo)_______Herberto Helder

...e só por uma alucinação injusta do sangue .por um pedaço de terra antiga.
pelo medo ou pelo vício a selva e a morte que revela toda a des.razão.
pelo vocabulário gasto do fogo e das vontades que não são.
pela massa errática de um silvo malévolo que nos designa indiferentes.
como silêncio suicidário nos deixamos à beira da indiferença.
pelas faixas de gaza do nosso esquecimento.

. e com as mãos. ferventes. com os dedos. balas de baba sangrenta. com as ervas ásperas e
secas.
escreve-se os dias na desordem espectral do discurso político que perde voz e espaço
aberto. praça de corações em saldo. altar de poderes banais. escreve-se a sangue a rima
cava do personagem atípico.
_____________________e lá vamos des.cantando e des.rindo sobre um chão de falsas aparições.
escrever a mão bastarda que nos afaga de promessas baldias.
ser um dia a glória.
ser outro dia o interior esmagado.
como se tudo fosse margem ou triunfo dos símbolos. apenas.
.
astutos os palpitantes gestos. os factos. a expansiva traição.
escrever a ameaça. de um voo fulgurante. levantados os lençois da morte branda celebra-se
a ironia da inépcia.
. e pouco nos salva. nem a escrita.
________________________
E JÁ NÃO TENHO PACIÊNCIA PARA TANTO CINISMO! PERDI A PÉROLA QUE ME ERA A ESSÊNCIA
DAS PRECES!

solto-me por um pedaço de fulgor que seja.

in http://mendesferreira.blogspot.com/

... como se a vida não fosse uma plataforma de pessoas felizes com lágrimas dentro.

ouço teclas a tocar notas de vento. teclas soltas que
gemem ausências. o meu olhar ínvio sobre a copa das
árvores mais altas simula distracções diagonais.
como se ser pássaro não bastasse para aprender o
caminho do céu. como se as asas fossem pesadas e
claudicassem por cima das nuvens. como se as nuvens
não fossem da mesma água que humedece os olhos.
como se os dedos não soubessem tactear a noite de
olhos fechados. como se o pensamento não fosse uma
carícia crescente na memória de um desejo distante.
como se a lucidez não fosse o caos de uma emoção que
se segura a tempo de não explodir. como se a vida não
fosse uma plataforma de pessoas felizes com lágrimas
dentro.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Dia... de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

DIA DE NATAL
Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.
É dia de pensar nos outros. coitadinhos. nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.
Comove tanta fraternidade universal.
[...]
Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.
[...]
Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.
A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra. louvado seja o Senhor!. o que nunca tinha pensado comprado. [...]
António Gedeão, poeta, cientista, professor [1906-1997]

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

domingo, 14 de dezembro de 2008

...as livrarias, ao contrário dos homens morrem mas podem ressuscitar...

«as livrarias, ao contrário dos homens morrem mas podem ressuscitar»

Livraria Fernando Machado - Clérigos - Porto

sábado, 13 de dezembro de 2008

Durmo ou não? ...

Durmo ou não? Passam juntas em minha alma
Coisas da alma e da vida em confusão,
Nesta mistura atribulada e calma
Em que não sei se durmo ou não.
Sou dois seres e duas consciências
Como dois homens indo braço-dado.
Sonolento revolvo omnisciências,
Turbulentamente estagnado.
Mas, lento, vago, emerjo de meu dois.
Disperto. Enfim: sou um, na realidade.
Espreguiço-me. Estou bem... Porquê depois,
De quê, esta vaga saudade?

Fernando Pessoa

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Livros em viagem...


A Escrava de Córdova
Alberto S. Santos
A estranha descoberta de uma lucerna árabe em Penafiel levou o Presidente da Câmara Local, Alberto Santos, a tentar responder, pela via do romance, à pergunta que os arqueólogos colocam há décadas: até onde chegou a civilização do Al Andaluz?
Alberto Santos, Presidente da Câmara de Penafiel, lançou no Palácio da Bolsa do Porto o livro "A Escrava de Córdoba", a sua primeira incursão no universo do romance, no qual explora a presença árabe na Península Ibérica de cerca de 500 anos. "Há dois anos li um opúsculo sobre o aparecimento de uma lucerna árabe, utilizada para iluminação, na zona onde Penafiel se insere. Os historiadores, nomeadamente Mário Jorge Barroca, não conseguiram explicar essa estranha descoberta. Senti então o impulso de investigar esse período e criar uma história que a 'explicasse'", disse o autarca à Lusa. Com o passar do tempo, conforme as personagens foram ganhando vida, a lucerna foi acabando por ser remetida para um lugar secundário e dar espaço aos nomes que verdadeiramente contam a história escrita por Alberto Santos: O caudilho Almançor, figura mítica da conquista muçulmana, São Rosendo, que tanto trabalhou para o renascimento do cristianismo ameaçado e os condes portucalenses, herdeiros de Mumadona e antepassados de D. Teresa, com quem o borgonhês D. Henrique casou para gerar o primeiro rei de Portugal. "Paralelamente a personagens reais da época, como estas, o livro, que decorre em toda a Península Ibérica e no Magrebe, conta a história de outras inventadas por mim mas procurando descrever o que era a mentalidade naqueles tempos conturbados da passagem do primeiro para o segundo milénio, entre 976 e 1002", disse Alberto Santos.. "As três principais comunidades religiosas conviviam tranquilamente, apesar de alguma maior tensão em alguns califados do que noutros", descreveu Alberto Santos. O autarca-escritor repesca no livro todo este universo cultural, religioso e social que, na sua opinião, "explica algo que muitos não perceberam quando a questão de repente surgiu: porque é que a Al Qaeda afirmou que viria à Península Ibérica reivindicar o regresso do Al Andaluz". "Muita gente se questionou: Como é que num país tão pacífico como Portugal, com fronteiras estáveis há oito séculos, ouve-se de repente falar duns fulanos no Afeganistão que querem meter-se connosco. O livro explica como é que isto está a acontecer. A Al Qaeda quer recuperar aquele que já foi o zénite da civilização muçulmana", afirmou Alberto Santos. Questionado sobre o que leva um presidente de câmara a escrever literatura à margem dos despachos e dos projectos urbanísticos, Alberto Santos recordou que "todos têm uma ambição, uma emergência de fazer algo diferente do seu dia-a-dia. Uns dedicam-se ao desporto, outros às viagens, eu decidi escrever". Nos primeiros tempos de escrita, Alberto Santos sentiu que punha em cada linha "os defeitos de anos de advocacia" e do seu estilo específico, "onde se tenta ir directo ao assunto sem grandes subtilezas".
Com o passar do tempo, e com as opiniões de alguns amigos a quem mostrava excertos do que ia escrevendo, o autarca foi apurando o estilo, "sempre com a preocupação de que o que ia escrevendo estivesse validado historicamente". "A Escrava de Córdoba" é o primeiro livro de Alberto Santos mas certamente não será o último do autarca de Penafiel, que prepara já os primeiros trabalhos de investigação para um segundo romance que terá como cenário de fundo a presença portuguesa no Norte de África no século XVI. A obra foi apresentada pelo autor do prefácio, o jornalista José Rodrigues dos Santos, e por António Lobo Xavier.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Silencioso diálogo...


É tempo de espera
ou
apenas
estranho tempo em mim se esgota,
o linho, os frutos, a memória.
Encontro pinturas animistas
a povoar o cântico das palavras.
Os meus passos peregrinos caminham
com amor
até à eternidade.

in Cerne e o Verso, Cristina Correia.

Abraço de Paz para todos Vós.

Livros com Ideias dentro...


"A luta pelo meu pão pode ser materialismo; mas a luta pelo pão dos outros já é espiritualismo"